Saturday, 15 March 2008

Mercearia Vencedora

Avenida Infante Dom Henrique Doca do Jardim do Tabaco, Pav. A/B
1100-282 - Lisboa
Tel. 21 882 15 95
Fecha aos domingos à noite, Esplanada

Italiana/brasileira

Boa carne, a Picanha é o prato principal, acompanhada de uma muito razoável Sangria. Infelizamente o estaleiro de obras em que a zona está transformada, a confusão generalizada na sala e um serviço atabalhoado, por pouco não fomos regados de Sangria, deitam a perder a visita.

Comida

Carnes de alta qualidade

Preço

€€

19 Euros

Ambiente

Barulhento e com obras

Serviço

Fraco, pouca atenção

O mais recente restaurante do grupo, sendo sem dúvida o que melhor sintetiza o espirito da marca Mercearia Vencedora, banhado pelo rio Tejo, é impensável não ficar a contemplar o rio, enquanto desfruta da qualidade dos serviços e ingredientes que caracterizam há tantos anos o grupo.

Este espaço, à semelhança do da Marina de Cascais, é composto por uma sala interior e por uma esplanada exterior, seja qual for o lugar escolhido, não ficará de costas para ninguém visto que a disposição das mesas não o permite, conseguindo deste modo manter a privacidade e que todos desfrutem da agradável vista do rio Tejo.

Para os clientes que gostem de restaurante calmos e sem muita confusão, aconselhamos a visitar-nos à hora de almoço, visto que á noite, este espaço ganha mais vida.


Localização:

Nosso menu:

  • Bife à Mercearia
  • Sangria

Crítica:
O grupo Mercearia Vencedora tem vindo, nos últimos anos, a criar espaços distintos pela área da grande Lisboa, partilhando a imagem de marca mas com cada um a diferenciar-se dos restantes em pequenos pormenores que, como quem não quer a coisa, fazem toda a diferença.

Depois da Lapa, das Fontaínhas e da Marina de Cascais, este é o espaço mais recente. O denominador comum é a jovialidade do espaço, as picanhas, os bifes, as pastas e as saladas. O factor de diferenciação é a vista desafogada que entra quase pelo Tejo dentro. Ao almoço, num dia de sol, é impossível não resistir aos encantos do rio. Passam cargueiros, cacilheiros, pequenos barcos à vela. Passa o rio cheio de histórias para contar que puxam outras histórias (e o tempo é sempre tão pouco e apetece ficar ali a tarde toda). O serviço de mesa é rápido, simpático e extremamente prestável.

E o que é que se come aqui? As pastas são recomendáveis, saborosas, artisticamente confeccionadas. Os bifes clássicos podem (e devem) ser acompanhados de massa fresca. As saladas são enormes (e consideravelmente baratas) e a picanha é servida cortada fininha, com quantidades abissais de acompanhamento - e com a vantagem de se poder sempre pedir mais umas fatias se a fome continuar a apertar.

À noite, a auto-denominação de restaurante italiano/brasileiro ganha outra justificação, pois a animação constante já se está a tornar imagem de marca e tradição. Não era de esperar outra coisa, com a relativa abundante oferta de bares e discotecas bem ali ao lado. Com um bocado de sorte e ginástica (e a reserva obrigatória), ainda se deve conseguir jantar em (relativa) paz e sossego.

por no Prato com

Outros links:

Wednesday, 12 March 2008

Este país não é para velhos

Os Cohen estão de volta. Filme complicado mas marcante, não existem personagens tipo e no entanto todos reconhecíveis. As coisas são simplesmente como são, mesmo que fique um sentimento de injustiça latente. Grandes paisagens e ambientes de iconografia Americana. É um grande filme mas ainda leva algum tempo a digerir.

Título original: No country for old men
De: Ethan e Joel Coen
Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin
Género: Dra, Thr
Classificação: M/18

EUA, 2007, Cores, 123 min. (IMDB)

Baseado no romance homónimo de Cormac McCarthy, o premiado autor americano, "Este País Não é Para Velhos" é um hipnótico "thriller" dos irmãos Coen, os realizadores de "Fargo" e "Barton Fink". Nos dias de hoje, os ladrões de gado deram lugar a traficantes de droga e as cidades pequenas tornaram-se campos de batalha. Llewelyn Moss (Josh Brolin) descobre uma carrinha, rodeada por cadáveres, com um carregamento de heroína e dois milhões de dólares em dinheiro. Moss resolve ficar com o dinheiro e o seu acto desencadeia uma série de acontecimentos extremamente violentos, que nem mesmo a lei, na figura do velho e desiludido Xerife Bell (Tommy Lee Jones), consegue travar.
À medida que Moss procura fugir aos seus perseguidores, sobretudo a um misterioso homem (Javier Bardem) que atira uma moeda ao ar para decidir se poupa ou não a vida aos seus inimigos, o filme retrata de forma dramática temas tão antigos como a Bíblia e as manchetes sanguinárias dos jornais. "Este País Não é Para Velhos" foi nomeado para oito Óscares, vencendo quatro: melhor filme, melhor realizador, melhor actor secundário e melhor argumento adaptado. in Público

Crítica:
Por um punhado de dólares

Os irmãos Coen desde cedo partiram o universo dos seus espectadores ao meio, entre o culto incondicional e a aversão, nalguns casos militantemente exacerbada. Pendemos mais para o segundo grupo, o que em princípio nos torna insuspeitos para dizer que "Este País Não é Para Velhos" é o melhor filme saído da oficina dos dois irmãos desde o primeiro filme que realizaram, "Blood Simple", no já remoto ano de 1984.

É que, bem espremidas as contas, é o terceiro filme dos Coen de que os não-coenianos podem gostar, depois de "Fargo", com data de 1996. Dir-se-ia que há aqui um padrão: de doze em doze anos os Coen fazem um bom filme, e padrão por padrão também é verdade que "Este País Não é Para Velhos" não sendo um alienígena na filmografia dos irmãos, se relaciona sobretudo com esses dois filmes, "Blood Simple" e "Fargo".

Mesmo com esta matemática a situação comporta qualquer coisa de inesperado, e "Este País Não é Para Velhos" equivale quase a um golpe de rins. É que os Coen vinham de uma sequência de filmes particularmente descoroçoante, iniciada em 2000 - três filmes péssimos, "Irmão Onde Estás", "O Barbeiro" e o "remake" de "The Ladykillers" (capaz de fazer Alexander Mackendrick e Alec Guiness darem voltas no túmulo), e pelo meio um filme que, em comparação, era simpaticamente indolor, "Crueldade Intolerável".

Para esta renegeração criativa, mesmo que fugaz (a ver vamos), os Coen foram buscar inspiração a Cormac McCarthy. Mais do que uma boa história que eles fossem capazes de traduzir na sua habitual mecânica maneirista, o livro de McCarthy deulhes, diríamos, uma "substância" demasiado forte para que mesmo essa habitual mecânica maneirista fosse capaz de ignorar. Um peso e um sentido, um negrume e uma desolação, e um ponto de vista, não desprovido de ironia, sobre tudo isso.

No fundo de "Este País Não é Para Velhos" (é curioso: uma tradução quase literal do título original que no entanto evacua toda a ambiguidade do inglês "No Country for Old Men") agita-se o velho cinema dos Coen, a sua reverência, arrumada e copista, a modelos clássicos (o "noir", em particular), o gesto estilístico fechado sobre si próprio (há qualquer coisa de "calígrafo" no cinema dos Coen, e nesse sentido, sim, Tarantino não anda, diferenças qualitativas à parte, muito longe), a tendência para a estereotipação, ou deveríamos mesmo dizer "cartoonização", de personagens e referências da América sulista e rural (nos EUA já houve discussões sobre se os Coen "gostam" ou não do Sul; é que é complicado perceber). Isto está tudo a espreitar no fundo de "Este País não é Para Velhos", em modo "soft", mitigado, mas que o é ("soft" e mitigado) por aparecer dotado de uma "gravitas" que nos Coen é rara, a não ser, justamente, em filmes como "Blood Simple" e "Fargo". É essa "gravidade" que aguenta até as personagens mais problemáticas, como o Anton Chigurh de Javier Bardem - que se mantém sempre uma silhueta psicologicamente opaca, quase uma "nãopersonagem", quando uma nota em falso o transformaria num "boneco" (e os Coen vão até ao limite, dandolhe aquele cabelo à tijela e aqueles contra-picados a ampliar-lhe a presença nos enquadramentos).

A América de "Este País Não é Para Velhos" é reconhecível. É aquela que fascina também, por exemplo, Wim Wenders, e que funde a sua memória com a memória das suas imagens (isto é, fundamentalmente, o cinema). A paisagem natural, as estradas, os elementos urbanos tornados "mitológicos", como os motéis e os "diners", etc. No filme dos Coen, que colhe aí o essencial dos seus décors, tudo isso está no seu sítio certo. Se já não há lugar para "old men", o problema não tem a ver com o cenário mas, por assim dizer, com a peça que nele se representa.

O coração narrativo do filme é uma história de ganância e determinação sobre-humana, centrada numa mala de dinheiro que um homem (Josh Brolin) transporta e outro (Bardem) quer recuperar. A melhor sequência, brilhantemente filmada e montada (e já agora, sonorizada), a do motel e da conduta de ventilação, é com essas duas personagens. Mas o "espírito" do filme concentra-se mais numa terceira personagem, o xerife de Tommy Lee Jones, que entre o nostálgico e o perplexo vai passeando o seu nãoreconhecimento pelo rasto (sanguinolento) deixado pela passagem dos outros dois. Num certo sentido, é o xerife, o "old man", a personagem mais sofrida, e a que enforma o olhar sobre a acção.

E que, no final, condensa toda a ambiguidade desta história, confundindo nostalgia e sonho. É que isto, se calhar, foi sempre assim.

Luís Miguel Oliveira

A fórmula de Deus

de José Rodrigues dos Santos
Gradiva 2006

Já com o Codex 632 fiquei com a mesma ideia. Gosto dos temas, gosto das hipóteses das conclusões, enfim gosto do exercício hipotético apresentado. Abomino a palha usada para encher. O enredo é um pouco patético.

Tomás Noronha tem uma vida pacata, mas no momento em que é abordado, aparentemente por acaso, por uma iraniana à porta de um museu no Cairo, o seu quotidiano muda por completo. Professor universitário de profissão e criptanalista conceituado, Tomás Noronha passa a ter de enfrentar várias situações em simultâneo: o surgimento da paixão pela iraniana que o aborda (Ariana Pakravan), a notícia de que o pai está às portas da morte com um grave cancro nos pulmões (e acaba por morrer), a pressão de entidades internacionais com interesses opostos (a CIA e o Governo do Irão) e a descodificação de mensagens deixadas por Albert Einstein num importante manuscrito designado por Die Gottesformel. Todas estas frentes, que têm Tomás de Noronha como personagem principal e a prova científica da existência de Deus como fio condutor, são apresentadas com mestria no livro “A Fórmula de Deus”, de José Rodrigues dos Santos. O manuscrito, na posse do Irão, é enigmático o suficiente para suscitar o interesse deste país, que pensa residir aí o segredo da construção da bomba atómica, e o temor dos americanos, pela mesma razão. Na realidade, é o pretexto do autor para guiar os leitores num apetecível exercício de ficção, assente em informação científica verdadeira. “A Fórmula de Deus” é o quarto e mais recente romance de José Rodrigues dos Santos. Foca o Ómega e o Alfa na perspectiva do Universo e prende o leitor de igual maneira. Do princípio ao fim.

Uma história de amor, uma intriga de traição, uma perseguição implacável, uma busca espiritual que nos leva à mais espantosa revelação mística de todos os tempos.
Baseada nas últimas e mais avançadas descobertas científicas nos campos da física, da cosmologia e da matemática, A Fórmula de Deus transporta-nos numa surpreendente viagem até às origens do tempo, à essência do universo e o sentido da vida.


Crítica:
O autor que não joga aos dados

É o autor da moda em Portugal, prolífico e de fôlego. Quase que se poderia dizer que escreve à mesma velocidade com que os leitores devoram as suas obras. A ideia para este livro nasceu em Janeiro e entregou o manuscrito em Junho. Durante seis meses escreveu entre as 08.00 e o almoço: "Houve um dia de folga em que redigi 22 páginas. Não conseguia parar, tão embrenhado estava na história."

Este livro é nitidamente escrito para o mercado internacional... Portugal já não lhe chega?

Este é um livro sobre uma questão fundamental da condição humana: a existência de Deus e o papel da humanidade no universo. Como é evidente, é uma questão universal, que ultrapassa a vida portuguesa. Não é um livro escrito propositadamente para o mercado internacional, mas, pela temática, é susceptível de interessar qualquer pessoa, independentemente da nacionalidade, cultura, raça ou religião.

O que levou mais de cem mil portugueses a ter lido O Codex 632?

Não creio que possa ser imparcial na resposta, mas a minha convicção é que a adesão ao Codex assenta em vários factores, o maior dos quais poderá ser o facto de se tratar de um mistério verdadeiro. Por outro lado, procurei escrever de um modo atraente, sem espalhar palavras e estruturas complexas que apenas dificultam a compreensão da narrativa. A boa escrita é aquela em que a palavra flui ao serviço da história.

Apesar de Portugal ter uma presença marcante no cenário do livro, a acção decorre também em locais que estão nos noticiários, tal como o Egipto, o Irão e o Tibete. Porquê?

Talvez porque goste de viajar e queira levar os leitores comigo. As viagens são uma constante dos meus romances, A Ilha das Trevas decorre em Timor-Leste, Indonésia, Portugal, Noruega, Tailândia, Filipinas e Bélgica; A Filha do Capitão, em Portugal, França e Alemanha. Quero levar o leitor à descoberta.

Sente-se influenciado por temas que ganharam relevância com o 11 de Setembro e o ressurgimento do terrorismo?

Não muito. Mas pode acontecer que as vicissitudes do mundo actual interfiram na narrativa. Isso acontece em A Fórmula de Deus com a crise nuclear com o Irão.

Acredita no cenário de crise nuclear que sustenta este livro?

É um cenário possível. A Coreia do Norte andou anos a dizer que apenas queria a energia nuclear para fins pacíficos e agora é o que se vê.

Em A Fórmula de Deus, recupera Lisboa como plataforma internacional para agentes secretos, como aconteceu em livros e filmes após o fim da II Guerra Mundial. É só ficção?

É ficção, mas o Greg Sullivan do romance é inspirado numa figura real, um americano que conheci na Embaixada dos EUA em Lisboa. Tinha um ar muito pacífico e, na volta, suspeito que era um homem da CIA.

Porque deixou o passado de ser a chave do argumento da sua ficção para se situar na actualidade?

A Ilha das Trevas situava-se na actualidade. Eu não sou um romancista histórico, sou um contador de histórias. Procuro ser um ficcionista que ensaia várias técnicas narrativas, utilizando a história, a ciência, a arte, a política e tudo o que faça parte da experiência humana como matéria-prima. O que é importante para mim é que o romance seja interessante e legível. Pode ser uma história da História, um thriller de espionagem ou história de amor. Tem é de ser bem contada.

Como se sente na pele do escritor português mais prolífero?

Não exageremos. Só escrevi quatro romances... Mas é verdade que tenho mais uns cinco ou seis na cabeça.

Que tempo leva a investigar e a escrever?

Investigo e escrevo rápido, fruto da minha experiência académica e jornalística. Digamos que, se quisesse e não fosse tão preguiçoso, era perfeitamente capaz de publicar dois romances por ano.

Precisa de acreditar no que escreve ou é só vontade de contar uma história?

Preciso de acreditar em tudo o que faço. É por isso que não consigo ser trapaceiro. Se souber que há batota em alguma coisa, não consigo levá-la até ao fim, mesmo que saia altamente lesado da opção. É da minha natureza.

O jornalista e o escritor têm a mesma opinião sobre A Fórmula de Deus?

Claro que sim, porque não é o olhar do romancista ou do jornalista que existe aqui, é o do ser humano. Este livro foi à procura da resposta a uma pergunta fundamental: será possível provar cientificamente a existência de Deus? No fundo, o que eu fiz foi conhecer a resposta da ciência a essa pergunta. E é uma resposta surpreendente. Descobri que a ciência está muito mais avançada nesta questão do que se pensa. Há respostas concretas e elas estão expostas no romance.

O jornalista não entra em conflito com tanto texto que o escritor redige?

Pelo contrário. Há muito de jornalista na minha escrita. Tal como a generalidade dos jornalistas, escrevo para ser entendido e esse é um traço dominante dos romances. Nenhum leitor se pode queixar de que escrevo difícil ou de que não respeito a gramática da língua. A quantidade de texto que redijo é a suficiente e necessária para que a história funcione como um todo.

Não é hábito o leitor português "digerir" sucessivamente volumes de 500 páginas escritos pelo mesmo autor. O que o faz contrariar esta maldição?

Eu acho que a resposta só pode ser dada por cada uma das pessoas que lê os meus livros. O que faz com que 120 mil portugueses tenham lido as 500 páginas de O Codex 632 e 70 mil portugueses tenham lido as 600 de A Filha do Capitão? A resposta é simples: nenhum dos dois, ao ser lido, pareceu grande. Um livro de cinquenta páginas pode ser enorme se for chato e um livro de mil páginas pode ser pequeno se for interessante. O que torna interessante ou chato não é o número de páginas, é a forma como está escrito.

in DN

Saturday, 8 March 2008

Clube de Jornalistas

Rua das Trinas 129
1200-857 - Lisboa
Tel. 21 397 71 38
Fecha aos domingos, reserva aconselhável, difícil estacionamento, esplanada

Fusão mediterrânica

Espaço distinto com sugestões imaginativas. O salteado de cogumelos, bem picantes, foi uma surpresa. A carne de vaca poderia ser melhor. Carne de porco preto excelente. A preparação, na mesa, do gelado instantaneo foi uma momento alto. Optámos por não tomar vinho para não engordar em demasia a conta. Restaurante com preço médio alto e gastronomia ao mesmo nível.

Comida

As entradas são excelentes, Qualidade da comida superior

Preço

€€€

30 Euros

Ambiente

Espaço distinto numa zona de charme

Serviço

Ao nível do espaço

Reabriu em Junho de 2005 com nova decoração. Octávio Resende é o chefe executivo, apostando numa cozinha de fusão de raiz mediterrânica. A concepção das ementas assenta no respeito pela sazonalidade dos produtos disponíveis em cada época do ano e pela sua denominação de origem. Nas duas salas do restaurante são servidas refeições "a la carte" e na esplanada servem-se almoços e jantares e possui um serviço permanente de cafetaria e refeições ligeiras.

História: Fundado em 1983, o Clube de Jornalistas (CJ) é a maior associação portuguesa de jornalistas, não mutualista nem sindical, contando actualmente cerca de sete centenas de associados, repartidos pelos principais órgãos de informação de todo o país.

O Clube funciona desde 1988 num edifício do Século XVIII cedido para o efeito pela Câmara Municipal de Lisboa. A partir de então, o CJ manteve as actividades iniciadas desde a fundação designadamente os prestigiados Prémios Gazeta e lançou outras iniciativas, nomeadamente exposições, lançamentos de livros, colóquios e conferências em colaboração com organismos congéneres nacionais ou estrangeiros, como o Sindicato dos Jornalistas, a Casa da imprensa, o Observatório de Imprensa e a Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal, e com entidades de carácter cultural ou empenhadas na prática ou no ensino de jornalismo e noutros temas de actualidade da sociedade portuguesa.

O restaurante funcionou como elemento aglutinador para algumas actividades do Clube e foi acumulando alguma notoriedade tendo-se tornado num restaurante de sucesso em Lisboa. Após uma fase de declínio da qualidade de serviço, a direcção do Clube escolheu um novo concessionário para explorar o restaurante. O compromisso dos Gourmets das Trinas é o de restituir ao espaço a fama e notoriedade outrora grangeadas. O conceito da cozinha é fusão mediterrânica. Queremos embalar os nossos convidados numa viagem permanente através dos sabores do Mare Nostrum.

Ambiente e decoração: O espaço do Clube foi redecorado tendo em conta a valorização das áreas sociais, tornando-as mais confortáveis e apelativas. As salas de refeições foram repensadas de modo a criar ambientes mais funcionais e acolhedores.
A esplanada recebeu um mobiliário mais elegante, o jardim foi replantado e os jacarandás estão mais viçosos do que nunca!

Especialidades: ENTRADAS: Camarão Saganaki; Seviche; Cheverechaud. PRATOS: Sopa de lavagante; Atum Pravda; Risotto do Mar com Champanhe; Bife Pullitzer; Lombo com molho de Pimenta; Porto Bello Grelhado com Brusqueta cessiciana. SOBREMESAS: Amaretto; Cheesecake; Gelado Santini.


Localização:

Nosso menu:

  • Duo de Sorbet de requeijão com nozes de Pekang e Tomate
  • Salteado de cogumelos do bosque em broa e azeite de trufas
  • Chevrechaud com mel e maçã
  • Bife Pullitzer
  • Salmão em crosta de sésamo e arroz selvagem
  • Torta de azeitão com redução de moscatél
  • Gelado de iogurte instantaneo (azoto liquido)
  • Cerveja

Crítica:
Tenho uma relação muito especial com o Clube de Jornalistas. É certo que não sou jornalista, e que critico – com muita frequência até – os jornalistas. Não porque os despreze. Muito pelo contrário: porque reconheço a sua importância na sociedade e por essa razão a sua responsabilidade. Aborrecem-me pois os erros no uso da língua portuguesa ou a tendência para opinar em vez de reportar. O Clube de Jornalistas é deliciosamente aberto ao público. Aos não jornalistas, como eu. E abre não só um fantástico restaurante, como toda uma casa cujas salas inspiram paz de alma e criatividade mental. E até algum romance (comecei lá aquilo a que hoje chamo namoro), entre o pequeno pátio das traseiras e os confortáveis sofás das salas do interior. Ou a reunião na sala dos azulejos. Cheguei até a ver notícias na sala do fundo, que além de bilhar tem TV. Tudo isto com conforto sem luxo, onde o luxo é poder estar só ou em pequena e boa companhia, sem pressas. A comida é genial. Sem grandes pretensões, apesar de não ser barato, o menu junta delícias sem nomes demasiado pomposos como hoje é comum, num novo riquismo que afecta (infecta?) os restaurantes portugueses, recheados de emergentes. No Clube de Jornalistas, recomendo os carpaccios (de atum dos Açores com vinaigrette de ananás e queijo da ilha, ou o carpaccio do lombo, a 10 euros), ou o chévre chaud com mel e maçã (7 euros). Para quem preferir (ou quiser adicionar) sopa, o gazpacho é bom (e não será ousado pedir para juntar mais pão tostado / crôutons), a 4 euros, embora a maravilha seja mesmo a sopa de lavagante (5 euros) à qual nunca resisto. Fora da carta (vi esta semana) estava o creme de ostras, suponho que novidade deste verão. Como peixes, porque não o salmão em crosta de sésamo (€11.50) ou o razoável risotto do mar com champagne (a 17 euros). De carne, além dos clássicos bife (€17.50) e da substancial posta mirandesa (€16), os supremos de frango recheados de farinheira (€12, mas para isso há que ir ao Mezzaluna, que os tem como especialidade) e o meu eleito, o borrego ao alecrim com ratatouille e couscous (€13), que é um dos meus pratos favoritos em casa, e que não dispenso no Clube de Jornalistas. A sobremesa é para mim, cada vez mais, um bom charuto, mas como cada vez é mais difícil fumar em restaurantes (embora no Clube não o seja, bastando fugir para uma das salas de estar), recomendo o ananás em ravioli com recheio de manga e sorvete de tangerina (5 euros) ou para quem nunca vai a Cascais ou ao Estoril, os gelados do Santinni, no Verão. Bendito seja este ‘Clube’ tão aberto, que junta uma bela e acolhedora casa a um serviço simpático e a uma cozinha excelente. E que portanto se recomenda e muito.

por no Prato com


A mesa no quintal

É claro, querida, que chegado o Verão devia adaptar a coluna: tomar o estilo do estio e escrever sobre restaurantes à beira-mar onde o peixe grelhado é divino. Eu sei que ninguém tem pachorra para ler, em Agosto, sobre restaurantes de comidas elaboradas, numa Lisboa deserta. É claro que o que apetece são umas saladinhas. Esplanar. Sangria de champagne. Pezinhos na areia.
Eu sei tudo isto, e como a menina é capaz de nem ser a única a pensar assim, não digo o que me vai na alma, que isso dos restaurantes de Verão é de quem não sabe comer, que peixe grelhado divino tem tanto engenho como vencer o festival da canção com uma letra da Rosa Lobato Faria, e que comer ao ar livre é a melhor maneira de estragar um jantar.
O peixe grelhado, dizia o meu mestre, simboliza a vitória de dona de casa que cozinha todo o ano e quer férias na casa da Costa com o Costa ao grelhador.
Faço uma concessão e escolho escrever sobre um restaurante ao ar livre. Em Lisboa, que isso da praia e dos Algarves é para quem não tem medo de ser feliz.
No restaurante do Clube de Jornalistas, sentimo-nos com aquelas famílias da Lapa, que imaginamos jantarem sempre num jardim, com o spleen no olhar.
Repare, adoro o conceito de comer ao ar livre, como no Padrinho ou no Beleza Roubada. É como caminhar até Santiago de Compostela: adoro a ideia, odeio a prática.
No Restaurante do Clube de Jornalistas, ultimamente, a comida é boa. Digo ultimamente porque ainda guardo o enjoo de certas refeições surreais aí havidas há uns anos (chamava-se o Acontecimento, penso). O que vale é que os chefes parecem parar por lá pouco. Aliás, nota-se um certo prazer nos empregados quando desfiam o número de chefes que por lá passaram.
Os pratos do dia foram bem pensados e executados: tranche de salmão, no ponto, a saber pouco a viveiro, com um bom risotto sem vergonha de ser grumoso q.b.; um bife Pullitzer, clássico, de boa carne e com um camarão bem escolhido ao lado (dizer que ganhou o Pullitzer dos bifes, além de atrozmente previsível, pontuando na escala malucos-do-riso, também não seria verdade).
Ando a estudar um indicador para os restaurantes, que facilite a escrita das crónicas: os adjectivos das entradas tendencialmente aplicar-se-iam às clientes, os das sobremesas às empregadas. Por exemplo: entradas bonitas, comensais bonitas; óptimas sobremesas, empregadas óptimas. Mas o Clube de Jornalistas fugiu a este método. É que as empregadas não são doces, nem os comensais bonitos. Mas são-no as entradas e as sobremesas.
As entradas surpreenderam: carpaccio de lombo, temperado, cortado fino (podia estar mais), com limão; um camarão saganaki intenso (que parecia ter pasta ou concentrado de peixe ou marisco fermentado).
Nas sobremesas, o cheesecake de maracujá bateu o ravioli (!) de ananás aos pontos (qualquer dia os tradicionais rissóis vão passar a chamar-se raviolis de camarão e as chamuças, raviolis do Malabar...).
O serviço é, salvo algumas excepções, agradável na simpatia, sofrível na eficiência. Talvez por terem que galgar as escadas acima abaixo, luísas do Gedeão na Calçada de Carriche.
No jardim do Clube de Jornalistas, a cozinha sensata atenua o cliché comer-ao-ar-livre. Mas não me sai da cabeça aquele chiste do Almanaque Bertrand, contada ad nauseam pelo meu Tio Caetano: diz o pai prá a mãe: querida, hoje vamos jantar fora! (Pausa) Põe a mesa no quintal!

Melhor: Boas entradas, num pátio-jardim agradável.
Pior: Falta de regularidade na cozinha. Tendas tipo casamento no jardim.

por Contraprova
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Wednesday, 5 March 2008

No vale de Elah

Gostei. A interpretação de Tommy Lee Jones vale o filme. O tema já batido no Vietname volta agora na última grande guerra Americana

Título original: In the Valley of Elah
De: Paul Haggis
Com: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Susan Sarandon, Jonathan Tucker
Género: Dra, Thr
Classificação: M/16

EUA, 2007, Cores, 121 min. (IMDB)

Depois de regressar do Iraque, Mike Deerfield (Jonathan Tucker) desaparece e é considerado desertor. Quando Hank (Tommy Lee Jones, num surpreendente desempenho), um veterano, e a sua mulher Joan (Susan Sarandon) recebem o telefonema com a trágica notícia do desaparecimento do filho, o pai resolve procurá-lo. A detective Emily Sanders (Charlize Theron) ajuda-o na investigação, mas à medida que o mistério se revela e Hank descobre pormenores sobre a missão do filho no Iraque, tudo aquilo em que acreditava é posto em causa.
"No Vale de Elah" é realizado por Paul Haggis, o realizador do premiado "Crash" e argumentista de "Million Dollar Baby", "As Bandeiras dos Nossos Pais" e "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood.in Público

Crítica:
Por mais estranho que possa parecer, o novo filme de Paul Haggis, «No Vale de Elah», foi objecto de alguma marginalização comercial nos EUA. Não se trata de um processo de censura, mas de um discreto apagamento: apesar de contar com estrelas como Tommy Lee Jones, Susan Sarandon e Charlize Theron, o filme estreou em 762 salas, o que corresponde a menos de um terço dos mais importantes lançamentos nacionais. Nem mesmo a nomeação de Tommy Lee Jones para o Óscar de melhor actor alterou a situação.

Estamos a falar, convém sublinhá-lo, do trabalho de um autor consagrado pela Academia de Hollywood. Haggis é o argumentista/realizador de «Colisão», consagrado nos Óscares como melhor filme de 2005 (batendo, entre outros, «O Segredo de Brokeback Mountain»), tendo ainda o seu nome ligado aos argumentos de três títulos de Clint Eastwood: «Million Dollar Baby», «As Bandeiras dos Nossos Pais» e «Cartas de Iwo Jima». A confiança que a grande indústria nele deposita está bem expressa no facto de surgir envolvido na escrita de «Quantum of Solace», a nova aventura de James Bond com estreia prevista para o final do ano.

Que se passa, então, com «No Vale de Elah»? Acontece que nele está em jogo a presença militar americana no Iraque. E não tanto como memória dos próprios combates. De novo com um argumento de sua autoria (a partir de uma história co-escrita com Mark Boal), Haggis propõe um desvio que tem tanto de dramaticamente subtil como de simbolicamente perturbante. Esta é uma história da retaguarda, já que tudo começa com o desaparecimento de um soldado (Jonathan Tucker) nos EUA: regressado de uma missão no Iraque, não visita os pais (Jones/Sarandon), desencadeando uma procura angustiada, até porque o pai tem acesso a imagens do Iraque que o filho registou no seu telemóvel.

«No Vale de Elah» surge com uma visão crítica que é tanto mais forte quanto dispensa qualquer facilidade panfletária. Há, aqui, uma dimensão humanista que transfere a guerra do aparato “espectacular” das televisões para o domínio íntimo e sofrido das pessoas comuns (afinal de contas, na sua mais básica definição dramática, esta é a história de um pai e uma mãe à procura do filho). Nesta perspectiva, podemos dizer que o filme de Paul Haggis recupera toda uma tradição histórica e crítica do cinema americano que possui um capítulo fundamental nas muitas abordagens dos traumas da guerra do Vietname. E não apenas através de títulos míticos como «O Caçador» (1978), de Michael Cimino, e «Apocalypse Now» (1979), de Francis Ford Coppola. É preciso recordar também a herança de alguns “pequenos” filmes independentes como «The Visitors» (1972), de Elia Kazan, ou de outros dramas da retaguarda como o emblemático «O Regresso dos Heróis» (1978), de Hal Ashby.

Será que a nomeação de Tommy Lee Jones (a única que o filme obteve) poderá traduzir-se numa outra visibilidade para o filme? Será difícil, quanto mais não seja porque as nomeações de Daniel Day Lewis («Haverá Sangue»), Johnny Depp («Sweeney Todd») e George Clooney («Michael Clayton») parecem muito mais fortes. Seja como for, podemos apostar que «No Vale de Elah» vai ficar como uma referência clássica dos últimos estertores da época Bush. Esta é a história de uma América que não tem medo de olhar para as suas feridas interiores.

Diário de Notícias

Masstige

Avenida Barbosa du Bocage 107 A
1050-031 - Lisboa
Tel. 21 794 11 48
Lounge

Contemporâneo

Simpático, imaginativo e com uma música numa bela onda. Os pratos se não excelentes de sabor são inovadores. O serviço é amador mas simpático. No fim a factura faz a balança pender para uma relação algo negativa.

Comida

Vale pela imaginação

Preço

€€

18€

Ambiente

Moderno e confortável. Boa música.

Serviço

O dono é 5* mas o resto do serviço não está ao nível do espaço.

Situado no centro de Lisboa, este restaurante aposta na comida contemporânea e abrange todos os estilos da gastronomia, desde refeições rápidas até aos pratos mais elaborados, passando pelos vegetarianos. O Masstige proporciona uma atmosfera descontraída e animada. A sua carta de vinhos engloba vinhos de todas as regiões portuguesas passando também pela Argentina, Chile e Austrália.
Especialidades: Situado no centro de Lisboa, este restaurante aposta na comida contemporânea e abrange todos os estilos da gastronomia, desde refeições rápidas até aos pratos mais elaborados, passando pelos vegetarianos. O Masstige proporciona uma atmosfera descontraída e animada. A sua carta de vinhos engloba vinhos de todas as regiões portuguesas passando também pela Argentina, Chile e Austrália.
Especialidades: Arroz de Chouriço com Folhado de Pato, Couscoz de Legumes com Polvo; Lasanha de Peru com Ricota e Espinafres.Entradas: Rolo de beringela Grelhada com queijo cabra e compota de tomate, Morcela com maça em duas texturas, Misto de brusquetas,Ovos mexidos com farinheira e espargos verdes,Salada de salmão fumado com ricota, lima e alcaparasPratos: Massa salteada em wok com camarão e molho de tomate com manjericão, lasanha de camarão com bróculos. Peito de frango recheado com ricota e espinafres, Pimentos assados recheados com alheira de caça e maça, Crepe vegetariano, Crepe de frango com amendoas laminadas e cogumelos frescos,Lombo de Bacalhau com Crosta de Chouriço.Sobremesas: Petit Gateaux com Gelado de Baulinha, Mousse de chocolate branco, Sorbet com Vodka,Cheesecake de maracuja.


Localização:

Nosso menu:

  • Creme de abóbora com amendoa
  • Pimentos recheados de alheira de caça e maça
  • Peito de frango com ricotta
  • Pequeno grande bolo de chocolate
  • Herdade dos grilos 2003

Crítica:
UMA EXPERIÊNCIA DE CONFORTO E BEM-ESTAR
A necessidade de resposta imediata às contínuas exigências quotidianas limita-nos a possibilidade de repouso, de reflexão ou simplesmente de despendermos momentos especiais com aqueles de quem mais gostamos. O Mastige proporciona uma atmosfera descontraída, de pausa, de relaxamento e de afirmação da nossa forma de ser. Estar no Masstige é experimentar o bem-estar do requinte que os pequenos detalhes nos proporcionam e sentir o conforto e a exclusividade da companhia dos amigos com quem podemos partilhar emoções e momentos únicos. Porque precisamos de nos sentir saudáveis, especiais e activos procuramos um espaço onde possamos cuidar de nós. Porque queremos estar a cem por cento, procuramos a experiência Masstige. O Masstige foi inaugurado no dia 15 de Julho de 2005 e é o novo sucesso numa zona central de Lisboa com carência em espaços lounge. A comida é contemporânea e abranje todos os estilos da gastronomia, desde refeições rápidas até aos pratos mais elaborados, passando pelo vegetariano. A qualquer hora, o conforto, o som e o ambiente estão prontos a receber quem deseja muito mais para além de uma simples refeição: um tratamento diário

por Charme e Conforto
Outros links:

Saturday, 1 March 2008

Michael Clayton

Filme sobre pessoas e as contradições, morais ou não, em que se envolvem. Após a sua visualização não podemos de deixar de olhar para o mundo capitalista com muito mais cépticismo, onde iremos parar com toda esta ganância que nos envolve. Um bom filme, em termos de ritmo não é o meu favorito.

Título original: Michael Clayton
De: Tony Gilroy
Com: George Clooney, Tilda Swinton, Sydney Pollack
Género: Dra, Thr
Classificação: M/12

EUA, 2007, Cores, 119 min. (IMDB)

Michael Clayton (George Clooney) é o homem a quem todos recorrem num dos maiores escritórios de advogados de Nova Iorque, a Kenner, Bach & Ledeen (KBL), quando são precisos métodos pouco ortodoxos para tratar de um processo.
Sob a alçada do co-fundador da firma, Marty Bach (Sydney Pollack), Clayton faz o trabalho sujo e limpa os podres dos clientes da firma. Mas desta vez há um caso que ele talvez não seja capaz de resolver. A KBL está a gerir um processo multimilionário de uma empresa de agroquímica, a U/North, que parece encaminhar-se para um brilhante desfecho do qual depende o posto da consultora legal Karen Crowder. Mas o advogado de topo da KBL, Arthur Edens, tem um aparente esgotamento e começa a deitar tudo a perder, sabotando provas. Clayton é então enviado para gerir o processo, mas quanto mais tenta resolver as coisas, mais tudo se vira contra ele, colocando em risco até a sua própria vida. O filme foi nomeado para sete Óscares arrecadando apenas um: Tilda Swinton, Óscar de melhor actriz secundária.in Público

Crítica:
A Garbo em Clooney

Lembramo-nos que no Festival de Veneza, o final de "Michael Clayton" - um plano de vários minutos, o rosto de George Clooney, tudo num táxi - foi celebrado, havendo quem o comparasse ao final de "Rainha Cristina" (o filme de Rouben Mamoulian de 1933 em que Greta Garbo, sim, ela, nem mais nem menos, ficava a olhar, e assim nos deixava e assim deixava que o seu rosto fosse ele próprio um ecrã, coisa em branco).

Engraçado este delírio estapafúrdio - e em nada belisca a masculinidade de Clooney, porque em termos de masculinidade Garbo... É um delírio que tem a ver, claro, com incorrigível "divismo" da imprensa italiana. Mas é de facto um plano com um segredo qualquer, e tem qualquer coisa de exaltante esperar por ele, esperar com ele: depois de tudo o que ficou para trás no filme, é a tomada de consciência de uma personagem, um homem que faz o "dirty job" para uma empresa de advogados, e é aí, nesse plano, que Clayton/Clooney se decide pela moral e não apenas pelas contingências da sobrevivência.

Esse é o momento da redenção, é assim que se costuma dizer. Mas se esse plano funciona é porque é suficientemente aberto (está longe de ser um final feliz) e "branco" para que o carreguemos emocionalmente - num plano tão parado, muita coisa se passa. É o momento "certo na altura certa", para citar Clooney, que utilizou em Veneza essas palavras para falar do filme e da altura em que ele aparece: hoje. "Michael Clayton", estreia na longa de Tony Gilroy, o argumentista da série "Bourne...", serpenteia pelo mundo das corporações. É filho de uma "família", o "cinema liberal" que Hollywood fez nos anos 1970 - Alan Pakula, Sidney Lumet ou Sidney Pollack, que não por acaso aqui também intérprete e produtor - , assumindo-o não apenas por cinefilia, mas por determinação, arriscaríamos, por militância cívica. Como se dissesse: isto faz sentido hoje e isto é falar sobre hoje (entre outras coisas diz-nos isso o tal plano final...).

Podemos falar, ainda, da curiosidade com que "Michael Clayton" olha para o mundo das corporações e dos advogados, curiosidade em relação a tudo o que é humano, quer sejam os "maus da fita" (Tilda Swinton), quer sejam os "loucos" que denunciam a corrupção (Tom Wilkinson, numa "drive" suicidária que lembra o Peter Finch de "Network", de Lumet). Mas aí teremos de tropeçar na evidência de que há, excessivamente, "filme de argumentista": o preciosismo em relação aos pormenores - foi Gilroy que explicitou a sua obsessão (como é que ele disse?)..."molecular" - multiplica personagens e situações que saturam o filme com informação, dispersam energia, prejudicam a nitidez, o recorte, da estrutura global.

Mesmo assim: inteligente, complexo, e sobre pessoas... contraditórias.

Vasco Câmara