Thursday, 20 November 2008

O corpo da mentira

Realista quanto baste. Boas interpretações. Uma visão perturbadora do mundo actual e do potêncial falhanço da guerra contra o terrorismo.

Título original: Body of Lies
De: Ridley Scott
Com: Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong
Género: Dra
Classificação: M/12

EUA, 2008, Cores, 128 min. (IMDB)

Ex-jornalista ferido na Guerra do Iraque, Roger Ferris (Leonardo DiCaprio) é recrutado pela CIA para descobrir um líder terrorista que opera na Jordânia. Para se infiltrar na rede, Ferris tem de conquistar os apoios do agente veterano da CIA Ed Hoffman (Russel Crowe) e do chefe das Informações da Jordânia, que pode não ser tão honesto quanto parece. Será que Ferris pode confiar plenamente nos seus aliados sem pôr em risco toda a operação e a sua própria vida? in Público

Crítica:
Já não há heróis

Que os espiões já não são o que eram anda por aí um James Bond que já não tem muito a ver com os dias de ouro de Sean Connery a prová-lo. Que a espionagem também mudou vem prová-lo "Corpo da Mentira" onde o "herói", agente de campo que navega com destreza pelas complexidades geopolíticas do Médio Oriente, não só se deixa "comer" pela concorrência como é mantido às escuras pelo seu chefe tecnocrata que não levanta o rabo de Washington mas não tem problemas em lixar quem se meter no seu caminho.

A premissa de "O Corpo da Mentira" não podia ser mais simples: os EUA estão a perder a "guerra contra o terror" porque continuam a não perceber que isto não é o "quero posso e mando", e não ouvem o suficiente o pessoal que está no terreno e tem a verdadeira noção do que se está ali a passar. Depois, é só "embrulhar" a premissa num revestimento de caleidoscópio de espionagem que vai de Sheffield a Amã passando por Washington e Incirlik e fazê-la passar por entretenimento. Táctica que não resultou o ano passado com "O Reino", de Peter Berg, cujos retornos de bilheteira foram modestos; e parece voltar a não ter resultado com o filme de Scott, que esbarrou no desinteresse das audiências americanas para com filmes que ficcionalizem os dilemas da política externa de Bush.

Em abono da verdade, o "embrulho" de caleidoscópio de espionagem não disfarça grandemente a vocação do filme como thriller político, adaptando o romance do jornalista do "Washington Post" David Ignatius sobre um agente da CIA que procura manobrar por entre as areias movediças de alianças de conveniência ao tentar fazer sair da toca um sucedâneo de Bin Laden. Trocando por miúdos: "Syriana" com mais acção e mais tecnologia, mas sem conseguir esquivar-se às armadilhas que essa definição coloca.

Ora é um tecno-thriller à imagem do "Inimigo Público" do mano Tony, ora uma meditação melancólica que tem algo de Le Carré no modo como pinta a espionagem com cores soturnas, ora um objecto que levanta questões políticas prementes relativas ao que é demasiado entendido como "imperialismo americano" (sobretudo na cena do almoço entre Leonardo di Caprio, Golshifteh Farahani e Lubna Azabal e na presença de Russell Crowe como o untuoso superior hierárquico de Di Caprio, com um sotaque do Sul dos EUA a sublinhar o seu alinhamento com uma administração "de resultados").

Pelo meio disto tudo, "O Corpo da Mentira" nunca consegue criar uma personalidade própria; é um híbrido funcional mas anónimo, que Scott filma com o seu habitual cuidado mas ao qual não consegue imprimir a urgência que a história exige (o mundo real não é, definitivamente, o habitat natural do realizador inglês).

Mas é apreciável ver um filme que, por uma vez, não toma os espectadores por estúpidos nem lhes dá o herói linear que o marketing dá a entender.

Jorge Mourinha

Sunday, 16 November 2008

Comporta Café

Praia da Comporta - Comporta
7570-469 - Melides
Tel. 26 549 76 52
Encerra às Segundas

Lounge de praia, Peixe e Mariscos

Sítio de eleição para relaxar um pouco. Bom ambiente principalmente num belo dia de sol e sem as hordas de veraneantes. O peixe é de boa qualidade, inflaccionado de preço, bem confeccionado e bem servido. As sobremesas não são grandes coisas. Apetece voltar nem que seja pelo cacau quente e pelo cheiro a maresia.

Comida

Boa

Preço

€€€

25 a 40 Euros

Ambiente

Excelente ambiente

Serviço

Médio

O Comporta Café abriu as suas portas no início de 2003. É um espaço implantado no areal da praia da Comporta, Península de Tróia, que tem como principal objetivo o bem servir. Permite almoçar ou jantar em frente ao mar, num ambiente aprazível onde reina o bom gosto, o bom serviço, a simpatia e a boa confecção da comida tradicional portuguesa e não só. Não esquecendo o bom som e a vista magnífica do Oceano Atlântico, este é um local onde se vai para relaxar e apreciar a vida.
A decoração do Comporta Café foi desde logo pensada como um factor determinante, já que se pretende cativar os visitantes, em primeiro lugar, pelo bem estar. Assim, a concepção decorativa do espaço esteve a cargo da decoradora Marta Bouça, da loja "Mandrágora" em Lisboa. Nada foi deixado ao acaso, cada pormenor foi pensado para proporcionar o máximo conforto: os azuis do mar, o rosa das flores, as riscas dos toldos de praia do tempo dos nossos avós, os quadros de fotografias de praia em preto e branco, e a sensação de profundidade proporcionada por espelhos, acompanhados de altas colunas de luz. A iluminação é outro elemento fundamental e a sua concepção foi da responsabilidade de Vasco Martins. A luz é ténue e indirecta, como convém a um bom jantar à beira-mar, complementada por velas. Estas são, aliás, uma presença constante no restaurante, um elemento decorativo imprescindível para manter o romanticismo e o mistério que a noite traz.
O Comporta Café nasceu a partir de um sonho de duas pessoas, com vários anos de experiência no ramo da hotelaria, que apostaram em criar um espaço "lindo de morrer", capaz de conjugar (quase todas) as coisas boas da vida. Um sítio onde nos sentimos bem, onde somos estragados com mimos, alvo de todas as atenções, deliciados com mil pormenores, da comida à paisagem, da decoração ao serviço.

Localização:

Nosso menu:

  • Cascas de batata
  • Queijo com mel
  • Caril de gambas com Manga
  • Massada de peixe
  • Fondue de chocolate
  • Sangria branca


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Friday, 14 November 2008

Tasquinha da Adelaide

Rua do Patrocínio 70/74
1350-231 - Lisboa
Tel. 21 396 22 39
Encerrado aos Domingos e Feríados

Tradicional

Do melhor que se pode esperar de pratos tão tradicionais, excelente sabor e muito bem confeccionados. O arroz de pato estava delicioso. Atendimento atencioso. Ambiente simpático e acolhedor mas muito apertado, a privacidade entre mesas é quase nula. No fim a conta deixa um travo amargo, ao fim ao cabo, por mim bom que fosse, só comi um arroz de pato. Agradável merece nova visita assim que me esquecer da conta.

Comida

Do melhor

Preço

€€€

25 a 40 Euros

Ambiente

Simpático mas muito apertado

Serviço

Bom nível

Restaurante tipicamente português, de pequenas dimensões, com excelente comida caseira. A especialidade vai para os pratos transmontanos.

Localização:

Nosso menu:

  • Queijo de cabra panado
  • Arroz de Pato
  • Bacalhau à Adelaide
  • Tarte de Framboesas
  • Bolo Chocolate
  • Marquês de Borba 2007


Crítica:
Pequenina, a Tasquinha da Adelaide, em Lisboa, é um reduto de boa cozinha portuguesa. Muito pequenina. Intimista, como hoje se diz. Mas, em nome da sua boa comida, tudo se perdoa.

LEMBRAM-SE do Alencar? Esse Alencar de 'Os Maias', precisamente? Pois eu lembro, porque tinha frases inesquecíveis. Uma delas é o primeiro de um dos seus poemas a Elvira, escrito nas penumbras fatais de Sintra, a romântica Sintra de outrora: "Abril chegou, sê minha!" E logo ali um alvoroço no deal­bar na Primavera, um sinal de adultério promissor, só de fitar a verdejante Sintra que refrescava os lisboetas que iam lá para uma temporada. Pois uso o verso para adaptá-lo: "Junho chegou, sê minha!" Refiro-me à fresquinha dos finais de tarde e à Rua do Patrocínio, paredes meias com o centro de Campo de Ourique (ou seja, com a Ferreira Borges ainda arborizada e com a passarada do Jardim da Parada um pouco mais distante), pertíssimo de quem sobe da Estrela para o bairro onde Fernando Pessoa viveu parte da sua vida. Ora, os tons crepusculares dessas ruas abrem o apetite a quem passou o dia labutando.

Há em Campo de Ourique, ainda, motivos para passeio e para que nos demoremos aqui e ali (vetustas lojas, cafés de antiga­mente, retrosarias, drogarias, tudo o que quisermos) - e para que terminemos num jantar íntimo na ínti­ma e intimista Tasquinha da Adelaide. Como não tem estacionamento à porta, recomendo vivamente o passeio, que nos poupará trabalhos adicionais. A porta, de vidro, abre para uma salinha minúscula onde, logo de frente, cabe uma cozinha minúscula. Mas nada de alarme. É pequena, pequenina, mas maneirinha, bem arrumada e saborosa - refiro-me à Tasquinha da Adelaide, evidentemente. A clientela, feita de famílias arrumadas, casais que repetem até à exaustão os florilégios de 'O Amor em Visita', turistas que leram o 'The New York Times' (que gostou muito do lugar) ou as revistas brasileiras de viagem, dis­tribui-se por cerca de vinte e tal mesas simpáticas onde são servidas coisas como paletilha de cordeiro (arrancada ao forno, crepitante, para duas pessoas), rojões à transmontana (bem fritos, com batatinhas, castanhas e grelos salteados - exuberante de coles­terol do bom), feijoada de búzios (não provei), arroz de pato (tostadinho, de grão solto e pato muito bem cozinhado antes de entrar no barro para cobrir-se de arroz), perna de borrego com feijoca (ideal para quem prefere pratos de baixas calorias e nada de hidratos de carbono), bacalhau espirituoso, ou linguadinhos fritos com arroz de grelos (ambos muito bons).

Registemos ainda, para um almoço recente, a contribuição de umas gambas (gigantescas!) fritas em azeite e uma dose conveniente de alhos esmagados, servidas com arroz branco, além de um pastelão de ovo com batatinha às rodelas, familiar de uma 'tortilla' espanhola acrescentada de salsa e de rodelas de salpicão, de uma salada de peito de pato ou de uma outra de mussarela. Se o apetite está ainda estaciona­do a níveis críticos, recomendo a sela de borrego ou o pernil, ambos servidos na travessa de barro com superlativas batatinhas de forno e grelos salteados, ou a simplicidade que chega da grelha sobre o carvão: lulas, polvo (servido à lagareiro), robalo, dourada, bife do lombo ou entrecosto.

Nada que envergonhe a cozinha de Dona Adelaide, à vista de todos, sem truques e sem vontade de enganar. Na companhia de tudo isto, uma carta de vinhos aceitável e munida de tintos de referência (a que, no entanto, faltam brancos estivais que nos ajudem a suportar os calores da temporada - sim, eu gosto bastante de vinhos brancos, e temos meia dúzia deles que podem fazer corar de pudor os mais afoitos), o que antecede a tarte de Tatin (quente, de preferência, com a bola de gelado), os dois bolos de chocolate (um, de renome na casa, feito ali, sem farinha, puro chocolate; outro, antecedido da palavra "merengue", em vários pisos de bolachinha e de diferentes chocolates), a tarte de framboesas ou de avelã, além do 'cheese cake', que tomou de assalto todos os nossos cardápios.

É nesta altura que as portas da Tasquinha (onde se é sempre bem aten­dido por pessoal muito simpático) se abrem para a noite: mais uma voltinha a pé para ajeitar as várias camadas que assentaram no estômago. Uma visita que vale a pena. Pequenina, a Tasquinha da Adelaide é um reduto de boa cozinha portuguesa. Muito pequenina. Intimista, como hoje se diz. Mas, em nome da sua boa comida, tudo se perdoa.

por fjv-cronicas.blogspot.com

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Thursday, 13 November 2008

Quantum of Solace

Gosto deste género de 007. Rude sem floreados nem super armas. O enredo em si é um pouco ténue, com muitas pontas a ligarem-se mágicamente. Eu diminui-a um pouco a acção que chega a ser frenética e não deixa sobreviver nenhuma linha emotiva. Apesar de tudo é um bom filme de acção de uma linha que não se quer que termine.

Titulo original: 007 - Quantum of Solace
De: Marc Forster
Com: Daniel Craig, Judi Dench, Olga Kurylenko
Genero: Acç, Dra
Classificacao: M/12

EUA/GB, 2008, Cores, 105 min. (IMDB)

Daniel Craig é, pela segunda vez, James Bond. E, apesar de todas as críticas antes da estreia de "Casino Royale", será que, agora, alguém ainda se lembra de Pierce Brosnan...? Desta feita, Bond está determinado a perseguir quem forçou Verper, a mulher que amou, a traí-lo. Mas M (Judi Dench) e Bond percebem que a organização que a chantageou é muito mais complexa e perigosa do que tinham imaginado.
Bond cruza-se então com Camille, que procura ela também vingar-se, e que o põe na pista de Dominic Greene, um homem de negócios impiedoso que é um dos pilares da misteriosa organização. Durante a missão, que o conduzirá pela Áustria, Itália e à América do Sul, Bond descobre que Greene está a tentar apoderar-se de um dos recursos naturais mais importantes do mundo, manipulando a CIA e o Governo britânico. Enredado num labirinto de traições e mortes, à medida que se aproxima dos verdadeiros responsáveis pela traição de Vesper, o agente 007 tenta manter o avanço que leva sobre a CIA, os terroristas e mesmo sobre M, de forma a parar a organização e desvendar o plano sinistro de Greene.in Publico

Crítica:
O agente secreto no seu labirinto

Vencida a batalha do relançamento do "franchise" 007 com o excelente "Casino Royale", reinvenção inteligente do super-espião James Bond para o século XXI introduzindo no papel Daniel Craig, os "guardiões" Michael G. Wilson e Barbara Broccoli levam a renovação da máquina ao patamar seguinte, entregando improvavelmente a direcção do filme 22 da veneranda série ao suíço Marc Forster ("Monster''s Ball - Depois do Ódio", "Contado Ninguém Acredita", "O Menino de Cabul").

À imagem do que Martin Campbell fizera em "Casino Royale", também "Quantum of Solace" (título abstruso, retirado a um conto de Fleming mas aplicado a um guião original) foge a algumas das tradições da série, logo a começar pela "regra" que implicava que todas as aventuras de Bond eram independentes das anteriores: aqui, a acção arranca no ponto exacto em que o anterior terminava, naquela que é a primeira sequela oficial nos 22 filmes da série.

Forster prolonga a "circunscrição" que "Casino Royale" introduzira, sugerindo um Bond que tenha feito dieta e treino físico intensivo: eliminou-se impiedosamente toda e qualquer "palha" acessória para deixar apenas a musculatura de um filme de acção cosmopolita e espectacular que se quer espelho do mundo moderno (o vilão Mathieu Amalric é um executivo ambientalista com segundos motivos, Bond é demasiado individualista para deixar os seus chefes políticos descansados), o que explica a sua duração atípica (com 1h45, é o Bond mais "curto" de sempre). Mas, ao contrário do filme anterior, isso acaba por tornar "Quantum of Solace" numa espécie de versão "genérica" do "medicamento" Bond, presa entre o respeito pela tradição da série e a necessidade constante de a reinventar. Um excelente pósgenérico pelos telhados de Siena é demasiado derivativo da série Bourne, mas a "Bond girl" de serviço (Olga Kurylenko, num papel quase decalcado de Claudine Auger em "007 Operação Relâmpago") está mais próxima dos filmes Connery-Moore do que das actrizes mais determinadas de filmes recentes como Eva Green, Michelle Yeoh ou Sophie Marceau.

Mais à frente, o esplendoroso hotel no deserto criado pelo cenógrafo Dennis Gassner recorda-nos os tecnológicos covis de vilania que Ken Adam desenhou para a série durante décadas, mas a quantidade "nonstop" de cenas de acção (compensando o seu uso parcimonioso no anterior "Casino Royale") praticamente afoga a densidade psicológica que se queria uma das pedras basilares do "novo" Bond, tornando Daniel Craig numa eficiente máquina de matar mais do que o agente secreto complexo que se pretende.

Entre modernidade e tradição, Marc Forster procura um equilíbrio que não consegue atingir, e assina um Bond atípico, um pouco esquizofrénico, que quer agradar a gregos e troianos e acaba por não consegur convencer nem uns nem outros. "Quantum of Solace" cumpre o caderno de encargos enquanto filme de acção, mas depois da refundação de "Casino Royale" era legítimo esperar muito mais do que aquilo que nos dá.

Jorge Mourinha

A saga de James Bond continua em grande pujança formal, com a nova cara de Daniel Craig a assumir, convenientemente, a personagem, sem perder ímpeto, nem obstar à passagem do testemunho. "Quantum of Solace" não possuirá a perfeição renovadora de "Casino Royale", mas constitui-se em movimentado divertimento, sem mais, com prodigiosa velocidade e preponderância de uma inventiva montagem, acentuando o lado negro de que a série se tem progressivamente revestido.

Judi Dench prossegue a sua carismática presença, em M. A "Bond Girl" (Olga Kurylenko) está de boa saúde e recomenda-se. Mathieu Amalric constrói um excelente vilão de recorte "ecológico". Siena revela a sua espantosa fotogenia, nas sequências iniciais; o hotel do deserto é um magnífico cenário, pronto a explodir em grande espectáculo. Que mais pedir a um filme que cumpre, em pleno, os seus objectivos programáticos?

Mário Jorge Torres

Sunday, 9 November 2008

Azeitão

Praça da República 8 - Vila Nogueira de Azeitão
2925-585 - Azeitão
Tel. 21 218 83 10
Encerra às quintas. Fados às quartas.

Português, Mediterrânico

Bem implantado na praça do rossio de Azeitão, maravilhosa no Outono. Boa comida. Bom serviço. Que se pode pedir mais? Gostei.

Comida

Muito bom

Preço

€€

24 Euros

Ambiente

Cuidado, numa bela vila

Serviço

Bom nível

Recomendado pelo Guia Michelin 2005 e pelo guia francês Petit Futé, este restaurante cujo o chefe é Karim Hammouche, tem à disposição várias especialidades da cozinha portuguesa e uma garrafeira dedicada aos vinhos da região. O ambiente é requintado, mas descontraído.

Localização:

Nosso menu:

  • Cascas de batata frita
  • Ovos de codorniz
  • Cous-cous de camarão
  • Pataniscas com arroz de feijão
  • Leite creme
  • A bela sintra (2005 Alentejo tinto)


Crítica:
No chamado Rossio da vila, o restaurante Azeitão não tem razões para se queixar dos vizinhos. A Fonte dos Pasmados onde, segundo diz a lenda, quem dela beber para sempre ficará ligado à vila, a Igreja de São Lourenço do século XVI e as caves José Maria da Fonseca, instaladas num bonito edifício oitocentista.

A lamentar apenas o estado de degradação do Palácio dos Duques de Aveiro, cuja fachada ainda deixa adivinhar a importância e monumentalidade que já teve. Fica-nos o cheiro à atmosfera aristocrática que noutros tempos caracterizou Azeitão.

Depois ou antes da visita a Azeitão-vila, o intervalo do passeio pode ser no Azeitão-restaurante para recordar alguns sabores da cozinha típica portuguesa. Como o gaspacho, a açorda de coentros com ovo escalfado, a casca de batata frita com molho de natas e mais do que evidente, o queijo de Azeitão feito com leite de ovelha e um saber antigo.

Das Especialidades, onde se encontra o bacalhau com azeite e broa, às Comidas do Mar como a consistente sopa de peixe (uma refeição por si só) e as simples pataniscas com arroz de feijão... sente-lhe o cheiro?

Do talho há picanha tropical, bife com molho de Moscatel, entrecosto com migas e mais oito sugestões que ajudam à festa. A Insustentável Leveza é conseguida pelas cinco qualidades de saladas. Das Coisas Boas que adoçam a refeição, as mousses, o bolo de chocolate com framboesa e a bela da torta de Azeitão. Nem poderia ser de outra forma.

Todos se recordarão da riqueza que esta região ainda representa no que ao vinho diz respeito. A carta é original e está baseada na ficha do produto com preços recomendados. Aroma, cor, paladar e ph são as informações fornecidas sobre os vinhos de Azeitão, porque só estes têm entrada nesta casa. Quatro caves estão representadas. José Maria da Fonseca, J.P.Vinhos, Quinta da Cachamoa e Casal do Tojo. Os apreciadores sabem do que falamos.

E agora que já estamos compostos, façamos silêncio para escutar o fado. Todas as quartas-feiras, quando o manto da escuridão invadir Azeitão, vozes jovens e pouco conhecidas, outras mais sonantes e sobejamente reconhecidas, têm lugar para dar voz ao sentimento. Ah pois, não é só em Lisboa que se canta a canção da saudade.

Nesta altura a decoração deixa de ser a protagonista e os nossos olhos deixam de estar postos no espantalho da entrada e nos utensílios campestres esbanjados pela casa. E no entanto, com ou sem fado, a atmosfera é descontraída e requintada.

por Lifecooler

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Saturday, 8 November 2008

Santo António de Alfama

Beco de São Miguel 7
1100-538 - Lisboa
Tel. 21 888 13 28
Encerra às 3ªs. Aberto até às 2:00

Internacional, Fora de horas

Sugestões inovadoras e deliciosas, principalmente a nível de entradas, alíás pode-se perfeitamente ficar por estas sem encomendar prato. Boa qualidade nos ingredientes. Serviço eficiente. Ambiente muito simpático. Gostei bastante.

Comida

Boa e de boa qualidade

Preço

€€

23 Euros

Ambiente

Bela casa num bairro típico

Serviço

Eficiente

Um restaurante com entradas originais, como cascas de batatas fritas e morcela com puré de maçã. Os bifes fazem as honras da casa mas também há pratos de peixe para todo os gostos. São três pisos com uma decoração muito "show biz", principalmente o piso térreo apinhado de fotografias das gentes do teatro e cinema.

Localização:

Nosso menu:

  • Cascas de batata frita
  • Morcela assada com puré de maçã
  • Bife de lombo com molho cogumelos
  • Cous-cous de vegetais
  • Praliné com tequilha
  • Tinto da casa

Crítica:
Há coisa de talvez um ano a casa mudou de donos, mas não mudou a tradição. O sítio faz-se de muitos retratos de artistas de palco e ecrã, entre cantores e actores, com alguns poetas à mistura. Voltei lá passado uma longa ausência, talvez dois anos, mas nos comeres também não notei grande mudança, tal como na simpatia do serviço. Ainda bem. Nos males mantém-se as coisas. Pronto, a casa não mudou!
O petisco bem lisboeta, e muito esquecido, das cascas de batata é o ex-libris da casa e faz uma bela diferença como nota de boas vindas, quando a restauração portuguesa não passa da banalidade barrada no pão... perdão, da manteiga barrada no pão e, muitas vezes duns patés e queijo fundido de plástico. Benditas casca de batata passadas na frigideira!
Por mim, sempre que vou a este restaurante, fico-me bem só com entradas e faço uma refeição de petiscos. Se a fome é muita avanço para um prato. Desta vez aconteceu-me esta segunda hipótese. As minhas escolhas, que partilhei, foram uma salada de chévre gratinado, brie panado com doce de mirtilo, frango à passarinho e carpaccio de carne. Posteriormente veio um magret de pato com molho agri-doce com batata assada, acompanhada de maionese de alho.
Tudo isto já existia na ementa antiga, a diferença é subtil, mas importa: a qualidade dos produtos. O chévre mostrou-se pastoso e bem menos elegante que o antigo. Onde antes havia camembert há agora brie, sem que se note vantagem na troca dos queijos. O carpaccio já foi de melhor carne e na cozinha já se escolheu melhor o frango. Para sobremesa veio uma strudel de maçã (sic!) bem gostosa com gelado de baunilha. Uma combinação clássica e que se mostrou competente.
No que toca ao vinho já a nota é menos positiva. A primeira é a falta de opções da carta, com as escolhas todas muito niveladas, tanto em termos de qualidade como de preço. Já que refiro preço devo escrever que ali se pratica a especulação. Os valores cobrados são estapafúrdios para um restaurante daquele nível, para vinhos daquele estatuto e para a competência de copos e empregados. Na avaliação feita, entre existências, qualidade e preço, optou-se por um Sexy 2004 (Regional Alentejano), pelo qual cobraram 15 euros. Este tinto pedia espaço, o que os copinhos fornecidos não permitiam, pelo que os clientes tiveram de fazer a vez dos serventes e sugerir a mudança dos copos por uns que fizeram justiça aos aromas e sabor deste vinho de nome tão insólito. Para culminar e confirmar a falta de jeito da gente desta casa com o vinho refiro apenas o episódio final: na carta existe referência a Vinho do Porto Vintage, sem que especifique a casa produtora ou o ano. Embarquei ciente que sairia embuste. Veio uma bebida doce que um dia foi Vintage; estava intragável, completamente oxidado pelo tempo.
O serviço foi esforçado e simpático. Fora o vinho, que obriga a algum esforço e contenção, ou pouca exigência do comensal, ainda vale a pena provar os petiscos do Santo António de Alfama.

por joaoamesa.blogspot.com

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Friday, 7 November 2008

Trempe

Rua Coelho da Rocha 11/13
1250-087 - Lisboa
Tel. 21 390 91 18
Encerra Domingo. Estacionamento difícil

Tradicional

Não me encheu as medidas. Comida simples não sendo particularmente boa. O serviço também não traz recordações particulares.

Comida

Banal

Preço

€€

22 Euros

Ambiente

Sala pequena e simpática

Serviço

Qb
Restaurante situado em frente à Casa Fernando Pessoa. Apresenta uma cozinha com sabores tradicionais portugueses, privilegiando simultaneamente a carne e o peixe, denotando-se uma influência alentejana devido à origem dos proprietários.O ambiente é acolhedor e a decoração rústica com a cozinha à vista.

Localização:

Nosso menu:

  • Caldo verde
  • Secretos grelhados
  • Pato assado
  • Ananás
  • Tinto da casa


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