Tuesday, 19 February 2008

Jumper

Bastante mau, apeteceu-me mesmo teleportar-me dali para fora. Argumento miserável e interpretações insípidas. Somente a ideia base escapa no meio disto tudo.

Título original: Jumper
De: Doug Liman
Com: Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Diane Lane
Género: Ave, Dra
Classificação: M/12

EUA, 2008, Cores, 88 min. (IMDB)

David Rice parece um jovem como todos os outros, mas não é. David pode tomar o pequeno-almoço nas pirâmides do Nilo e segundos depois estar a fazer surf na Austrália. Impossível? Não para um "jumper", alguém a quem uma anomalia genética transmitiu um dos poderes mais cobiçados de sempre: o teletransporte. David pode teletransportar-se para qualquer parte do mundo, ver vinte vezes o pôr-do-sol ou em segundos roubar milhões de dólares.
Mas David, ao contrário do que pensa, não está sozinho e não é o único a ter este poder. A longa linhagem de "Jumpers" é acompanhada por uma agência secreta, os Paladinos, que têm como missão eliminar David e os seus semelhantes para os impedir de usar os seus poderes para praticar o mal. Perseguido por todo o globo, David descobre passo a passo a surpreendente verdade sobre o seu passado e a sua família.
Dos Estados Unidos às ruas de Tóquio e às ruínas de Roma, a odisseia mundial de David é o primeiro capítulo de uma aventura épica.in Público

Sunday, 17 February 2008

Os Senhores do Norte

de Bernard Cronwell
Planeta Editora 2007

Mantém a linha dos anteriores se bem que o ritmo neste é menor. Fico a aguardar o desenlace desta história.

O ano é 878 e o reino de Wessex de Alfredo está livre dos vikings. Agora, Uhtred precisa voltar ao norte para vingar a morte do pai adotivo e resgatar a irmã. Para isso, terá de enfrentar seu velho inimigo, Kjartan, um renegado chefe dinamarquês que espreita na formidável fortaleza de Dunholm. Para Uhtred, a esperança reside na espada. Em seu caminho, encontrará rebelião, caos e medo, e terá como companhia uma freira saxã que deixou para trás a vocação religiosa. Em nome do poder, o jovem da Notúmbria será traído por um de seus aliados, se tornando escravo... e contará com a inesperada ajuda daquele que um dia odiou.

Os Senhores do Norte é o terceiro volume das Crônicas Saxônicas, série que apresenta o lendário rei Alfredo, o Grande, e seus descendentes, narrando a criação da Inglaterra que hoje conhecemos. Uma história poderosa feia de traição, romance e luta, numa região de conflitos, levantes e glória onde Uhtred, um nortumbriano criado como viking, homem sem terras, guerreiro sem país, se tornou herói.

Estas são as histórias dos dias das grandes trevas. Vikings e saxões, constituem uma combinação avassaladora neste romance. Cornwell transforma o sombrio século IX numa aventura extremamente poderosa. Estas são as histórias de traição, romance e luta que se desenrolam numa Inglaterra de convulsões, sublevações e glória. Uhtred, nascido na Nortúmbria e criado viking, um homem sem terra, sem guerreiros e sem país, tornou-se uma esplêndida figura histórica.

O Camponês

Pç. República
3660-442 - São Pedro do Sul
Tel. 23 271 11 06
Encerra às 4ªfeiras

Regional

Uma boa referência na região

Comida

Tradicional e saborosa

Preço

€€

16 Euros

Ambiente

Acolhedor e recatado

Serviço

Nada a apontar

Este restaurante típico, situado na zona histórica, está decorado com pormenores rústicos e oferece um ambiente recatado e uma ementa de receitas regionais


Localização:

Nosso menu:

  • Vitela assada
  • Filetes de polvo
  • Leite creme
  • Vinho da casa

Outros links:

Saturday, 16 February 2008

Quinta de Novais

Novais - Sta. Eulália
4540 - 540 - Arouca
Tel. 25 694 01 00
Fax. 25 694 01 09
geral@quintadenovais.com

Hotel rural

Classificação

Preço

€€

75 Euros

Nº Quartos

16

CaracteristicasAr condicionado, TvCabo, Wifi, Chinelos e roupão, Varanda, Envolvente paisagística, Peq. Almoço, Salas lazer, Sauna, Jacuzzi, Ginásio, Piscina exterior, Golfe, Área florestal, Restaurante, Bar, Estacionamento
ExtrasAluguer bicicletas, Programas temáticos

Numa antiga casa agrícola de finais de século XVIII, cujos edifícios de apoio foram também reconvertidos, nasceu o Hotel Rural Quinta de Novais, na freguesia de Santa Eulália, concelho de Arouca.
A recuperação e restauro do conjunto respeitaram as características das construções pré-existentes, tendo havido, no entanto, a preocupação de introduzir um toque de modernidade e todo o conforto imprescindível aos dias de hoje. A utilização de materiais como o ferro e o vidro, assim como a escolha de algumas cores mais arrojadas, permitiram a criação de espaços e ambientes de surpreendentes contrastes.
O espaço envolvente, com cerca de 25000m², mantém uma grande área de castanheiros, carvalhos e sobreiros que, juntamente com o espaço verde e florido do jardim, e tendo por horizonte a serra da Freita, formam um conjunto único.


Localização:

Este hotel foi para mim uma pequena surpresa. Uma recuperação fantástica numa bela propriedade numa região maravilhosa. A região vale a pena com a serra da Freita por um lado e o vale do Paiva por outro. Estou ansioso por regressar.

+

Paisagem
Recuperação do espaço
Decoração
Simpatia
Gastronomia
Natureza

-

Ruído frigorífico
Restaurante:

Tel. 25 694 01 00

Regional Arouca

Restaurante ao mesmo nível do hotel. A gastronomia da região bem representada.

Comida

Vitela da região é divinal, um dos melhores leite creme do mundo. Boas sugestões de vinho.

Preço

€€

20 Euros

Ambiente

Antiga adega de pedra com janela rasgada sobre o arvoredo

Serviço

Simpatia e atencioso

Um dos grandes atractivos de Arouca é a sua gastronomia, da qual sobressaem a vitela e o cabrito, bem como os doces regionais e conventuais, famosos pelo seu requintado sabor e por todos os rituais que continuam a envolver a sua confecção.


Nosso menu:

  • Bacalhau assado com broa
  • Vitela assada no forno
  • Entre 2 santos 2005
  • Aldeia S.João 1966

Crítica:
Numa antiga casa agrícola de finais de século XVIII, cujos edifícios de apoio foram também reconvertidos, nasceu o Hotel Rural Quinta de Novais, em Arouca. A recuperação e restauro do conjunto respeitaram as características das construções preexistentes, tendo havido, no entanto, a preocupação de introduzir um toque de modernidade e todo o conforto imprescindível aos dias de hoje. A utilização de materiais como o ferro e o vidro, assim como a escolha de algumas cores mais arrojadas, permitiram a criação de espaços e ambientes de surpreendentes contrastes.

O espaço envolvente, que engloba os edifícios da piscina (coberta ou descoberta), ginásio e jacuzzi, mantém uma grande área de castanheiros, carvalhos e sobreiros que, juntamente com o espaço verde e florido do jardim, e tendo por horizonte a serra da Freita, formam um conjunto único.

Os 16 quartos duplos dividem-se por quatro ambientes decorativos diferentes, apresentando uma varanda individual com vista para a serra ou para a floresta que se estende em frente da quinta.

O Hotel Rural Quinta de Novais dispõe ainda de um restaurante, naquela que foi a adega da antiga quinta, amplo para os trinta e dois lugares, com uma janela a toda a dimensão da parede nascente, ar condicionado e lareira, onde se podem degustar, sem pressa, algumas das iguarias da região: vitela, cabrito, fumeiros e doces regionais. Poderá usufruir de uma variedade de actividades desportivas - caminhadas, BTT, rafting, cannyoning, orientação, etc. , desenvolvidas na área envolvente da unidade ou na região (rio Paiva e Serra da Freita).

por LifeCooler
Outros links:

Café Majestic

Rua de Santa Catarina 112
4000-442 - Porto
Tel. 22 200 38 87
Aberto todos os dias

Café de charme

Um ícone da cidade, vale bem a pena uma visita.

Comida

Pastelaria de bom nível

Preço

€€

Acima da média

Ambiente

Inconfundível

Serviço

À altura do local

Majestic é sinónimo de glamour. Um luxoso café que abriu as portas nos anos 20 e mantém o requinte e beleza de outrora. É considerado um notável exemplar de arte-nova portuguesa, que alia a singularidade dos pormenores decorativos a uma feliz integração urbanística na zona central da cidade.

Inaugurado a 17 de Dezembro de 1921, com o nome de "Elite", o café, situado no n.º 112 da Rua de Santa Catarina, esteve desde logo associado a uma certa frequência das pessoas distintas da época. Um dos que esteve presente na inauguração foi o piloto aviador Gago Coutinho, acabado de chegar de uma viagem à ilha da Madeira, e que ficou encantado com o esplendor da decoração arte nova.

No ano seguinte o nome mudaria de Elite para Majestic, sugerindo o chic parisiense, mais de encontro à clientela que pretendia atrair, e tão apreciado na época.

Frequentaram o café nomes como Teixeira de Pascoaes, José Régio, António Nobre, o filósofo Leonardo Coimbra. Mais tarde tornou-se lugar assíduo para os estudantes e professores da Escola de Belas Artes do Porto.

Uma outra das conhecidas tertúlias que o animou era constituída pelo escultor José Rodrigues e pelos pintores Armando Alves, Ângelo de Sousa e Jorge Pinheiro. Este grupo adoptaria, devido à classificação final do curso, o irónico nome de "Os quatro vintes", e manter-se-ia unido numa série de exposições no Porto, em Lisboa e em Paris no período 1968-1971.

Hoje em dia continua a ser animado com recitais de poesia, concertos de piano, exposições de pintura, lançamentos de livros, realização de algumas cenas para filmes nacionais ou estrangeiros.


Localização:

Outros links:

Friday, 15 February 2008

Estalagem da Pateira

Rua da Pateira, 81
3750-439 - Fermentelos, Águeda
Tel. 23 472 12 05
Fax. 23 472 21 81
info@pateira.com

Estalagem

Classificação

Preço

€€

50 a 100 Euros

Nº Quartos

57

CaracteristicasAr condicionado, TvCabo, Varanda, Envolvente paisagística, Peq. Almoço, Salas lazer, Sauna, Piscina interior e exterior, Restaurante, Bar, Estacionamento
ExtrasPasseios barco

A Estalagem da Pateira, é um complexo turístico implantado na margem da Pateira de Fermentelos conhecida como a Lagoa Adormecida. Localizada no triângulo Aveiro-Águeda-Malaposta, dista destas localidades 13km, 7km e 12km, respectivamente. Encontra-se a 4km da auto-estrada (saída Águeda/Aveiro Sul) e com fácil acesso ao IP5. Estalagem com 57 quartos equipados com televisão, telefone, secador de cabelo e alguns com varanda. Possui ainda os seguintes serviços/equipamentos: restaurante, bar, adega tipica para grupos, salas de congressos e banquetes, piscina interior e exterior, sauna e ginásio.


Localização:


Vale pela localização, um oásis de calma.

+

Paisagem
Preço

-

Decoração


Restaurante:
Pato real
Tel. 23 472 12 05

Regional Bairrada

Como oferta de refeição para uma estadia está bem.

Comida

Regional bom nível

Preço

€

18 Euros

Ambiente

Decoração um pouco ultrapassada

Serviço

Sem nada a apontar

Num local de grande beleza natural, que convida ao descanso e à reflexão, encontra-se esta agradável estalagem e respectivo restaurante, onde a cozinha é de qualidade e o serviço simpático e correcto. A lista de vinhos privilegia os da Bairrada, podendo saborear pratos da cozinha regional ou mesmo tomar uma refeição ligeira.
Peixe: Enguias fritas; Achigã grelhado à Pateira; Bacalhau com natas; Linguado grelhado; Carne: Rojões à moda de Fermentelos; Leitão assado à Bairrada; Chanfana de cabra. Doces: Ovos moles; Pastéis de Águeda.


Nosso menu:

  • Rojões à fermentelos
  • Pudin flan
  • Terras d'el rei 2001

Crítica:
Já ouviu falar da “Lagoa Adormecida"?

Portugal é prodigioso em paisagens para todos os estados de espírito. Passando os olhos por um mapa do país, uma lagoa sobressai junto a Águeda. É a Pateira de Fermentelos, que foi reserva privada do rei D. Manuel I e ganhou este nome devido à grande abundância de patos. Em tempos, rodeavam a lagoa grandes florestas chegando esta zona a ser coutada real. Hoje tem a beleza do natural e da adaptação possível aos tempos modernos.

Uma volta de carro à beira água devia ser obrigatório para quem chega pela primeira vez a estas terras. O barulho do motor vai ser muitas vezes o único ruído estranho e por conta própria há-de ver coisas que lhe suscitem o interesse de parar e andar a pé. Nem hesite duas vezes.

Na calma de uma margem ou se conseguir boleia numa “bateira”, barco típico destas águas, a caminho do coração deste imenso azul, vá preparado para a pesca da achigã, do pimpão ou da enguia-carpa. Os amantes de desportos náuticos sem motor têm muito por onde se expandir.


A origem deste lago gigante está na serra do Buçaco, num pequeno rio chamado Cértima, afluente do Vouga. Há alturas em que a tonalidade da água se modifica e o prateado é muitas vezes a cor dominante, embora o verde viçoso das plantas aquáticas seja visível de vários pontos. Nenúfares existem por todos os lados e servem de refúgio a aves migratórias. Não foi só na ria de Aveiro, também aqui se apanhou moliço com o destino de fertilizar os campos das cercanias.

Mas nem tudo são rosas. Onde o Homem põe a mão, tanto podem sair coisas com tradição como importadas. Destas terras saíram muitos emigrantes e as novas casas obedecem a gostos copiados da Suíça, Alemanha e outras terras que o valham. Junto à água, a localização é singular. Pior é de Inverno quando as águas da lagoa chegam a misturar-se com as da piscina exterior. Nada que empate os banhos. O tempo já não é inspirador e depois a piscina interior aquecida dá acolhimento aos que querem dar umas braçadas abrigados do frio. As propostas de lazer continuam com a sauna ou com um passeio de gaivota de aluguer junto à estalagem. Pergunte também pelas bicicletas.

Nos espaços comuns, a decoração remonta a algumas décadas atrás. Definitivamente, os anos 60 e 70 foram um marco para as modas. Na sala longa e comprida que é também corredor de acesso ao restaurante, salta à vista o vermelho extravagante e vivo da correnteza formada pelos muitos sofás. Na discoteca exclusiva para festas de clientes reina o mesmo tom forte. Grandes festas já aqui se fizeram.

Antes de chegar ao restaurante, há ainda o bar com balcão almofadado na parte do cliente e bancos forrados a napa preta. Ao lado, a sala de refeições apresenta vidraças a quase toda a volta. É mais uma vez a vista que o justifica. A lareira, para além de decorativa, afasta o frio. Impera o vermelho e o azul vivo nos tecidos.


Se escolher o menu diário uma refeição completa fica-lhe a 12,50 euros. Couvert, sopa, um prato de peixe ou carne, sobremesa e vinho da casa. O travo é de uma terra diferente. A escolher pela carta, sobressai assim de regional, os rojões à Fermentelos, a chanfana à Bairrada e a vitela à moda de Lafões. E como nem só de mar se alimenta Portugal, achigã grelhado ou frito, e enguias cozinhadas na frigideira são propostas de pratos fortes dos comeres da terra. Peixes de rio ou lagoa, como é o caso.

Na hora da partida, é a serenidade da lagoa que nos fica na memória.

A estalagem da Pateira

As varandas dos quartos mais altos mostram um cenário natural em todas as frentes. Abre-se a paisagem à lagoa e ao pouco “trânsito” de barcos típicos deste ecossistema. Se lá for de Verão espere que o sono venha embalado pelo silêncio do campo.

Sem especial atenção à decoração, os quartos têm o mínimo para se estar confortável. O mobiliário é claro e as camas, espaçosas o suficiente para permitir sonhos mais agitados, apresentam-se vestidas a branco.


por Paula Oliveira Silva, LifeCooler
Outros links:

Tuesday, 12 February 2008

Expiação

Gostei mas não me emocionou. A banda sonora está boa, adorei a música que acompanhava Brionni, a fotografia também está excelente. Técnicamente o "travelling" na praia de Dunquerque é impressionante. Emocionalmente fiquei a desejar algo mais intenso.

Título original: Atonement
De: Joe Wright
Com: Keira Knightley, James Mcavoy, Vanessa Redgrave
Género: Dra
Classificação: M/12

FRA/GB, 2008, Cores, 130 min. (IMDB)

Verão de 1935. É o dia mais quente do ano mas, apesar da canícula, a família Tallis vive tranquilamente na sua mansão vitoriana. A pequena Briony já descobriu a sua vocação, quer ser romancista. Mas quando do alto dos seus 13 anos surpreende a irmã, Cecília (Keira Knightley), a despir as suas roupas e a mergulhar na fonte do jardim junto do filho do caseiro, Robbie (James McAvoy), a sua reacção ingénua face aos desejos dos adultos vai provocar uma tragédia. Robbie e Cecília ultrapassam uma fronteira que nunca tinham ousado ultrapassar e tornam-se vítimas da imaginação prodigiosa de Briony. No final desse dia, a vida dos três terá mudado para sempre.
Uma adaptação do romance de Ian McEwan pela equipa de "Orgulho e Preconceito", "Expiação" foi nomeado para sete Globos de Ouro, tendo arrebatado os prémios de melhor filme e banda sonora original.in Público

Crítica:
A escritora no seu labirinto

Faz agora dois anos, o inglês Joe Wright conseguia o milagre de filmar "Orgulho e Preconceito" (2005) como se nunca ninguém se tivesse lembrado de filmar o romance de Jane Austen antes, numa adaptação que injectava modernidade e vida nova num dos clássicos mais consensuais da literatura inglesa e escapava com alguma elegância aos lugares-comuns do "filme de época britânico".

São essas qualidades - inteligência, elegância, modernidade - que reencontramos na segunda longa-metragem de Wright, adaptando o romance de Ian McEwan sobre uma paixão destruída por um mal-entendido na Inglaterra da II Guerra Mundial. E tanto o guião do dramaturgo Christopher Hampton como a encenação fluida e vistosa de Wright repetem a proeza de fazer cinema que nem por um momento trai a sua origem literária mas nunca se resume à simples ilustração visual de um livro.

E, contudo, as armadilhas estão lá todas. A "expiação" do título é o "mea culpa" de Briony Tallis, que conhecemos na primeira imagem do filme com apenas 13 anos de idade a terminar a sua primeira peça para ser representada com os primos numa "soirée" familiar na sua casa de campo, e que nos abandona nas últimas imagens (sob os traços de Vanessa Redgrave), idosa escritora celebrada que acaba de publicar o seu derradeiro romance, intitulado "Expiação". Tudo o que se conta nas duas horas que medeiam entre ambas é que se conta no romance: o relato autobiográfico da tragédia que a adolescente precipita nessa noite fatal na província inglesa e as suas consequências, cinco anos mais tarde, já em plena II Guerra Mundial.

Mas esse relato autobiográfico, mediado pela escrita de Briony de que Wright se faz câmara omnisciente, incorpora elementos ficcionais, numa espécie de "compensação" criativa pela tragédia que não se pôde ou soube evitar. A inteligência de Hampton e Wright está toda no jogo limpo que faz com o espectador sobre os múltiplos níveis de leitura e pontos de vista de um mesmo acontecimento, jogando ao mesmo tempo com o lugar-comum superficial do melodrama romântico e a profundidade dos vários níveis de leitura possíveis, numa encenação que nos recorda o clássico "A Amante do Tenente Francês" (1981), de Karel Reisz.

Claro que "Expiação" não é outra "Amante do Tenente Francês": nem Wright é Reisz, nem Keira Knightley é Meryl Streep nem James McAvoy é Jeremy Irons. É esse o problema central de "Expiação": é um filme demasiado enamorado da sua própria construção cinematográfica, demasiado consciente do jogo de espelhos que propõe e elabora. Está sempre a pedir-nos para o admirar - "olhem que bem que conto esta história, que bem que filmo" - mas nesse percurso perde de vista o seu objectivo final que é o de emocionar o espectador, revelando uma precisão quase gélida, meticulosamente calculada.

Depois de uma extraordinária primeira hora de quase insustentável tensão dramática resolvida com mão de mestre, revelando uma subterrânea e surda luta de classes através de detalhes subtil e minuciosamente apresentados, Wright perde-se na segunda metade do filme: o espantoso planosequência da praia de Dunquerque é por si só uma proeza técnica de notável impacto dramático que parece no entanto pertencer a outro filme, "travando" o curso da narrativa em nome de uma desnecessária demonstração de savoir-faire. E aos próprios actores, por muito bons que sejam, não é pedido mais do que uma representação em segundo grau dos arquétipos do melodrama romântico: a verdadeira "heroína" da história é Briony, a narradorademiurga que manobra as suas "personagens" tanto na vida real como na ficção, interpretada pela adolescente Saoirse Ronan como uma menina petulante e mimada e, já mulher, por uma Romola Garai penitente e apagada.

"Expiação" recupera à medida que embala em direcção ao seu final silenciosamente devastador, a que a presença imperial de Vanessa Redgrave empresta uma notável dignidade, mas o mal está feito e Joe Wright falha a grandeza por excesso de confiança. O que não invalida que este seja um bom filme que se sai com inteligência de um difícil caderno de encargos.

Jorge Mourinha