Friday, 18 January 2008

Restô

Rua Costa do Castelo 7
1100-176 - Lisboa
Tel. 21 886 73 34
Reserva aconselhável. Não aceita cartões.

Cozinha internacional

Localização invejável. Vale bem a pena reservar uma mesa à janela. Possui um ambiente acolhedor com muito bom gosto e animação, por vezes são apresentados números dos artistas da colectividade. O serviço é assegurado em parte pelos próprios artistas o que pode levar a algumas situações menos formais mas sempre divertidas. A comida é saborosa e imaginativa. O único ponto negativo é o preço, nítidamente exagerado. O ambiente, neste caso, sai caro.

Comida

Imaginativa e muito saborosa

Preço

€€

26 Euros

Ambiente

Cheio de bom gosto. Uma das melhores vistas de Lisboa

Serviço

Simpatia internacional

O Chapitô é um projecto cultural, social e educativo que cruza a formação, a animação e a intervenção social através das Artes e do Espectáculo.Em termos de espaço, é um local fabuloso, junto às muralhas do Castelo de São Jorge, com vista sobre a cidade e o rio. O Restô do Chapitô é um restaurante criativo e diferente. Cozinha internacional variada e imaginativa. Algumas sugestões: Raia com molho de champanhe; Porco preto com molho de manga e malagueta.



Localizacao:

Nosso menu:

  • Portobellos gratinados
  • Cherne confitado com legumes salteados
  • Vinho verde

Critica:
Restô É um restaurante/bar integrado no pequeno espaço dedicado às artes e espectáculo em Lisboa que é o Chapitô. Tem uma pequena esplanada com muito bom ambiente na rua, onde servem refeições leves. O piso de baixo é um pouco barulhento e serve de restaurante com comida mais casual (grelhados).

A cereja no topo do bolo é a fracção do restaurante no primeiro piso do edifício, que oferece um ambiente extremamente acolhedor e recheado de bom gosto. E se tiverem a sorte de ficar com uma mesa à janela (não custa pedirem quando reservarem), ficam com uma vista explêndida sobre a Baixa e o Tejo.

A comida é requintada e saborosa e para a cozinha internacional/moderna em que se enquadra, até é recheada de boas surpresas. Os cocktails à entrada são excelentes.

É um bocado difícil estacionar para aquelas bandas, portanto convém deixar o carro na Rua da Madalena, no Rossio ou no Martim Moniz e apanhar um táxi. E convém também levar dinheiro, porque não aceitam cartões para pagamento. E reservar mesa, porque é assim a puxar para o pequenino e íntimo.

por no Prato com

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Sunday, 13 January 2008

Retiro dos bons amigos

Rua Principal 49, Guisado
2500-633 - Salir de Matos
Tel. 26 287 71 35
Encerra às 4ª. Reserva aconselhável ao domingo

Regional Portuguesa

Comer bem, aliás, MUITO BEM, a um preço imbatível. As migas de broa foram uma bela surpresa bem como o bacalhau que além da qualidade era fartamente regado por um azeite excelente. Cuidado com as doses, a nossa chegou para 6 refeições. A sala é acolhedora com a grelha montada numa grande lareira que aquece o ambiente (no verão deverá ser demais). O serviço reflecte o excesso de clientela com alguma falta de cuidado pelo cliente, se bem que inocente e não intencional. Sítio para regressar sempre que a fome apertar.

Comida

Do melhor bacalhau que já comi.

Preço

12 Euros

Ambiente

A lareira no inverno é uma benção

Serviço

O ponto mais fraco da casa

A história desta casa começou nos anos 80 servindo apenas petiscos ao som do fado. A clientela começou a crescer e para tal foram acrescentadas mais duas salas, a chamada Ilha do Paraíso com ar condicionado. Quem toma conta dos destinos da casa é a filha do primeiro proprietário. A decoração é rústica e tosca. O primeiro proprietário e seu genro são aficcionados pela arte equestre, por isso há cartazes de touradas espalhados pelo restaurante e telhas pintadas com imagens destes animais bem como de ruas de Óbidos, ali perto.
Quem vem da A8 deve sair no nó da Tornada (início do troço norte com portagem) e entrar na EN8 (recta da Tornada) para então virar à direita em direcção a Alcobaça. Cerca de 400 metros depois, desviar à direita. Seguir sempre em frente (subindo a serra) cerca de dois quilómetros. Passa junto às instalações de um clube desportivo, vira na primeira à direita, seguindo sempre em frente até à aldeia do Guisado.


Localizacao:

Nosso menu:

  • Requeijão com doce de abóbora, pão quente
  • Bacalhau assado com batata nova, broa de milho em azeite, grelos de couve salteados e migas de broa.
  • Mexidos (migas com vinho do Porto e frutos secos)
  • Tinto da casa

Critica:
Casa de boa gente e mesa farta (Paula Oliveira Silva 2006-05-10)

Nas lembranças que trazemos de uma viagem não têm só lugar os lugares que fotografámos. Há sempre um cantinho especial para os sabores que provámos e as pessoas que conhecemos. É essa a sensação que se fica quando se vai ao Solar dos Amigos e Ilha do Paraíso, restaurante com nome amistoso, a poucos quilómetros das Caldas da Rainha.

Grelha ao lume

Lá para as bandas da Tornada, procurámos uma aldeia que ganhou nome de preparado de cozinha, o Guisado. Com um nome destes só se pode ir bem referenciado.

Assim que se chega pensa-se estar perante um café de aldeia, simples e humilde, mas só uma espreitadela para o interior do restaurante (o café fica na porta ao lado) pode deduzir outra leitura.

Como qualquer casa, o Solar dos Amigos tem a alma na sala que tem a "lareira". Um enorme braseiro, como que a dizer qual a especialidade do restaurante, (e não são os guisados), grelha carne e peixe, as estrelas da ementa.

O bacalhau e o novilho estão no topo da lista. Uma secção especial dedicada ao porco preto, onde não faltam os secretos e as plumas, apresenta propostas tão gostosas quanto o misto de carnes e a entremeada. Um churrasco à séria. E os preços são de amigo com as meias-doses (algumas a darem para duas pessoas) a começarem nos 10 euros.

O cozido à portuguesa e o cabrito são opções de peso mas apenas disponíveis aos sábados. O primeiro pode ainda ser degustado ao domingo.

No entanto, há algumas propostas que não passam pela grelha. As enguias fritas e o bacalhau à campino (cujo recheio é composto por feijão e couve recheando um pão caseiro) são dois casos.

Os que não têm medo de ficar sem apetite, pois as doses e meias-doses são aqui generosamente servidas, que experimentem as entradas. Uma das mais famosas é o requeijão com doce de abóbora. Não, não é sobremesa. Depois há também os enchidos de muitas variedades que passam pela grelha (morcela, linguiça, farinheira...)

Um rol de sobremesas caseiras dificulta a escolha. Há doces de ovo, de figo e nozes, de natas... Depois de tanta fartura, espaço no estômago só se for para um café e um "S", típico biscoito das Caldas da Rainha. E para uma jeropiga ou ginjinha de Óbidos, vá, ambas caseiras.

A acompanhar um vinho, pois. A carta demonstra um grande predomínio dos sumos alentejanos. As marcas são conhecidas e não há grandes surpresas, embora se encontrem alguns néctares de reserva.

Como tudo começou

Não são necessárias grandes voltas de imaginação para percebermos que tudo isto começou com uns petiscos servidos ao som do fado. Faz mais de 20 anos e este restaurante típico já alcançou a respeitabilidade de uma clientela fiel que percorre meio país para aqui vir comer.

A história conta-se em breves parágrafos. A procura foi crescendo e a casa “esticando” a ponto de se acrescentarem mais duas salas às iniciais, a chamada Ilha do Paraíso, onde se tratou de colocar ar condicionado.

Hoje é a filha do proprietário quem assegura os destinos da casa. Luísa Nunes é o seu nome.

Com uma decoração começada pelo pai e seguida pelo marido, já que os dois homens têm gostos iguais no que toca à arte equestre e tauromáquica, o que aqui se encontra tem tudo a ver com um estilo rústico.

Há objectos convertidos para outros usos. É o caso das telhas pintadas que emolduram as paredes (que também estão à venda), uma tradição de Óbidos, que afinal nem está assim tão longe. Aproveite e passe a manhã ou a tarde por lá.


por lifeCooler
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Saturday, 12 January 2008

O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford

Filme complexo e longo, quase tanto como o próprio título. Fotografia excelente e actuações assombrosas, especialmente de Casey Affleck que, qual ave de mau augúrio, ronda incessantemente Brad Pitt, um criminoso frio, convertido em estrela da época e em plena batalha interior com a pressão da sua própria lenda. O ano começa bem com este filme.

Título original: The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
De: Andrew Dominik
Com: Brad Pitt, Mary-Louise Parker, Brooklynn Proulx, Casey Affleck
Género: Dra, Wes
Classificação: M/12

EUA, 2007, Cores, 160 min. (IMDB)

Um dos mais famosos bandidos americanos, muitas histórias foram escritas sobre o lendário Jesse James (Brad Pitt). Em 1881, Jesse tem 34 anos. Enquanto planeia o seu próximo assalto, o bandido continua a fazer frente aos inimigos que cobiçam não só a recompensa pela sua captura mas também a glória de o terem vencido. Mas a maior ameaça pode estar no seio do seu grupo de aliados.
Jesse pode não passar de um criminoso para aqueles que roubou e para as famílias dos que assassinou, mas ao mesmo tempo o bandido é também alvo de admiração: uma espécie de "Robin dos Bosques" que assaltava bancos e proprietários dos caminhos-de-ferro que exploravam os pobres agricultores; um soldado injustiçado que se vingava de quem lhe tinha destruído a vida, um espírito livre. Entre os seus admiradores estava Robert Ford (Casey Affleck), um jovem que sonhava com o dia em que cavalgaria ao lado do seu ídolo.
Quem terá sido realmente Jesse James? E quem foi Robert Ford, este jovem que, com apenas 19 anos, se tornou no cobarde que alvejou Jesse pelas costas, abatendo a lenda que dez estados não tinham conseguido capturar. O que terá acontecido nas horas que antecederam o tiroteio? Será que algum dia se saberá toda a verdade?in Público

Crítica:
A autoridade reencontrada de Brad Pitt

"Este é um tipo de filme complexo, lento, que não tem nada a ver com a forma como se fazem filmes hoje - tem mais a ver com os grandes filmes dos anos 70", diz ao Ípsilon Brad Pitt, actor e produtor de "O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford". Filmado em 2005, teve uma série de versões até estabilizar na versão definitiva de duas horas e quarenta minutos. "Na verdade", continua Brad, "eu gostava mesmo era da primeira versão, que tinha quatro horas. Mas os espectadores não iriam ter tolerância para ela...".

Ao longo de dois anos chegou a especular-se que "O Assassínio..." era um filme com problemas; que Pitt não reconhecia autoridade aos talentos do realizador Andrew Dominik; que nunca o filme veria a luz do dia. Mas viu, e o produtor ("Devo ter visto este filme mais vezes do que qualquer outro em toda a minha vida") está orgulhoso, e desmente qualquer braço de ferro entre ele o cineasta. Para todos os efeitos, então, imprima-se: "É um filme delicioso que precisou de pousar e respirar como um bom vinho. São assim as minhas histórias favoritas".

Antes de prosseguir, deve-se fazer ressaltar como Pitt aparece agora, aos 43 anos, mais à vontade na sua pele de vedeta e mais articulado na sua função de produtor. Como se tivesse encontrado uma direcção. Ele deixa entender que o facto de ser pai de quatro filhos tem alguma coisa a ver com o assunto: obriga-o a um maior exercício de concentração porque as janelas de trabalho estão abertas menos tempo. "Na verdade, tornei-me mais eficiente, isso satisfaz-me", reconhece. Angelina Jolie tem que ser chamada também para o caso: revelou o político Pitt que existe em Brad, ensinou-o a lidar com a imprensa, trouxe-o para causas humanitárias. (Foi ela que o disse: em casa só discutem quando discutem política.)

E assim, em Setembro de 2007, Brad Pitt deixou o Festival de Veneza com um certificado de garantia artística nas mãos (um prémio de interpretação). E, com o prestígio de "O Assassínio...", uma autoridade encontrada para as suas funções de produtor. "Meti-me na produção para poder fazer parte das histórias para as quais eu não seria indicado como actor. Meti-me nisso depois de ver como os projectos podem descarrilar e de pensar que talvez eu possa ajudar em algo, talvez possa dar algum apoio a realizadores com quem quero trabalhar. O nosso lema tem sido só grandes contadores de histórias e grandes histórias e isso tem sido muito compensador", diz o produtor de "Tróia", "Um Coração Poderoso" e dos futuros "Shantaram", de Mira Nair, com Johnny Depp (sobre a vida aventurosa de um heroinómano australiano, Gregory David Roberts) ou "The Time Traveler"s Wife", de Robert Schwentke, com Eric Bana.

Todo o homem mata aquilo que ama

Para já, a adaptação do romance de Ron Hansen, "O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford", é o ponto alto dos feitos de Pitt como produtor (além do facto de o prémio de interpretação lhe ter trazido um reconhecimento que é sempre ambicionado, mesmo quando se é o exemplar masculino mais sexy à face da terra). A história segue os últimos sete meses, em 1882, da vida de Jesse James, quando já era puro mito, quando já era impossível distinguir entre o assassino brutal e frio, o Robin Hood americano (defensor dos pobres) ou a "casualty" da Guerra Civil Americana que vingava a sua frustração e derrota. Assaltado pela paranóia (ou pelo desejo?) de que alguém o queria matar, James (Pitt) entrega-se ao seu destino, ao traidor Robert Ford (Casey Affleck), um dos membros do seu "gang". Como Jesus se entregou a Judas - sim, a história tem contornos crísticos. Ou como uma história de fascínio e contornos homoeróticos: a um dado momento, no livro e no filme, James pergunta a Ford, que era corroído por uma obsessão pelo seu ídolo: "Queres ser como eu ou queres ser eu?" O que quer que fosse, Ford matou James e foi como se o tivesse para si. "Each man kills the things he loves", portanto. Ford teve os seus 15 minutos de fama, e a fama foi-lhe, por sua vez, fatal.

Muito se falou em Veneza, depois de se ver Pitt no filme, tão hierático, tão sacrificialmente à espera do tiro de misericórdia, como uma meditação elegíaca da estrela Pitt sobre a sua própria fama - toques de Terrence Malick aqui e ali, de Peckinpah ou do Michael Cimino de "Heaven"s Gate"... "Não quero ir por aí, nem acho que seja essa a questão principal, embora compreenda perfeitamente a sensação de Jesse James de ter gente atrás dele para o apanhar. No meu caso, felizmente, ninguém me aponta armas", ri-se. "No filme, Jesse James é apanhado, obviamente, pela sua própria celebridade. Era alguém cansado do seu próprio mito de fora da lei. Robert Ford mostra outro lado da celebridade, com o seu desejo cego de fama sem realmente compreender as consequências."

Pitt considera o filme mais um drama psicológico do que um "western" - aliás, como outros títulos dos anos 1970 que chegaram vestidos com a capa de "western", quando o "western" já fora declarado morto, mas que, no fundo, apenas aproveitavam o valor simbólico de território mítico para melhor libertarem os fantasmas americanos. Foi ele que escolheu Andrew Dominik como realizador, depois de ter visto "Chopper", com Eric Banna, outra história de um homem que é procurado. "Quando vi "Chopper" fiquei siderado. Andrew entende muito bem aquilo que se passa nas profundezas do ser humano que faz com que as pessoas se comportem da forma que se comportam e de forma que nem sempre faz sentido. E, através do longo processo que foi fazer este filme, ele manteve-se fiel à sua visão."

Dominik corroboraria as declarações de Pitt: aquele que foi assistente de Mallick em "O Novo Mundo" disse, numa entrevista ao "Washington Post", que lhe interessaram menos as regras do "western" do que "as relações das personagens consigo mesmas. James é um homem que quer morrer, por isso está interessado em coisas de outro mundo. Sabe que não vai acabar bem, por isso a questão é: "Como é que uma pessoa lida com isso?" E esse era o aspecto essencial da personagem em que eu estava interessado. E quanto a Robert Ford, ele é uma pessoa ferida que imagina: se fosse Jesse James isso seria um escudo protector. Ele passou pelo pior que se possa imaginar - estava numa situação em que tinha de matar alguém pela qual tinha sentimentos conflituosos, de amor e de ódio". Como "vender" um filme assim, que é um "western" mas não é um "western", porque são apenas os fantasmas do género; que é um duelo freudiano mas também se instala, e se deleita, numa espécie de suspensão elegíaca...? "A minha decisão de pegar num filme não é calculada em função do seu potencial sucesso." Quem fala assim é o produtor Pitt. "O sucesso, na verdade, é um jogo de sorte. Eu não vou por aí, eu vou pela história, por aquilo que ela me diz, e, mais importante do que isso, pelas pessoas que me rodeiam. Não penso sequer em chegar a um público mais alargado. Eu tenho a crença profunda que todos os bons filmes hão-de encontrar um tempo e um lugar, se não for no fim-de-semana de estreia há-de ser mais tarde. Foi isso o que aconteceu a alguns dos meus filmes favoritos que talvez se possam aproximar deste em termos de ritmo - "Pat Garret & Billy the Kid" [Sam Peckinpah], "A Noite Fez-se para Amar" [Robert Altman], "Dias do Paraíso" [Terrence Malick]. Descobri esses filmes 10 ou 20 anos depois de eles terem sido estreados. A minha preocupação principal é a qualidade. É tão simples quanto isso."

Helen Barlow

América é o "middle name" de Jesse James

É uma história elementar, esta: o bom mata o mau e, no final, já não sabemos se o bom é mesmo bom e se o mau era mesmo mau (mas sabemos que tínhamos de o matar, como temos de matar o pai, para podermos ser alguém na vida).

Ron Hansen, o autor de "O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford" (edição Magnólia), prefere falar disto: do bem e do mal, nesta fase em que já não sabemos se o bom é Jesse James, o homem que encontramos no dia 7 de Setembro de 1881 sentado numa cadeira de baloiço a fumar um charuto e a planear um assalto enquanto a mulher limpa as mãos rosadas ao avental de algodão, e o mau é Bob Ford, o cobarde que o matou no dia 3 de Abril de 1882 porque não sabia se queria ser ele ou se queria ser como ele. Ron Hansen prefere falar disto do que alinhar em grandes teorias da conspiração sobre o regresso do "western" e sobre a sua permanência como paisagem, narrativa e referente moral de uma certa América mítica (o paraíso perdido tal como o "middle american" nunca o conheceu, a não ser dos filmes).

É o que lhe pedimos para fazer, quando lhe ligamos, depois do Natal, e ele atende: como escritor que frequenta o Velho Oeste americano (antes de "O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford", que publicou em 1983 e 24 anos depois deu um filme realizado por Andrew Dominik e produzido/protagonizado por Brad Pitt, escreveu "Desperadoes", uma espécie de "whatever happened" ao gangue dos Dalton), como explica o eterno retorno do "western" à ficção (e quando dizemos ficção queremos dizer imaginário) americana? Ele tem uma resposta elementar, primeiro. Diz que o regresso do "western" tem a ver com o facto de o grande público perceber que esse é o território natural das boas histórias ("muito boas histórias, histórias mais elementares"), agora que se fartou dos filmes de terror e dos "blockbusters" de acção, e que "a paisagem é mais bonita no Oeste". Mas tem uma resposta menos elementar, depois, quando diz que, "periodicamente", não é do Oeste que falamos quando falamos do Oeste: "Os filmes que John Ford faz a seguir à Segunda Guerra Mundial não são histórias de índios e cowboys. São "westerns", de facto, mas são "westerns" em que o que está em causa é restaurar uma comunidade, reparar os danos, e em que o elemento do fora-da-lei é utilizado metaforicamente em representação da Alemanha nazi, por exemplo".

O "western", hoje, pelo Iraque?

Era aqui que queríamos chegar: ao "western" como metáfora da recomposição da América depois de situações-limite como a II Guerra Mundial, o Vietname e, agora, o Iraque. Há alguma coisa no "western" que garante que tudo está bem quando acaba bem (mesmo quando não sabemos se o fora-da-lei é bom ou mau, sabemos que, no final, o Oeste foi ganho), nessa luta entre a civilização e a selvajaria - e também há alguma coisa no "western" que garante que essa luta nunca vai acabar, por muitos comboios que cheguem e por muitos fora-da-lei (podem chamar-se Jesse James e podem chamar-se Liberty Valance: o "middle name" deles é sempre América) que sejam assassinados com um tiro nas costas.

Ron Hansen, dissemos, prefere falar do bem e do mal (é um "middle american" do Nebraska e é um escritor católico) do que discutir a política do "western", um tema que, admitimos, pode ser um bocadinho o sexo dos anjos. "Sinceramente, não sei se o Iraque tem alguma coisa a ver com o sucesso recente do "western", que de facto é um fenómeno televisivo importante. Acho que as pessoas estão a evitar o tema do Iraque - preferem olhar para um mundo que já não existe do que olhar para o mundo contemporâneo. Os filmes que lidam com o Iraque não têm sido bem-sucedidos. As pessoas estão cansadas, querem ver outra coisa. E o "western" pode bem ser o tipo de entretenimento - elementar - que elas procuram", supõe.

Ele sabe o que procura no Oeste: "Nasci no Nebraska, que tem muitos elementos do Velho Oeste, e os grandes espaços ao ar livre [o "great wide open" que também parece inscrito no ADN americano] sempre me atraíram muito. Na minha escrita, procuro sempre meios de as pessoas saírem para o ar livre. Não estou muito confortável fechado, dentro de casa, com as minhas personagens - a maioria das coisas acontece lá fora". Também gosta de cavalos e também gosta de História - e a conquista do Oeste é aquilo que na América mais se aproxima de um mito fundador (é um país que, para todos os efeitos, praticamente só tem Pré-História e História moderna), por isso Ron Hansen não sabe bem em que prateleira arrumar "O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford". "Os "westerns" que escrevi são baseados em acontecimentos históricos e, portanto, também são romances históricos. São narrativas sobre pessoas reais que fizeram coisas reais - algumas bastante horríveis".

Nesse sentido, "O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford" é toda a verdade sobre uma história muito contada, mas também muito mal contada. Há mais realidade do que ficção no romance de Hansen, uma realidade minuciosamente descrita e enumerada, como num relatório, diz ele: "80 por cento do que escrevi é realidade. Se há um assalto, é porque houve um assalto. Se alguém morre, é porque morreu - e a data da morte é a data correcta. É óbvio que os diálogos são inventados [então Jesse James nunca perguntou a Robert Ford "tu queres ser eu ou queres ser como eu?"], e muito do material sobre o Bob Ford também é inventado. É uma personalidade que continua subdocumentada, não se sabe sequer se chegou a participar nalgum assalto com o gangue de Jesse James".

Ron Hansen põe Robert Ford no local de um dos crimes, o assalto ao expresso dos caminhos-de-ferro Chicago and Alton. É aí, na página 18, que o escritor começa a construir uma relação entre Robert Ford, "um jovem rapaz com uma cartola cinzenta e um casaco preto largueirão", e Jesse James, um fora-da-lei com um "aspecto tão temível como o do Rei Henrique VIII".

O facto e a lenda

6673 resultados se fizermos uma pesquisa de livros sobre Jesse James na Amazon e Ron Hansen ainda achou que faltava dizer alguma coisa. E faltava. "Faltava perceber a relação de Jesse James com o seu assassino. Há muitos livros sobre Jesse James, de facto. Mas as histórias que se contam andam sobretudo à volta dos assaltos que ele planeou, dos crimes que cometeu, das pessoas que matou (17, tanto quanto se sabe) - e depois, vindo do nada, aparece o Bob, e o Bob é o cobarde que o mata, fim. Eu sabia que havia uma história mais complicada - tinha de haver arredores mais complexos. O Jesse James praticamente entregou-se aos irmãos Ford: ou queria matar-se e foi um gesto suicida ou queria emocionar a América. Para mim essa "rendição" é Jesse James a atirar a moeda ao ar, como se fosse a última oportunidade que lhes dava de o matarem antes que ele os matasse. Ele era um fora-da-lei, gostava da adrenalina, de se pôr assim nas mãos do destino".

Entre Jesse James - o facto - e Jesse James - a lenda (e aqui, definitivamente, o facto tornou-se lenda) -, Ron Hansen não imprimiu nenhum dos dois. "Inverti a lenda sobre Jesse James: a lenda de que ele era um Robin dos Bosques americano, um fora-da-lei que roubava aos ricos para dar aos pobres. Isso nunca foi verdade. Mas imprimi uma lenda sobre Robert Ford, ao recusar a teoria de que matou Jesse James porque tinha medo que Jesse James o matasse e ao refazê-lo como uma pessoa encurralada numa esquina, a reagir e a tentar viver com dignidade, apesar de toda a América o tratar como um cobarde. A recusa dele em pedir desculpa por ter assassinado Jesse James, a recusa dele em transformar-se na pessoa que a América queria que ele fosse, mataram-no", explica. É aí que o encontramos dez anos depois da morte de Jesse James e dias antes da sua própria morte: nessa nota de rodapé da História americana (que é, ainda hoje, uma história da violência): "A cada ano que passava, desde 1882, Bob estava mais longe da História, mas, ainda assim, menções a Robert Ford surgiam periodicamente nos jornais do Colorado e do Missouri, em reportagens enojadas, sugerindo que era uma pena que o cobarde ainda andasse por aí a pavonear-se, apesar das duas ou três notícias falsas que surgiam em cada mês e que davam conta de que tinham cortado a garganta ao assassino de Jesse James numa ruela de Oklahoma ou que ele tinha morrido de tuberculose ou de pneumonia e que o tinham enterrado na vala comum.

Nenhuma das notícias que ele lia tinha o cuidado de informar a data e o local do seu nascimento, quem eram os seus pais e como foi criado; nunca faziam referência à Escola Moore, a Blue Cut, à mercearia, ao seu acordo com o governo; aparentemente, bastava dizer que Bob Ford era o homem que assassinou Jesse James, como se toda a sua existência pudesse ser contida num único acto de perfídia. Ele tinha a noção de que nunca seria perdoado, de que ninguém faria discursos, aliás, provavelmente, ninguém apareceria, sequer, no seu funeral, os correspondentes não viajariam até Creede, o seu crânio não seria cirurgicamente aberto nem frenologicamente examinado, as fotografias do seu corpo mergulhado em gelo não seriam vendidas nas drogarias, as pessoas não invadiriam as ruas sob uma chuva intensa para assistirem ao cortejo fúnebre de Bob Ford, não seriam escritas biografias dele, ninguém daria o seu nome aos filhos, ninguém pagaria vinte e cinco cêntimos para visitar os quartos da casa onde ele cresceu. Ele já não tinha grandes aspirações, agora no Colorado, como tinha tido no Missouri, mas uma, pelo menos, tinha: a de que Robert Newton Ford ficasse na História como mais do que o autor de um disparo no dia 3 de Abril de 1882", escreve Ron Hansen a poucas páginas do fim.

Até este livro, e até este filme, Robert Ford nunca foi mais do que isso: conhecemo-lo por ser o assassino de Jesse James (antes de abrir um "saloon", no Colorado, ganhou a vida a posar para fotografias como "o homem que matou Jesse James" e fazer dele próprio em espectáculos populares que nunca tiveram grande sucesso), como conhecemos Mark Chapman por ser o assassino de John Lennon e como conhecemos Lee Harvey Oswald por ser o assassino de John Kennedy (e Jack Ruby por ser o assassino de Lee Harvey Oswald). "É mais ou menos a mesma história, vezes sem conta", concorda Ron Hansen. É a história de um cobarde, como Jack Ruby. E a história de um homem que mata "the thing he loves", como Mark Chapman. "O que aconteceu a Bob Ford é aquilo que acontece a muitas pessoas quando são jovens: associam-se a alguém que admiram e que acabam por emular, mas depois percebem que têm de se ver livres dessa referência, porque não há espaço para os dois, ou porque a grande referência se transformou numa grande desilusão.

É uma história muito familiar", argumenta. Não tem de argumentar: gosta de Robert Ford como gosta de Judas (e é diácono, numa diocese da Califórnia). "O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford" é um "western" e é um romance histórico, mas também é uma reconstituição dessa traição original que vem na Bíblia (a Bíblia que Jesse James "abria sempre com grande alarido"), uma alegoria: "Sou católico, é verdade que usei esses elementos. O Jesse James era cristão, filho de um reverendo baptista, e isso dominava o vocabulário dele e a maneira como encarava a vida. Não queria tratá-lo como se trata um Messias, porque em quase todos os aspectos ele é exactamente o contrário, mas de facto Bob é uma espécie de Judas. Mais no sentido em que Judas também é uma personagem subdocumentada, vagamente referida em duas ou três passagens do Novo Testamento, e que mesmo assim toda a Humanidade trata como um traidor da pior espécie. No caso de Robert Ford, como no caso de Judas, não sabemos a história toda".

América, América

Uma história elementar em que os bons são maus e os maus são bons, precisamente, como nos melhores "westerns". Isso, e também um "statement" sobre o "star system" como cultura (e é tudo tão americano que até dói). Ron Hansen não quis ir atrás de Jesse James por estar fascinado com a personagem. Quis ir atrás de Jesse James por estar fascinado com o que acontece a uma figura quando ela se torna lendária, quando ela deixa de ser uma pessoa para passar a ser uma mitologia. "Tanto o meu romance como o filme tratam do que acontece quando mitificamos as pessoas, quando os elementos de idolatria entram na relação que um país tem com o seu mais famoso fora-da-lei. Escrevi-o como uma reflexão sobre a televisão, sobre a cultura das celebridades - e acho que foi isso que atraiu o Brad Pitt no livro. De tanto se escrever sobre ela, de tanto se falar sobre ela, parece que a pessoa real, a pessoa por trás do mito, deixa de existir", diz Hansen.

Que tipo de país escolhe um fora-da-lei como "local hero" é a questão que nós, os europeus, temos de colocar. Ele responde assim. "Os americanos tinham medo de Jesse James. Mas, quando ele morreu, passou a faltar alguma coisa na vida deles. Acho que há qualquer coisa nele que a América adora, como se adora uma "action figure" - uma "action figure" muito corajosa, como ele era de facto. Mas vejamos o Elvis, vejamos o James Dean, vejamos a Marilyn Monroe: esta é uma história peculiarmente americana sobre o que acontece a uma pessoa quando ela morre, e sobretudo quando ela morre cedo".

Talvez sejamos demasiado europeus para perceber os americanos que chamam Jesse aos filhos. Hansen é suficientemente americano para achar isso normal e anormal, ao mesmo tempo. "A mentalidade "cowboy" ainda é predominante na América. As pessoas podem nunca disparar a sua arma de fogo, mas têm orgulho em tê-la em casa. Conduzem as suas grandes carrinhas pelas cidades como se fossem tratar do gado. Ainda vivem como homens rudes e obrigados a vigiar a Fronteira e a marcar o território. E sou obrigado a dizer que sim, a violência ainda é um traço distintivo da América, mesmo nas cidades mais remotas. Não é surpreendente que o desporto mais popular nos EUA seja o desporto mais violento. A violência é muito reverenciada aqui".

Podemos olhar para a América dessa maneira ou doutra. "O Oeste é o melhor da América no sentido em que é um território em que tudo é possível, em que as pessoas podem reinventar-se. A América ainda é um país em que as pessoas podem recomeçar do zero, não sei se isso é possível na Europa - e a paisagem a céu aberto do Oeste, mais do que o Leste onde as pessoas se amontoam, é o sítio para isso. Não é por acaso que muitas pessoas se suicidam na Golden Gate Bridge, em São Francisco: chegar a São Francisco é chegar ao fim, chegar ao Oeste definitivo. As pessoas não aguentam a ideia de terem chegado até ali e de nada ter mudado na vida delas. O Oeste continua a ser a terra prometida. É o sítio onde o sol se põe - ir para Oeste também é seguir o sol". O sol ainda não se pôs, nem para a América nem para Jesse James ("Um produtor de Hollywood disse-me que nunca ninguém perdeu dinheiro com um filme sobre ele, e isso é parte do apelo"). Há séculos que andamos a tentar matá-los - mas, até agora, as notícias da morte deles têm sido bastante exageradas.

Inês Nadais

O homem que matou Jesse James

Já John Ford o mostrara nesse magistral "O Homem que Matou Liberty Valance" que, em 1962, pregara um dos primeiros pregos no suposto caixão do western: "quando a lenda é mais plausível que a verdade, escreva-se a lenda".

"O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford" não é outra coisa que não a prova prática desse adágio, encenando a "verdadeira história" por trás da balada do assassínio do fora-da-lei Jesse James, à queima-roupa e pelas costas, pelo seu acólito Robert Ford. E a "verdadeira história" é muito mais complexa do que a lenda - e, por isso, muito menos atraente, mas muito mais americana. Porque o filme do neo-zelandês Andrew Dominik, por trás da sua fachada de western crepuscular atmosfericamente fotografado (tirese o chapéu a Roger Deakins), é uma espécie de radiografia do sonho americano, da sua necessidade de heróis e de vilões.

Uma desmontagem minuciosa dos mitos que explica como é que nascem os monstros ao mesmo tempo que propõe uma sardónica meditação sobre os efeitos da celebridade, reforçada pela presença de Brad Pitt no papel de Jesse James.

As Pittas vão ficar razoavelmente perplexas com o que é, na prática, um filme de autor - o que apenas sublinha a necessidade de louvarmos Pitt por ter interpretado e produzido um objecto tão radicalmente alheio ao "mainstream" americano contemporâneo. Ninguém confundiria "O Assassínio de Jesse James..." com um veículo pensado para lucrar milhões de dólares - embora haja evidentemente "água no bico" no risco calculado de Pitt, feito com um olho no prestígio de ter um filme sério no currículo.

O prémio de melhor actor em Veneza já ninguém lho tira, embora tenha claramente premiado mais o seu estatuto de facilitador do filme e o comentário irónico sobre o estrelato, quando devia ser Casey Affleck - o fã desencantado transformado em assassino - a ter sido premiado pela sua performance assombrosa.

É que o Jesse James de Pitt já não é um pistoleiro, mas sim uma espécie de divo mefistofélico que começou a acreditar na sua própria lenda e exibe os comportamentos típicos e mercuriais do astro que se convenceu que o mundo gira à sua volta. E o filme desenha a trajectória de um fã (voltamos a dizê-lo: Affleck é assombroso) que começa pela idolatria acrítica para lentamente compreender, à medida que penetra para lá da fachada, que o seu ídolo tem pés de barro e é um ser humano tão cheio de falhas como ele.

De certa maneira, essa trajectória é também um fenómeno de vampirização - Ford alimenta-se da "fraqueza" de Jesse para ganhar a sua própria força, com o objectivo último de se substituir a Jesse como a "next big thing", a próxima lenda viva do Oeste. Mas nessa trajectória ecoa também uma miríade de referências - aos assassinos infames da história americana (de John Wilkes Booth a Lee Harvey Oswald), aos "celebrity stalkers" que perseguem figuras públicas (de Mark Chapman, que matou John Lennon, a John Hinckley, que perseguiu Jodie Foster), aos "reality shows" e "paparazzi" que intrudem nas vidas privadas.

E a vampirização encerra o círculo quando Ford se substitui verdadeiramente a Jesse como uma espécie de reverso da moeda, compreendendo que a fama que tanto quis atingir é uma faca de dois gumes, respondendo à pergunta que Jesse lhe faz a certa altura (e que resume todo o programa do filme): "queres ser como eu ou queres ser eu?".

Dissemos acima e repetimos aqui: só aparentemente "O Assassínio de Jesse James..." é um western, renegando a acção em favor de uma suspensão letárgica e distendida do tempo narrativo. Mas mesmo nessa subversão o filme de Dominik é um sucessor digno dos westerns revisionistas dos anos 70, do "Duelo na Poeira" de Peckinpah (1973) ao "Duelo no Missouri" de Arthur Penn (1976), com essa estranheza a ser amplificada pela sensação de "filme fora de tempo" que tem, ao recusar a velocidade em nome de uma lentidão literária e atmosférica.

Também por isso, este é um objecto que vai certamente dividir opiniões, desagradar profundamente àqueles que vão à espera de um filme mais convencional ou de um western mais tradicionalista. O mal será deles: mesmo que "O Assassínio de Jesse James..." não seja um filme perfeito (e não é), é um dos grandes filmes americanos dos últimos anos.

Jorge Mourinha

Cabanas Bar

Fonte da Telha
Tel. 21 297 77 11
Esplanada durante o dia, discoteca de praia à noite

Tostas e saladas

Lugar excelente para apreciar um pouco de ar puro numa solarenga tarde de inverno, durante o verão pode ser muito confuso. Acompanhe uma bela tosta com um bom livro e não dará o tempo como perdido. Mais tarde na companhia de um fabuloso pôr do sol é tempo de preparar a noite que aqui é sempre muito animada.

Comida

Tostas

Preço

10 Euros

Ambiente

Boa esplanada, numa bela praia

Serviço

Quanto baste

Além dos DJs nacionais que animam este espaço, o Cabanas Bar tem, para o Verão de 2008, uma parceria com o Op Art Café (na Doca de Santo Amaro, em Lisboa), para receber muitos dos nomes internacionais que tomam conta dos pratos naquele bar à beira-rio, bem como várias festas mensais.



Localizacao:

Nosso menu:

  • Tosta de frango
  • Salada tropical
  • Sumo Papaia e Kiwi
  • Cerveja

Outros links:

Friday, 11 January 2008

Jardim da cerveja

Rua Frei Nicolau de Oliveira
2750-641 - Cascais
Tel. 21 484 07 60
Nunca encerra. Música ao vivo Quintas e Domingos


Cozinha Tradicional Alemã

Ambiente acolhedor, mesas corridas e uma cerveja de bradar aos céus, que mais se pode pedir para uma noite bem passada com amigos. O único ponto negativo é o preço absurdo da cerveja que nos faz ponderar a necessidade daquela terceira caneca.

Comida

Alta nota ao Einsbein e Haxe ... Excelente à Weissbeer

Preço

€€

25 Euros

Ambiente

Muito acolhedor.

Serviço

Manter a boa disposição do cliente é nota dominante

O Jardim da Cerveja ou Biergarten continua a ser um restaurante bar, muito agradável, que ainda mantém vivo, o carisma de muitos anos de existência, ambiente de convívio e por vezes de festa, que é agradável em qualquer época e ocasião. Restaurante situado perto da Boca do Inferno, onde a cerveja alemã tem especial destaque, serve a horas tardias especialidades culinárias da Alemanha.
Às quintas, há noite de fados e, aos domingos, noite de jazz.



Localizacao:

Nosso menu:

  • Eisbein mit sauerkraut und kartoffensalaten
  • Bratwurst
  • Apfellstrudel
  • Erdinger Weissbeer

Crítica:

Um dos ícones das noites de Cascais, nos anos 80, foi sem dúvida o Jardim da Cerveja (Biergarten). Quem não se lembra das grandes noites com os amigos à volta de uma mesa, bem recheada, e com uma fenomenal caneca de cerveja, antes de ir dar um pézinho de dança numa discoteca ali ao pé.

Ponto de encontro recatado, e privilegiado, para as pessoas da linha. Pois isso foram águas passadas, a casa caiu em declínio e transformou-se num restaurante barulhento e desconfortável.
Felizmente a casa conseguiu aguentar essa época difícil e, agora, está a recuperar o encanto e ambiente acolhedor que outrora a caracterizava.

Para quem não se lembra, ou não conhece, o restaurante Jardim da Cerveja tem o menu, que continua a ser o de sempre, as especialidades da cozinha Alemã em grande destaque.


Também a decoração, e a música nos ambiente nos transportam para uma típica casa de campo Alemã, feita em madeira e com mesas e bancos corridos bem pesados e feitos em madeira verdadeira.

Todos os pratos são confeccionados com requinte e podemos escolher, desde, a simples salsicha ao elaborado Hexen ou Haxe Bain.
Um ponto em comum a todos os pratos é o sauerkraut, um tipo de couve cozida, cortada muito fininha e temperada com vinagre, uma delícia.

A cerveja é sem dúvida o acompanhamento preferencial para a comida Alemã, pois nunca nos podemos esquecer que os Alemães são os maiores consumidores de cerveja e porque também estamos no Jardim da Cerveja.

Dentro de um ambiente de euforia de fim-de-semana é notório a vivacidade deste restaurante, na companhia de amigos ou mesmo familiar. O ambiente muito agradável e com um atendimento que se pode considerar excelente.
Há que realçar a amabilidade, prontidão e simpatia do Sr. Carlos, que constantemente tenta manter a boa disposição entre os clientes, tendo sempre uma atenção ou uma sugestão para com todos. O Sr. Carlos é sem dúvida uma peça fundamental e a Alma desta casa.
Outra iniciativa que a casa teve para recuperar o ambiente, foi ter música ao vivo às terças e quintas-feiras.

Tivemos a sorte de lá passar numa terça-feira para fazer um jantar rápido e acabamos por lá estar 3 horas, pois o cantor era bem disposto e conseguia ter uma selecção musical de acordo com os clientes que estavam na casa.
Há uma promoção nas noites de música ao vivo: o cliente pode cantar uma música e em troca da prova de compra de uma bebida.

Um dos lemas da casa é manter a boa disposição a noite toda, mesmo durante a semana, em que é mais calmo, o ambiente, a qualquer hora, e que se janta, calmamente, até às duas da manhã.
Como bar, se é que podemos dividir o espaço, há mesas ao pé do bar e um ecran grande para acompanhar os jogos de futebol na companhia de amigos.

Por fim não nos podemos esquecer da esplanada, no meio de um pinhal, onde se está muito bem nas noites quentes de Verão.
Já sabe, durante a semana, ou ao fim-de-semana, seja para jantar ou não. Será muito bem recebido nesta casa e com alegria e boa disposição contagiante.

Sem dúvida podemos recomendar como um bom Garfo.

por Aonde vamos comer


Outros links:

Thursday, 10 January 2008

A Lenda

Gostei. Entreteve-me bem e até cheguei a ficar agarrado à cadeira numa cena ou outra. A cidade vazia está um espanto, se bem que ainda muito limpinha (os carros nem pareciam ter pó), a interpretação de Will Smith muito boa conseguindo cobrir as despesas de mais de metade do filme. Os zombies eram completamente escusados e deitam a perder o que poderia ser um filme de culto, um grande mestre conseguiria filmar este mesmo filme sem nunca mostrar aqueles seres patéticos. Outras coisas engraçadas, navios da cruz vermelha saídos de São Paulo e celas que se trancam por dentro.

Título original: I Am Legend
De: Francis Lawrence
Com: Will Smith, Alice Braga, Charlie Tahan, Salli Richardson
Género: Dra, FC, Thr
Classificação: M/12

EUA, 2007, Cor, 97 min. (IMDB)

Robert Neville (Will Smith) é o último humano da Terra. Cientista brilhante, não foi capaz mesmo assim de combater um terrível vírus criado pelo homem, com o objectivo de curar o cancro, que acabou por dizimar toda população. Imune ao vírus, Neville envia diariamente mensagens via rádio na tentativa desesperada de encontrar outros sobreviventes. E Neville não está totalmente sozinho. Na sombra, espreitam os mutantes, vítimas da praga, à espera de qualquer movimento em falso do cientista. Neville tenta reverter os efeitos do vírus, fazendo testes a partir do seu próprio sangue, imune à doença. Mas sabe que está em inferioridade numérica e que o seu tempo está quase a esgotar-se... in Público

Crítica:

O mundo sem nós "Eu Sou a Lenda" é uma espécie de duche de água fria na quadra natalícia e só um astro com a popularidade de Will Smith seria capaz de o elevar ao título de campeão de bilheteira.

Nos primeiros quatro dias de exibição nos EUA, "Eu Sou a Lenda" arrecadou 75 milhões de dólares nos cinemas americanos - deve ser um recorde qualquer, mas o mais extraordinário é que esse recorde é feito com um filme que, por trás da sua aparência de "blockbuster" feito à medida para um actor de estatura global, é um objecto angustiante com uma alma de série-B de género.

Pode-se dizer que lhe está nos genes: a origem de "Eu Sou a Lenda" é o romance de Richard Matheson, argumentista de longa e ilustre carreira na televisão e no cinema (devem-se-lhe alguns dos mais lendários episódios da "Quinta Dimensão" original e muitos guiões para Roger Corman). Publicado em 1954, o romance acompanha o último homem na Terra, um cientista que sobreviveu a uma epidemia devastadora, e foi já por duas vezes adaptado ao cinema (em 1964 por Sidney Salkow com Vincent Price, em 1971 por Boris Sagal com Charlton Heston). Esta terceira versão foi entregue ao expublicitário Francis Lawrence ("Constantine") depois de ter passado pelas mãos de Ridley Scott ou Michael Bay ao longo de quase uma década de pré-produção, e o dinheiro investido para criar uma Nova Iorque deserta e devolvida à Natureza no espaço de três anos vêse em cada centímetro de écrã.

Não serve de nada, no entanto, gastar dinheiro à vara larga se não houver no centro do filme um actor que o mantenha de pé. Ao longo de dois terços da sua hora e meia, "Eu Sou a Lenda" só tem uma personagem: Robert Neville, virologista militar habitando uma Nova Iorque deserta, procurando teimosamente encontrar a cura para um vírus artificial pensado para curar o cancro mas que se transmutou incontrolavelmente e fez a população exposta regredir ao estatuto de animais sanguinários.

Para quem ainda duvidava dos reais talentos de Will Smith, não é qualquer carinha laroca que aguenta sozinho um filme durante uma hora e picos e consegue fazer passar ora a loucura à espreita depois de três anos sozinho numa metrópole deserta, ora a determinação quase maníaca de alguém que, literalmente, vive apenas para cumprir um objectivo.

Essa primeira hora sinistra e angustiante em que o actor vagueia por uma Nova Iorque fantasmagórica instala uma atmosfera inquietante que é ao mesmo tempo eco da ficção científica distópica dos anos 1970 (nomeadamente da estranheza de "THX-1138", "O Homem que Veio do Futuro" ou "À Beira do Fim") e metáfora e espelho do mundo pós-11 de Setembro (invocando a aterrorizante metáfora do 11 de Setembro que era a primeira hora da "Guerra dos Mundos" de Spielberg, uma sensação de horror surdo amplificado pelo silêncio espectral da Times Square deserta saída do livro de Alan Weisman "O Mundo sem Nós").

Enquanto vamos por aí, vamos muito bem - mas os efeitos especiais que transformam Nova Iorque numa selva urbana criam também um punhado de zombies por demais artificiais que vão metodicamente erodindo a credibilidade do projecto. E é pena que assim seja, porque se não fosse esse artificialismo, "Eu Sou a Lenda" teria sido uma grande fita de ficçãocientífica negra e distópica. Assim, é um esforço mais que honroso, um filme singularmente estranho e surreal que, mesmo ficando a meio caminho, continua a ser um dos mais invulgares "blockbusters" americanos recentes.

Jorge Mourinha

Sunday, 6 January 2008

O Alcanena

Rua Venâncio Costa Lima 99
2950-701 - Quinta do Anjo
Tel. 21 287 01 50
Encerra às 4ªFeiras. Reserva aconselhável

Cozinha Tradicional Portuguesa (Buffet)

Um sítio excelente para experimentar os tradicionais sabores lusitanos. Enchidos do melhor para entrada e depois 20 travessas, ou não fosse buffet, para degustar. A comida é muito saborosa os doces não ficam atrás se bem que o leite-creme seja uma desilusão. O serviço é inexistente à excepção da preparação das mesas de buffet, não experimentámos o serviço à carta onde de certeza o serviço seria diferente.
Bom sítio para ir com convivas que sejam bons garfos.

Comida

A comida é boa. Pratos principais de concha ou de tabuleiro

Preço

€€

20 Euros

Ambiente

Antiga adega, a sala do buffet pode ser confusa

Serviço

À excepção das mesas postas não dei por ele

Uma adega com um serviço de bufete e um restaurante à carta com esplanada coberta, oferecem diversidade gastronómica de peso. Na primeira, os clientes têm à disposição 20 pratos quentes e outras tantas saladas frias, bem como três mesas de queijos, enchidos e doces. Na sala principal, o menu rende-se à galinha do campo de cabidela, à massinha de cherne, ao borrego assado no forno (ao fim-de-semana) e ao pato mudo caseiro com castanhas. Carta de vinhos com 300 marcas.


Localizacao:

Nosso menu:

  • Moscatel de Setúbal do sr. Humberto
  • Croquetes e enchidos
  • Sopa da Pedra
  • Arroz de pato
  • Quindim de coco
  • Tinto da casa

Outros links: