Sunday, 6 February 2011

Parador Zafra


Hotel . Parador . Histórico
4* - €€€ (75 a 100E) - 51 quartos

Morada:Plaza Corazón de María, 7, 06300 - Zafra (Espanha)
[Mapa]
Tel:00 34 924554540
E-mail:zafra@parador.es
Web:http://www.parador.es/en/tratarFichaParadorCabecera.do?parador=092
Servicos:ClimatizadoTVMini BarPiscinaRestauranteBarEstacionamento (4€)Pequeno Almoço (15€)



Transformed from a 15th-century castle, this enchanting hotel has a noble past and beautiful features including a central courtyard and grand restaurant. Swim in the pool set in pretty gardens.

Transport yourself back in history when you stay at the Parador Zafra which dates from 1437 and was once the home of the Dukes of Feria. The majestic lounge with open fireplace and impressive corridors are lined with ancient portraits which all tell a story of the Zafras history.

The spectacular façade of the Parador Zafra displays 9 towers linked by robust, stone walls topped with turrets. Interiors are beautifully maintained with wrought-iron detailing, high ceilings and furnishings fit for a palace.

Enjoy an exquisite meal in the elegant restaurant before relaxing with a night cap in the charming bar.

The Zafra is located in the centre of the village so take a stroll through the delightful historic centre and visit the shops, authentic bars and typical restaurants.
Não desgostei do edificio mas já merecia umas obras de renovação. Dificuldade em estacionar.
+Páteo
-Corredores
Links:
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  • Museo Santa Clara


    El Museo del Convento de Santa Clara de Zafra quiere mostrar lo que fue y es la espiritualidad y la sencillez de la vida claustral de las hermanas clarisas, lo que supuso para la comunidad histórica el patronazgo de la Casa de Feria y cómo el monasterio se ha ido integrando en la ciudad de Zafra y relacionado con sus gentes hasta la actualidad.

    in Wikipédia

    Ficha:
    Museo Santa Clara
    Calle Sevilla, 30, 06300 - ZAFRA - España[Mapa]
    Telf: 924551487 | E-mail: correo-e: santaclara@museozafra.net
    Preco: Gratuito
    Horario: 10:30 a 13:30 h - 16:30 a 18:15 h
    Encerra: todos los lunes. 1, 5 y 6 de enero. Las tardes del Jueves y Viernes Santo. Domingo de Cuasimodo. 15 de mayo. Feria de San Miguel (todas las tardes y el día de fiesta local). 24, 25 y 31 de diciembre

    Saturday, 5 February 2011

    Convento do Espinheiro


    Hotel . The Luxury Collection by Starwood . Luxo
    5* - €€€€€ (mais de 150E) - 59 quartos

    Morada:Quinta Convento Espinheiro
    , 7005-839 - Évora (Portugal)
    [Mapa]
    Tel:266788200
    E-mail:email@provider
    Web:http://www.conventodoespinheiro.com/?PS=EAME_aa_Starwood_Iberia-1553_Google%20PT_convento%20do%20espinheiro_04/23/10
    Servicos:ClimatizadoTVWIFIMini BarPiscinaPiscina InteriorSPARestauranteBarJardinsEstacionamentoSalas ReuniãoPequeno Almoço



    Um antigo mosteiro do século XV, considerado Monumento Nacional, foi completamente restaurado e convertido num hotel de luxo, oferecendo um restaurante gastronómico localizado na antiga adega do convento, um piano bar na antiga cozinha dos monges e, na cisterna gótica, uma área para degustação de vinhos e produtos regionais. Um Spa com 5 salas de tratamento, um paddle e um heliporto completam a oferta. Está rodeado de magníficos jardins e situa-se a apenas 2 Km de Évora, cidade Património Mundial pela Unesco.


    Não há muito a dizer, simplesmente espectacular. Desde os quartos às zonas comuns ao serviço atencioso tudo pensado para uma estadia fora de série. Negativo somente a demora no jantar. O pequeno almoço é divinal.
    +Quase tudo
    -Serviço muito demorado ao jantar
    Criticas:
    Instalado num antigo convento classificado como Monumento Nacional, o Hotel do Espinheiro é uma herança da nossa história onde assenta que nem uma luva a expressão “foi aqui...”, popularizada pelo Professor Hermano Saraiva. “Foi aqui” que se reuniram as cortes de 1481, aqui terão sido recebidas as boas novas da descoberta do caminho marítimo para a Índia.


    Como pousada de reis, de que também fazia as vezes, tanta política do reino se discutiu, tanto se conspirou... Com a categoria de hotel, conta com as únicas cinco estrelas de todo o Alentejo e faz parte da marca Luxury Collection. Com tais pergaminhos não admira que seja um dos melhores alojamentos desta região.

    De aparição a convento

    À entrada do hotel está uma imagem de Nossa Senhora do Espinheiro, a santa que terá aparecido naquela árvore a um pastor, por volta de 1400.

    A fé na virgem levou a que aqui se tenha fundado, primeiramente uma modesta ermida, e depois uma igreja tão bonita quanto a que servia o convento (posteriormente construído). Possuindo valiosos retábulos em talha dourada e azulejos de várias épocas, o templo serviu de panteão a muitos nobres. Garcia de Resende, poeta e cronista, está neste mosteiro sepultado, mas numa capela traseira.

    O convento foi também um centro de cultura, albergando a Escola de Pintura do Frei Carlos, cujas réplicas de alguns quadros podem ser apreciadas nos corredores e salas deste hotel como a biblioteca.

    De pobre vida não se podiam queixar os monges jerónimos que vieram habitar o mosteiro, os mesmos para quem, tempos mais tarde, foi levantado um grandioso convento em Belém.


    Conforto e descontracção

    No Espinheiro a comodidade é tal que até se pode dar o caso de preferirmos a clausura, ainda que provisória, ao passeio. Mesmo os quartos da ala nova, harmoniosamente integrados com a parte centenária, apresentam-se bastante completos.

    Televisão com écran LCD plasma, robe e chinelos, banheira para gostos mais demorados e cabine de duche para quem prefere ter tempo para outras coisas. E ainda, porque não dizê-lo, a sanita que também é bidé? Houve alguém que não se esqueceu do conforto que os tempos modernos exigem...

    Situadas na área do convento, as suites são todas diferentes entre si. A Suite Real, com o nome de D. João II, tem um terraço privativo com vista para Évora, Património Mundial catalogado pela UNESCO. Daqui ouvem-se chocalhos. Apesar de estarmos a dois quilómetros da cidade, os rebanhos não dispensam os passeios regulares aos terrenos em volta.


    Neste ambiente histórico e luxuoso, rural mas às portas da cidade, há ainda espaço para o exclusivo. Dedicado aos apressados ou àqueles para quem o automóvel não chega, existe um heliporto para uso dos clientes do hotel.

    Chá das cinco ou a qualquer hora do dia

    A avaliar pelo tamanho da chaminé, onde outrora figuravam os enormes potes de comida encontra-se hoje o Pulpitus Bar. Desenvolve-se pela antiga cozinha e ainda pela sala de refeições onde se encontra a tribuna que lhe deu o nome.

    Uma cuidada carta de chá, com mais de 30 infusões, cumpre com rigor os rituais e dá pistas quanto ao tipo de bebida mais aconselhável à altura do dia. Para cada tisana existe um bule certo, para cada erva um tempo certo de infusão.


    por Lifecooler
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  • Sunday, 30 January 2011

    Krier 2007

    Dourado, Frutado ligeiramente acido, fresco e prolongado. Uma surpresa fabulosa, acompanhou um prato de peixe de forma magistral.



    Tipo: Vinho branco
    Origem: Domaine Viticole Krier-Welbes, Moselle Luxembourgeoise AOC, Luxemburgo
    Características: 2007, 12,5º, Riesling

    This is the king of the Luxembourg Wines! The Riesling is a classy wine, elegant of a prominent breed. Its lofty acidity and long taste, makes it the perfect companion to all fish dishes. It is majestic together with smoked ham and it goes heavenly with crawfish.

    Links:
    Homepage

    Friday, 28 January 2011

    A Queda

    Um monstro que afinal não passava de um ser humano. Um retrato realista e angustiante dos últimos dias do III Reich. Bruno Ganz tem um papel soberbo como Hitler que flutua, pertubadoramente, entre o velhote circunspecto e o Fuher implacável e demoníaco. Gostei do retrato das diversas figuras do Reich que só conhecia dos livros ou dos filmes estereótipados. Gosto de filmes assim, crus, só com sal.


    Título original: Der Untergang
    De: Oliver Hirschbiegel
    Com: Alexandra Maria Lara, Bruno Ganz, Corinna Harfouch
    Género: Drama, Guerra
    Classificação: M/16

    Alemanha, 2004, Cores, 150 min. (IMDB)

    Baseado nas memórias da secretária de Hitler, Traudl Junge, e na pesquisa do historiador Joachim Fest, o filme recupera os últimos 12 dias do ditador alemão, aqui protagonizado por Bruno Ganz. A 20 de Abril de 1945, Hitler refugia-se num bunker situado sob a Chancelaria, em Berlim. Na superfície, os constantes bombardeamentos da artilharia russa anunciam a chegada do inimigo. A capital alemã encontra-se reduzida a escombros e os combates de rua começam. Apesar do esforço dos poucos soldados, ajudados pelas milícias populares e por crianças da Juventude Hitleriana, a derrota é inevitável. No interior do bunker, Hitler faz os seus últimos preparativos. Com ele encontram-se, entre outros, Eva Braun, a sua companheira, Josef Goebbels, Ministro da Propaganda, e a mulher deste, Magda.in Publico

    Crítica:
    Há um momento, no princípio de "A Queda - Hitler e o fim do III Reich", em que o realizador Oliver Hirschbiegel denuncia ao que vem o seu filme. Um movimento de câmara acompanha Hitler, que se prepara para entrar para uma sala onde aguardam vários oficiais. Na altura em que fica de costas para a câmara, esta mergulha para um rápido reenquadramento que deixa, por um ou dois segundos, as mãos tremelicantes de Hitler/Bruno Ganz em grande plano.

    O trejeito "voyeurístico" contido neste reenquadramento é quase um "raccourci" do olhar que o filme tem para dar sobre Hitler. A atracção do "interdito", em primeiro lugar: espreitar os últimos dias de Hitler com o fascínio de quem cruza um espaço proibido. A "fetichização" do ditador, depois: "A Queda" não ultrapassa o imediatismo de um efeito automático, agitando um boneco de Hitler antevendo logo a prostração que ele induzirá no espectador (não é muito diferente de uma lógica de viagem num comboio-fantasma). Finalmente, a sinalização do lado humano, vulnerável e doente do Hitler envelhecido, numa composição "realista" de pormenor, quase como crónica da performance de um actor.
    Provavelmente é preciso ser-se alemão (ou israelita) para não se achar exagerado o estardalhaço à volta do filme; mas ao mesmo tempo ele faz parte desse estardalhaço, na medida em que não é capaz de responder à questão de fundo: que fazer, 60 anos depois, com Hitler? Como o retratar? Demonizá-lo ou reduzi-lo à sua mais simples (e humana) expressão? Esta incapacidade de resposta sente-se no filme sobretudo se pensarmos no seu Hitler como o Hitler mais indefinido de todos quantos já foram retratados em cinema. É um Hitler "neutro", sobre o qual não recai nenhum olhar estruturante - num filme em que ele é o centro de tudo, este é um "não-retrato" de Hitler. É uma lógica simples (e simplista): agita-se um espantalho e fica-se à espera das reacções. Sensacionalista, nesse sentido.

    Curiosamente, este poder do "espantalho" de Hitler podemos vê-lo condensado num filme de 1942, "To Be Or Not To Be" de Ernst Lubitsch, onde o genial cineasta utilizava (com propósitos de sátira) o "efeito de real" provocado pela presença de um actor disfarçado de Hitler para salientar (e desmontar) essa prostração. Em 2005, "A Queda" mostra que, num certo sentido, ainda estamos em 1942, e que uma imagem de Hitler é sempre "transparente": não se vê a imagem, mas Hitler ele próprio. E que não se diga que a consciência disto não fez parte do jogo - a esse respeito, bem jogado - de Hirschbiegel.

    Bruno Ganz, no papel do "espantalho", é pela sua parte irrepreensível. O seu trabalho de composição é notável, mesmo (ou sobretudo) quando parece mais perdido dentro de Hitler do que Hitler parecia perdido dentro do "bunker" em Abril de 1945. Mas cabe aqui lembrar o "Moloch" de Alexandr Sokurov, o primeiro filme da trilogia do cineasta russo dedicada a vultos da tirania no século XX (filmou depois Lenine e Hirohito): se o problema deste Hitler é ser "humano", então ainda bem que poucos viram o de Sokurov. Mas o de Sokurov era claramente um "retrato", ou seja, um olhar e uma caracterização conduzidos em determinada direcção - o fascínio de Sokurov, no entanto, era semelhante ao que parece motivar o de Hirschbiegel: o facto de Hitler ter sido quem foi e ter feito o que fez e ser, ao mesmo tempo, "um de nós". "Moloch" é um filme em recusa da "excepcionalidade" de Hitler, inclusive em recusa da sua "monstruosidade"; os problemas figurativos (e o afastamento da "neutralidade") ultrapassavam-se porque Sokurov não se detinha no "realismo" e acelerava rumo ao "hiper-realismo": era um Hitler de pele verde de tão macilenta, farrapo humano prisioneiro de todas as doenças, reais ou imaginárias.

    Hischbiegel, por seu lado, é desajeitado até no desenho das figuras secundárias (mas proeminentes) do III Reich. Goebbels, apagadíssimo, tem rosto de "cartoon" (sem nenhum do carisma que o original devia ter); o arquitecto Albert Speer aparece a corporizar se não o nazi "bom", pelo menos o nazi "lúcido"; sobre Eva Braun o olhar tem a mesma indefinição do olhar sobre o ditador (mas Eva é mesmo mais indefinível). Outra mulher, Magda Goebbels, acaba por ser a personagem mais perturbante do filme, e a cena da morte dos filhos é a melhor de "A Queda" (mesmo que para ser verdadeiramente boa devesse ser apenas uma elipse). Nota final: com os seus problemas de olhar "estruturante" a revelarem-se ainda na relação com os espaços (o do "bunker" e o da "superfície"), e ainda com um excesso de simbologias redentoras (o miúdo com que o filme acaba, e que desde cedo se percebeu que tinha reservado o papel de imagem da "nova Alemanha"), é um filme que põe sempre questões interessantes, e é um filme interessante por isso mesmo. No fim, se persistir algum incómodo, pode-se ir buscar o melhor antídoto, e rever o Adenoid Hynkel do "Grande Ditador" de Chaplin. Como alguém disse, um nazi que em 1942 já tivesse visto o Chaplin e o Lubitsch percebia que o III Reich estava condenado: nada que se prestasse assim à ridicularização podia ter grande futuro. Mesmo que entre 1942 e 1945 se tenham passado demasiados anos.

    Luís Miguel Oliveira

    Saturday, 15 January 2011

    Coelho da Rocha

    Acima média

    Tradicional . Portuguesa . Regional
    Morada:Rua Coelho da Rocha 104
    1350-079 - Lisboa[Mapa]
    Tel:213900831 Reserva:Aconselhável Encerra:Agosto
    Web:
    Preços:€€€ (25 a 35€)
    Cozinha digna de nota
    Garrafeira digna de nota



    Uma casa antiga, a funcionar desde a década de 80, no coração de Campo de Ourique, de rosto voltado para o mercado do bairro. Tradicional até à medúla, ainda se (re)veste de azulejos e dedica-se de corpo e alma à gastronomia tradicional portuguesa, oferecendo com excelentes receitas tradicionais e apresentando pratos segundo a tradição gastronómica das diversas regiões do país.
    Entradas: Carabineiros à moda da casa; Amêijoas à bulhão pato.
    Peixe: Amêijoas à Bulhão Pato; Peixe no forno; Açorda de marisco; Linguadinhos com arroz de grelos; Bacalhau à Rocha; Ensopado de lulas; Tranches de garoupa à minhota; Lulas fritas à Sevilhana; Lulas recheadas; Bacalhau à Gomes de Sá; Arroz de polvo.
    Carne: Arroz de coelho; Empadão de faisão; Empada de perdiz; Arroz de pato; Cabidela; Borrego assado no forno; Iscas de vitela à Portuguesa; Lombinhos de javali à chefe.
    Doces: Encharcada; Tarte de queijo; Tarte de maçã; Delícia de chocolate; Mousse de chocolate; Mousse de maracujá.
    Críticas:
    Gosto da solidez e tradição do lugar. Bom serviço. para voltar apesar da conta pesada.
    Nosso menu:

    Quando entramos pela porta do Coelho da Rocha, em Campo de Ourique, Lisboa, já sabemos ao que vamos: à reconciliação com a parte mais saudosa e estável do estômago.
    Empanturramo-nos de cozinha de fusão - ou seja, debicamo-la. Os nossos estômagos são, perio­dicamente, coisas delicadas; a nossa alma é, de vez em quando, aventureira como gostávamos de ser na realidade. Extasiamo-nos diante de uma torta de aipim com "tempura" oriental, apreciamos a originalidade, o risco, a fronteira entre o comestível e o irrepreensível. Os 'gourmets' são outra categoria: apenas apreciam o excelente, o melhor entre o me­lhor. Eu sou humano. Não tenho nada de 'gourmet' - a cozinha fez de mim um vadio que gosta de provar, de repetir, de evitar, de desobedecer, de apreciar a obediência. Defendo a anarquia que sabe bem, enquanto sabe bem. Sou pela desordem.
    Acho que cada livro de receitas é uma disposição, mais do que uma imposição, aprecio as receitas que variam, as distorções, as fugas, os sabores rebeldes que nunca se reuniram - e o conformismo também. Há tanto prazer na obediência à gramática e às suas regras como na desobediência e na desconstrução. Tanta beleza da irreverência como na repetição da norma. E há irreverência irritante, desqualifi­cada, muito menos interessante do que a repetição da norma. É por isso a cozinha é sempre chamada à ordem. Empanturramo-nos (debicamos, aliás) de "cozinha original", a que está na moda para além da moda, muita dela própria para 'épater le bourgeois’, feita apenas para impressionar, para chamar a atenção (como as crianças).
    Mas depois queremos uma coisa sólida, reconciliadora, atenta, que nos reenvie à cozinha da nossa vida - à da nossa infância, à do nosso bairro, à do nosso sotaque. Queremos um daqueles restaurantes onde reconhecemos os cheiros (ah, até é pecado escrever "cheiros" - devíamos dizer "aromas"), onde reconhecemos um peixe inteiro, uma carne, um prato que antigamente se fazia em casa, um tabuleiro onde viaja um pargo saído do forno, uma batata solenemente arrancada à tortura da cozinha, mas identi­ficável pelo seu ar tostado e pelo tom farinhento.
    Ou seja: somos exactamente isso - curiosos incor­rigíveis e conservadores por natureza. E, por isso, quando entramos pela porta do Coelho da Rocha, em Campo de Ourique (mesmo bairro e mesmís­sima rua onde viveu Fernando Pessoa, tinha de o escrever), já sabemos ao que vamos: à reconciliação com a parte mais saudosa e estável do estômago, aquela que parece que tem veludo, aconchegada, caseira, com saudades dos avós: salas com mesas perfeitas, cadeiras que se arrastam sem ruído, tons maduros, escurecidos pelos anos e pelo bom trato. Isto não vem só: este ambiente, com um serviço atento, tradicional, vem acompanhado de uma empada de caça (ah, perdiz) tostada, sedosa na sua capa; vem na companhia de um arroz de tomate (sedoso, verdadeiro) com gambas panadinhas ou com linguadinhos fritos (bem fritos, bem frescos), de peixe ao sal (com batatinhas, com grelos) ou de arroz de cabidela. Estes pratos podem não seduzir almas histriónicas, o que é bom - mas a verdade é que as almas histriónicas não comem e suspeito que os seus respectivos estômagos e paladares estejam danificados.
    Mas se não ficam tentados pelos lombinhos de javali, há o (não podia ser mais tradicional) cozido à portuguesa das quintas-feiras, um cozido comple­to, que nos deixa rendidos e suspirantes. E há um magnífico e nunca por de mais distinguido cabrito no forno que qualquer descrição repete as fórmulas do costume e se reduzem a isto: é magnífico e faz a cama para a encharcada de ovos, para o toucinho-do-céu (uma generosa mostra de colesterol do bom, como de costume), uma tarde de chocolate cremosa e a carta de digestivos igualmente conser­vadores e saborosos.
    Nestas noites que ainda não registam a suavidade requerida pela Primavera portuguesa, ao sair pela porta do Coelho da Rocha sente-se a necessidade de um agasalho - o tradicional "ventinho de Campo de Ourique" escapa-se por aquelas ruas desertas. Mas é só para o corpo; alma e estômago sentem-me reconfortados.

    por Crónicas de Francisco José Viegas
    Links:


    Wednesday, 12 January 2011

    District 9

    Gostei muito. Uma história original e bem engendrada. Um classe "B" que não fica nada atrás de nenhum outro.


    Título original: District 9
    De: Neill Blomkamp
    Com: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt
    Género: Ficção Científica, Thriller
    Classificação: M/16

    EUA/NZ, 2009, Cores, 112 min min. (IMDB)

    Em 1990, uma nave aterra em Joanesburgo, África do Sul, com um grupo de seres extraterrestres. Sem saber o que fazer a essas criaturas potencialmente perigosas, as nações de todo o planeta decidem enclausurá-las num gueto chamado Distrito 9, controlado pela maior empresa de fabricação de munições, denominada MNU (Multi-National United).
    Vinte anos depois, sem qualquer hipótese de regressar a casa, as criaturas continuam aprisionadas no Distrito 9, que se transformou num autêntico campo de refugiados. A única relação que mantêm com os humanos é vivida na clandestinidade, numa espécie de mercado negro. Mas a MNU tem como objectivo a produção de uma arma de última geração e, para isso, envia ao local Wikus van der Merwe (Sharlto Copley), um agente cuja missão é estudar a tecnologia militar desenvolvida e transferir os alienígenas para um novo gueto, o Distrito 10.
    É então que, ao manusear um objecto extraterrestre, algo lhe acontece que altera a sua composição genética tornando-o numa espécie híbrida. Esta transformação permite-lhe usar as tão cobiçadas bioarmas, que para funcionarem precisam de ADN alienígena. Van der Merwe fica por isso sob custódia dos cientistas da MNU para testes laboratoriais. E, depois de compreender o que lhe está a acontecer e conseguir escapar do laboratório, o agente conclui que o único possível refúgio é o Distrito 9, onde poderá encontrar uma forma de reverter o processo de mutação que está a acontecer ao seu corpo.
    Realizado pelo sul-africano Neill Blomkamp, contou com Peter Jackson ("O Senhor dos Anéis", "King Kong") como produtor e 30 milhões de dólares de orçamento.

    in Publico

    Crítica:
    Os alienígenas são nossos amigos

    É um grande filme de género sobre o lado feio do mundo em que vivemos. Uma das grandes surpresas do ano.

    De vez em quando, Hollywood leva um chuto que - como se costuma dizer - até vai de lado: gasta fortunas em filmes baseados em linhas de brinquedos e que correspondem à ideia de um departamento de contabilidade e "marketing" (mas não de um espectador...) do que é um "blockbuster" (sim, estamos a falar de vocês, "Transformers" e "G. I. Joe"), e deixa-se comer por um filmezinho feito à margem do radar por gente de quem nunca se ouviu falar, que consegue ter mais cabeça, mais emoção e mais acção em dez minutos do que esses pretensos "blockbusters" em duas horas ou mais. "Distrito 9" veio comer as papas na cabeça a todas as apostas de Verão dos grandes estúdios e o mais espantoso é que esta produção independente rodada por tuta e meia na África do Sul seja também um extraordinário filme sobre o mundo em que vivemos - como aliás é apanágio dos grandes filmes de género e de série B, em cuja linhagem "Distrito 9" se insere honrosamente.

    O cenário é uma favela de Joanesburgo que vai começar a ser desmantelada e cujos habitantes vão ser transportados para o Distrito 10, que tem o aspecto de um campo de refugiados. Mas faz sentido que assim seja, porque quem mora neste bairro da lata são de facto refugiados - de outro planeta. Extra-terrestres cuja nave espacial, avariada e aparentemente impossível de ser consertada com a tecnologia humana, veio "dar à costa" sobre a metrópole sul-africana há vinte anos, e que acabaram por nunca ser verdadeiramente assimilados pela sociedade, que os explora, humilha e despreza como "gafanhotos". A metáfora evidente é o "apartheid", mas pode ser esticada para "o outro", "o diferente", "o que não é como nós", "o imigrante" - o que torna o primeiro filme de Neill Blomkamp, publicitário sul-africano de 29 anos, num retrato distorcido de um mundo onde a globalização está a andar depressa demais para muito boa gente (e o seu sucesso nos EUA, país onde neste momento a questão do outro e da diferença é central ao próprio debate sociopolítico, é mais significativo do que parece).
    Wikus van de Merwe, um burocratazinho cobarde encarregue do processo de transferência dos extra-terrestres para o novo campo de refugiados, entra acidentalmente em contacto com uma substância orgânica que começa a alterar o seu ADN e o torna num mutante preso no limbo entre dois mundos e extremamente valioso para a multinacional onde trabalha, forçando-o a unir esforços com um dos extra-terrestres. Apesar de estruturado como um falso documentário (com depoimentos de experts e tudo) que retraça a história da difícil coabitação humanos-E.T.s e procura explicar os misteriosos acontecimentos iniciados com o processo de transferência para o Distrito 10, "Distrito 9" é um mutante inteiramente novo. Tal como as grandes séries B dos anos 1950 e 1960 transmutavam os medos do mundo real em ficções de medo, "Distrito 9" compacta um enorme "mash-up" de sátira política, comentário social, teorias da conspiração, estéticas pós-modernas e figuras obrigatórias do cinema de género num filme que se ancora numa vertente profundamente humana.
    A odisseia de Wikus, o burocrata que se procura agarrar à sua humanidade no exacto momento em que todos os outros lha recusam, tem algo da dimensão trágica da "Mosca" de Cronenberg (veja-se o extraordinário plano final) cruzada com o comentário político de um Ken Loach, mas o todo disfarçado por entre um filme de acção superiormente gerido, à qual a opção pela câmara "vérité" (substituindo a montagem ultra-rápida) vem dar uma adrenalina e uma urgência ausentes da maior parte da concorrência de grande orçamento.
    "Distrito 9" apenas vem confirmar como o cinema de género é muito menos "menor" do que a maior parte das pessoas acham. Que o filme tenha sido "apadrinhado" por Peter Jackson, cineasta que ele próprio transcendeu as suas origens de género sem as trair (e que permitiu a Blomkamp fazer o seu filme em absoluta liberdade e fora do radar dos estúdios), é apenas mais uma prova de que não devemos olhar de esguelha para os alienígenas - temos muito a aprender com eles. Mesmo que Hollywood não aprenda a lição.

    Jorge Mourinha