Wednesday, 11 February 2009

Valquiria


Excelente thriller histórico. Tom Cruise está bem mas acho que outro actor menos superstar ficaria melhor.

Título original: Valkyrie
De: Bryan Singer
Com: Tom Cruise, Kenneth Branagh, Bill Nighy
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/12

ALE/EUA, 2008, Cores, 123 min. (IMDB)

O coronel Stauffenberg (Tom Cruise) sempre foi fiel ao seu país, o qual serviu com orgulho. Mas ao ver Hitler precipitar a Alemanha e a Europa no caos, começa a acreditar que é preciso passar à acção e travar o líder da Nacional Socialista. Em 1942, tenta conduzir vários oficiais superiores à rebelião, mas será em 1943, quando recupera de ferimentos sofridos em combate, que reúne forças junto da Resistência Alemã e organiza uma conspiração para matar o Führer. O plano, a operação Valquíria, é astuciosamente desenhado, e a missão de matar Hitler entregue ao próprio Stauffenberg.in Publico

Crítica:
Os superheróis também morrem

Não é "o filme do costume" sobre o nazismo ou sobre o anti-nazismo. É mais ambíguo do que isso.


"Valquíria" é muito provavelmente o melhor filme de Bryan Singer. Realizador conhecido pelas suas incursões em universos de superheróis (os "X-Men", o "Superman") ou habitados, na mesma ordem de maniqueísmo, por criaturas a eles aparentadas (como o Keyser Soze de "Os Suspeitos do Costume", o seu primeiro e mais célebre filme).

Uma das coisas curiosas de "Valquíria" é constatar que, se Singer até já tinha filmado um eco directo do nazismo (em "The Apt Pupil", baseado numa história de Stephen King), este mergulho no nazismo propriamente dito não deixa de convocar atmosferas e ambientes aproximáveis aos desses filmes.

Há qualquer coisa dos "X-Men" nas cenas das reuniões das cúpulas da resistência antihitleriana (onde pontifica a opaca majestade de Terence Stamp, que Singer tinha querido trazer para os "X-Men" depois de o ter visto como vilão no... "Superman 2"), mas também o há nas reuniões do estadomaior (e na própria inexpugnabilidade) de Hitler.

A dimensão palaciana da conspiração de Julho de 44 (a mais importante tentativa para matar Hitler e organizar um golpe de estado), que o filme reconstitui, é dada como um confronto de "titãs", e protagonizada por um homem (o Coronel Stauffenberg, interpretado por Tom Cruise) cujas características físicas favorecem um tratamento que lembra o dos super-heróis clássicos, aqueles que adquirem poderes especiais na sequência de um desastre que lhes deixa o corpo marcado.

A Stauffenberg falta uma mão e um olho, em resultado de um ferimento de guerra, e é como se Singer usasse essa imperfeição física (por exemplo nas várias cenas com o olho de vidro, que Cruise constantemente tira e põe) para sublinhar o que nesta personagem está já para além de uma humanidade em sentido comum. E, também, no mais impressionante plano de todo o filme (um "heil Hitler" de Stauffenberg com o coto no lugar da mão estendida), para destruir a própria "iconografia" nazi através da caricatura da sua monstruosidade.

Ambíguo, certamente. "Valquíria" não é "o filme do costume" sobre o nazismo ou sobre o anti-nazismo. Fora sabermos que Stauffenberg e os seus camaradas estão do lado certo da História, nada há de reconfortante nem neles nem nas suas motivações - o que é até, pelo menos até certo ponto, historicamente justo. Stauffenberg, assim como boa parte do corpo de oficiais do exército alemão, era oriundo da velha aristocracia militar prussiana, que não tinha especial simpatia pelo nazismo mas podia conviver bem com ele enquanto os interesses se mantivessem comuns e a classe não se sentisse particularmente desonrada.

A perspectiva da derrota total da Alemanha (o único tipo de derrota que o fanatismo hitleriano podia aceitar) não fazia parte desses interesses, e as atrocidades nazis eram intoleráveis, não por si mesmas mas pela "desonra" que lançavam sobre o civilizado prestígio da Alemanha. E resumidamente é com estes argumentos que Stauffenberg, na cena preambular de "Valquíria", explica a sua resolução de combater Hitler.

Um combate que se joga, portanto, para além de um humanismo canónico: serão máquinas contra máquinas, máquinas organizativas mas também homens dotados de uma frieza maquinal, como se não houvesse hipótese de ser de outra maneira. Singer adensa esta desolação humana na cena (a única em que se houve Wagner) com os filhos de Stauffenberg, que macaqueiam saudações e palavras de ordem nazis, eles também já pequenas máquinas condicionadas por uma educação para o nazismo.

A partir daqui, "Valquíria" constrói uma reconstituição da conspiração de Julho totalmente servida em frieza e determinação, desprovida de palha sentimental (mesmo as cenas com a mulher de Stauffenberg servem apenas para sublinhar a sua frieza e a sua determinação), um confronto quase "conceptual", vivido em abstracção da humanidade dos protagonistas. E nesse passo, será a sua maior proeza, reencontra alguma da severidade dos filmes anti-nazis que Fritz Lang fez durante a II Guerra ("Os Carrascos Também Morrem", "Feras Humanas"), onde a reacção ao nazismo podia nascer de uma repulsa moral mas o combate tinha que ser feito numa suspensão dessa moral - utilizando os códigos e os processos do inimigo, combatendo a desumanidade com a desumanidade.

Stauffenberg, pelo menos o Stauffenberg de Bryan Singer, parece consciente disso. Só que a "conspiração de Julho" não foi um filme de Fritz Lang, nem foi um filme de super-heróis; o que é interessante é que Singer, obviamente também consciente disso, a tente filmar como se sim, tivesse sido.

Luis Miguel Oliveira

Surpreendente a secura deste "Valquíria". Tendo em conta que é de Bryan Singer, não se esperaria um "thriller" de câmara (é assim que nos é mais fácil classificá-lo), sombrio e nada heróico, não fazendo nada para tirar as personagens do terreno escorregadio da ambiguidade (e falamos daquelas personagens que estão do lado dos "bons", contra Hitler). Muita coisa por aqui lembra algum cinema americano da Hollywood dos artesãos clássicos.

Mas há Tom Cruise, e é pena (nada contra ele, mas a verdade é que poucos actores conseguem fazer tudo e Tom não é um deles). Mesmo sem uma mão, sem dedos e sem um olho, Tom transpira a saúde de um herói de acção adolescente. Como pode ser ele um aristocrata alemão? A decisão do seu "casting" é uma traição ao espírito de "Valquíria", que em tudo o resto foge do filme veículo para uma mega-star.

Vasco Câmara

Floresta de Moscavide

Rua Artur Ferreira da Silva 45
1885-012 - Moscavide

Tel. 219442721
Encerrado Segunda

Portuguesa, Marisqueira

Informal e familiar.com boa comida a preço moderados.

Comida

Boa e bem servida

Preço

€€

17 Euros

Ambiente

Simples

Serviço

Normal
Restaurante que procura dar a conhecer as iguarias da cozinha ribatejana e alentejana. Muito frequentado pela equipa do Sporting.

Localização:

Nosso menu:

  • Caldeirada Cabrito à Angolana
  • Secretos porco preto
  • Leite creme
  • Tino da casa

Outros links:

Saturday, 7 February 2009

O Envagelho segundo Jesus Cristo


De José Saramago
Caminho 1991

Muito interessante sobretudo para quem conheça um pouco o novo testamento. Alguns episódios são relatados cronológicamente trocados, outros são simples eventos relatados por terceiros empolados pelo boato, outros são descreditados por todos. Chega a ser diverido seguir a narrativa e aqui e ali surgir algo que conhecemos iluminado por outra luz, vestido de outras roupagens, totalmente humanizados e despojados de glória. O relato acompanha a história de Jesus na sua busca pessoal pelo seu propósito na vida e na sua tentativa final de ser desacreditado como louco de modo a poupar ao homem à calamidade do Cristianismo (com grande referência à sangrenta Santa Madre Igreja). Gostei.


É a obra mais polémica de José Saramago e aquela que, indirectamente, o levou a sair de Portugal e a refugiar-se na ilha espanhola de Lanzarote. Ficou para a história o desentendimento com o então subsecretário de estado da Cultura Sousa Lara, que considerou o livro ofensivo para a tradição católica portuguesa e o retirou da lista do Prémio Europeu de Literatura. Com um José destroçado por ter fugido e deixado as crianças de Belém nas mãos dos assassinos de Herodes; com uma Maria dobrada e descrita, logo no início do livro, em pleno acto de conhecer homem; com um Jesus temeroso, um Judas generoso, uma Madalena voluptuosa, um Deus vingativo e um Diabo simpático, não era de esperar outra reacção das almas mais sensíveis e mais devotas do catolicismo português. E verdadeiramente viperinas são as várias páginas onde o escritor português se entretém a descrever minuciosamente os nomes e a forma como morreram os mártires dos primeiros séculos do cristianismo. Assim se escreveram os heréticos Evangelhos segundo Saramago, para irritação de muitos e prazer de alguns. Como convém.

Extractos:
O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.
A Inquisição é uma polícia e é um tribunal, por isso haverá de prender, julgar e condenar como fazem os tribunais e as polícias, Condenará a quê, Ao cárcere, ao degredo, à fogueira, À fogueira, dizes, Sim, vão morrer queimados, no futuro, milhares e milhares e milhares de homens e mulheres, De alguns já me tinhas falado antes, Esses foram lançados à fogueira por crerem em ti, os outros sê-lo-ão por duvidarem, Não é permitido duvidar de mim, Não, Mas nós podemos duvidar de que o Júpiter dos romanos seja deus, O único Deus sou eu, eu sou o Senhor, e tu és o meu Filho, Morrerão milhares, Centenas de milhares, Morrerão centenas de milhares de homens e mulheres, a terra encher-se-á de gritos de dor, de uivos e roncos de agonia, o fumo dos queimados cobrirá o sol, a gordura deles rechinará sobre as brasas, o cheiro agoniará, e tudo isto será por minha culpa, Não por tua culpa, por tua causa, Pai, afasta de mim este cálice, Que tu o bebas é a condição do meu poder e da tua glória, Não quero esta glória, Mas eu quero esse poder. O nevoeiro afastou-se para onde estivera antes, via-se uma pouca de água ao redor do barco, lisa e baça, sem uma ruga de vento ou uma agitação de barbatana passando. Então o Diabo disse, É preciso ser-se Deus para gostar tanto de sangue
Crítica:
Toda apresentação de alguém a partir do nosso pensamento não se faz sem injustiças. Nesse sentido, apontarei alguns trechos do romance de ficção do escritor português José Saramago, “O evangelho segundo Jesus Cristo, que certamente eu não conseguiria dar uma devida apresentação sem cometer injustiças. Não há nada melhor que conhecer um autor pela sua própria obra, e mesmo assim não estaremos livres de cometer deturpações do seu pensamento, afinal, tomar conhecimento dos pensamentos de um autor é tomá-los sob o manto dos nossos pensamentos, de tal forma que nunca chegaremos ao sentido do autor senão em devidas proporções de proximidade.

Saramago, tomando a liberdade da criatividade que as palavras nos permitem, escreveu essa belíssima obra de ficção, contudo, parece ser possível darmos contornos de “realidade”, dependendo do ponto de vista do leitor. Em contrapartida, lembremo-nos de que para falar sobre a vida de Jesus, ou do personagem Jesus, perante uma cultura onde o cristianismo enquanto instituição se cristalizou há milênios, como bem sabemos, só é legitimada enquanto discurso reservado aos sacerdotes, em outras palavras, não se fala de Jesus Cristo enquanto “palavra da verdade” senão pela caduquice dos catedráticos da religião.

No meio religioso, vários tomaram a obra de Saramago sob a cegueira da fé, da ordem da Verdade e do sagrado, pariram uma interpretação mutilada e disforme, ou melhor, em forma com a moral cristã. É nesse sentido que parece ser o mais adequado compreendermos como foi a reação do público quando foi lançada a obra. Merece ainda ser tomado de nota, que a reação das massas não merece muito da nossa atenção senão a desconfiança.

Saramago apresenta-nos um Jesus humano como todos os outros, tão humano que nos admiração. Jesus é um homem que em sua época se destoa dos demais pela sua inteligência de questionar, ir além, seja de Deus ou do homem; a própria Maria, mãe de Jesus, não escapa da argúcia do filho, de tal modo que, devido aos conflitos entre eles, Jesus resolve partir sozinho em busca de suas respostas existenciais.

Eis que Deus aparece ao homem Jesus e lhe diz que é seu pai, eis então um Jesus mais repleto de questionamentos: que queres tu de mim? por que tem que ser assim? se tens tanto poder assim, por que queres tanto mal? - Não se surpreenda o leitor se perceber um Deus lacônico, um pai pouco interessado no filho.

Esse é só um ponto de partida de uma obra que tem a capacidade de nos fazer sentir dentro de todo o cenário cultural e social que envolvia a vida de Jesus Cristo, bem como suas dificuldades, seus anseios e suas dores. A riqueza dos detalhes com que Saramago consegue “mostrar” os cenários, os comportamentos, os personagens e toda atmosfera da época, pode fazer o leitor sentir os pregos rasgando as mãos e os calcanhares durante as crucificações. Ou o que sentirá os leitores, nos momentos iniciais da obra, quando Saramago narra os sacrifícios de bois, cordeiros e bezerros no Templo, local de oferenda de sangue ao Deus beberrão? Tanta crueza que Jesus se nega a fazer o que todos faziam.

Para além da ordem sagrada, cega em suas próprias verdades, Saramago nos mostra uma ficção, porém, muito além da ficção bíblica. Em “O evangelho segundo Jesus Cristo”, o homem Jesus Cristo é um personagem comum, por isso sentimo-nos que ali ele é “real”, em suas aventuras e dores pelo mundo de Jerusalém afora, trabalhará para o Diabo, desafiará Deus, tentará convencer a mãe de que aquilo que todos seguem não significa o derradeiro caminho, e o que diremos, dele Jesus, que conhecerá os prazeres da vida com a prostituta Magdala.

Por não ser real, a obra de Saramago torna mais real que a nefasta Bíblia. Abaixo, alguns trechos do livro, mantidos ao estilo de Saramago, deliciem-se:


Jesus durante uma discussão com a mãe que lhe pede para abandonar os pensamentos maus:

“(…) Ó minha mãe, os pensamentos são o que são, sombras que passam, e não são bons nem maus em si mesmos, só as acções é que contam, Louvado seja o Senhor que me deu um filho sábio, a mim que sou uma pobre ignorante, mas sempre te digo que essa não é a ciência de Deus, Também se aprende com o Diabo (…)”

O momento onde Deus, o Diabo e Jesus travam debates, em uma barca perdida, em meio a um nevoeiro de 40 dias é um dos mais belos do livro. Jesus, neste momento, faz uma série de questionamentos a Deus que até então só o tinha avisado que seu nome seria exaltado na Terra a partir da morte de Jesus. O Diabo também participa, pois sabe que o projeto divino é projeto de ambos (Deus e Diabo):

“(…) . Disse Jesus, Estou à espera, De quê, perguntou Deus, como se estivesse distraído, De que me digas quanto de morte e de sofrimento vai custar a tua vitória sobre os outros deuses, com quanto de sofrimento e de morte se pagarão as lutas que, em teu nome e no meu, os homens que em nós vão crer travarão uns contra os outros, Insistes em querer sabê-lo, insisto, Pois bem, edificar-se-á a assembleia de que te falei, mas os caboucos dela, para ficarem bem firmes, haverão de ser cavados na carne, e os seus alicerces compostos de um cimento de renúncias, lágrimas, dores, torturas, de todas as mortes imagináveis hoje e outras que só no futuro serão conhecidas, Finalmente, estás a ser claro e directo, continua, Para começar por quem tu conheces e amas, o pescador Simão, a quem chamarás Pedro, será, como tu, crucificado, mas de cabeça para baixo, crucificado também há-de ser André, numa cruz em forma de X, ao filho de Zebedeu, aquele que se chama Tiago, degolá-lo-ão, E João, e Maria de Magdala, Esses morrerão de sua natural morte, quando se lhes acabarem os dias naturais, mas outros amigos virás a ter, discípulos e apóstolos como os outros, que não escaparão aos suplícios, é o caso de um Filipe, amarrado à cruz e apedrejado até se lhe acabar a vida, um Bartolomeu, que será esfolado vivo, um Tomé, que matarão à lançada, um Mateus, que não me lembro agora de como morrerá, um outro Simão, serrado ao meio, um Judas, a golpes de maça, outro Tiago, lapidado, um Matias, degolado com acha-de-armas, e também Judas de Iscariote, mas desse virás tu a saber melhor do que eu, salvo a morte, por suas próprias mãos enforcado numa figueira, Todos eles vão ter de morrer por causa de ti, perguntou Jesus, Se pões a questão nesses termos, sim, todos morrerão por minha causa, E depois, Depois, meu filho, já to disse, será uma história interminável de ferro e de sangue, de fogo e de cinzas, um mar infinito de sofrimento e de lágrimas (…)”

(…) A Inquisição é uma polícia e é um tribunal, por isso haverá de prender, julgar e condenar como fazem os tribunais e as polícias, Condenará a quê, Ao cárcere, ao degredo, à fogueira, À fogueira, dizes, Sim, vão morrer queimados, no futuro, milhares e milhares e milhares de homens e mulheres, De alguns já me tinhas falado antes, Esses foram lançados à fogueira por crerem em ti, os outros sê-lo-ão por duvidarem, Não é permitido duvidar de mim, Não, Mas nós podemos duvidar de que o Júpiter dos romanos seja deus, O único Deus sou eu, eu sou o Senhor, e tu és o meu Filho, Morrerão milhares, Centenas de milhares, Morrerão centenas de milhares de homens e mulheres, a terra encher-se-á de gritos de dor, de uivos e roncos de agonia, o fumo dos queimados cobrirá o sol, a gordura deles rechinará sobre as brasas, o cheiro agoniará, e tudo isto será por minha culpa, Não por tua culpa, por tua causa, Pai, afasta de mim este cálice, Que tu o bebas é a condição do meu poder e da tua glória, Não quero esta glória, Mas eu quero esse poder. O nevoeiro afastou-se para onde estivera antes, via-se uma pouca de água ao redor do barco, lisa e baça, sem uma ruga de vento ou uma agitação de barbatana passando. Então o Diabo disse, É preciso ser-se Deus para gostar tanto de sangue. (…)”

Jesus, em longa viagem que fazia, feriu-se o pé, na qual parou para pedir ajuda em uma cidadezinha. Conhece então Maria de Magdala, prostituta que cura Jesus, e este “cura” a Magdala, e ambos passarão a caminhar juntos. Porém, Magdala não oferece apenas seus dotes de hospitalidade:

(…) Depois, juntos, Jesus amparado, como fizera antes, ao ombro de Maria, esta prostituta de Magdala que o curou e o vai receber na sua cama, entraram em casa, na penumbra propícia de um quarto fresco e limpo. (…) Adornei a minha cama com cobertas, com colchas bordadas de linho do Egipto, perfumei o meu leito com mirra, aloés e cinamomo. Maria de Magdala conduziu Jesus até junto do forno, onde o chão era de ladrilhos de tijolo, e ali, recusando o auxílio dele, por suas mãos o despiu e lavou, às vezes tocando-lhe o corpo, aqui e aqui, e aqui, com as pontas dos dedos, beijando-o de leve no peito e nas ancas, de um lado e do outro. Estes roces delicados faziam estremecer Jesus, as unhas da mulher arrepiavam-no quando lhe percorriam a pele, Não tenhas medo, disse Maria de Magdala. Enxugou-o e levou-o pela mão até à cama, Deita-te, eu volto já. Fez correr um pano numa corda, novos rumores de águas se ouviram, depois uma pausa, o ar de repente tornou-se perfumado e Maria de Magdala apareceu, nua. Nu estava também Jesus, como ela o deixara, o rapaz pensou que assim é que devia estar certo, tapar o corpo que ela descobrira teria sido como uma ofensa. Maria parou -ao lado da cama, olhou-o com uma expressão que era, ao mesmo tempo, ardente e suave, e disse, És belo, mas para seres perfeito, tens de abrir os olhos. Hesitando, Jesus abriu-os, imediatamente os fechou, deslumbrado, tornou a abri-los e nesse instante soube o que em verdade queriam dizer aquelas palavras do rei Salomão, As curvas dos teus quadris são como jóias, o teu umbigo é uma taça arredondada, cheia de vinho perfumado, o teu ventre é um monte de trigo cercado de lírios, os teus dois seios são como dois filhinhos gémeos de uma gazela, mas soube-o ainda melhor, e definitivamente, quando Maria se deitou ao lado dele (…) Agora Maria de Magdala ensinara-lhe, Aprende o meu corpo, e repetia, mas doutra maneira, mudando-lhe uma palavra, Aprende o teu corpo, e ele aí o tinha, o seu corpo, tenso, duro, erecto, e sobre ele estava, nua e magnífica, Maria de Magdala, que dizia, Calma, não te preocupes, não te movas, deixa que eu trate de ti, então sentiu que uma parte do seu corpo, essa, se sumira no corpo dela, que um anel de fogo o rodeava, indo e vindo, que um estremecimento o sacudia por dentro, como um peixe agitando-se, e que de súbito se escapava gritando, impossível, não pode ser, os peixes não gritam, ele, sim, era ele quem gritava, ao mesmo tempo que Maria, gemendo, deixava descair o seu corpo sobre o dele, indo beber-lhe da boca o grito, num sôfrego e ansioso beijo que desencadeou no corpo de Jesus um segundo e interminável frémito. (…)


EternoRetorno

O Evangelho segundo Jesus Cristo não é um livro novo. Ao contrário. São transcorridos mais de 10 anos, após a sua primeira edição, em Portugal, em 1991, Editorial Caminho. Mas, tão-somente agora, tive a chance de ler mais esta publicação do português José Saramago, e mais, em português de Portugal. Não costumo resenhar livros antigos, mas não resisti. O sentimento de fascinação foi mais forte e venceu! Há tempos não visualizava um Cristo tão humano, tão imperfeito, e assim sendo, tão maravilhoso e próximo da perspectiva de que o ser humano é feito à imagem e à semelhança de Deus.



Verdade que, quando do seu lançamento, O Evangelho... foi considerado ofensivo para a Igreja Católica, a tal ponto que a “guerra” nada santa deflagrada entre a Igreja e o então subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, contra Saramago, estimulou o autor a se refugiar numa ilha da Espanha, Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde vive. O seu Cristo humanizado; a sua Virgem Maria receptiva ao amor carnal do esposo; o seu São José moído de remorsos por sua fuga covarde, deixando para trás as crianças pequeninas de Belém nas mãos do assassino Herodes; e a sua doce Maria Madalena causaram furor dentre os católicos ortodoxos, que não conseguiram enxergar a possibilidade de redimirmos, todos nós, as nossas falhas.



Nascido em Azinhaga, província de Ribatejo, em 1922, sem diploma universitário, por conta das dificuldades econômicas da família camponesa, José Saramago exerceu, ao longo da vida, uma série de ofícios ( serralheiro, mecânico, desenhista, funcionário público) até se aproximar das letras. A princípio, como editor. Depois, como tradutor e jornalista, lançando o seu primeiro romance ( Terra do Pecado), ainda em 1947, embora, somente em 1966, volte a publicar e até os dias de hoje, continue a fazê-lo.



Traduzido em quase todos os continentes e nas mais diferentes línguas, o premiado Saramago, detentor de láureas nacionais ( Prêmio Consagração Sociedade Portuguesa de Autores, 1995; Prêmio Camões, 1995, dentre muitas outras) e internacionais, como o Prêmio Internacional Literário Mondello e o Prêmio Literário Brancatti, ambos de 1992 e ambos pelo conjunto da obra, Saramago faz retumbante sucesso em países, afora a sua Espanha e o nosso Brasil: França, Cuba, Estados Unidos, Itália, Holanda, Alemanha, Romênia, Suécia, Finlândia, Rússia, Japão, Argentina, Colômbia e México são alguns exemplos.



Além do mais , transita em, praticamente, todas as esferas da literatura: poesias, crônicas, memórias de viagem, peças de teatro, diários ( em 1997, lançou os Cadernos de Lanzarote, cinco volumes), além de contos, e, sobretudo, de romances. Dentre estes, difícil reconhecer o melhor. Memorial do convento (adaptado como ópera pelo italiano Azio Corghi), foi o primeiro a lhe dar notoriedade, em 1982. Ensaio sobre a cegueira , 1995, é de beleza indescritível . O ano da morte de Ricardo Reis traz à tona uma Lisboa, em plena ditadura (1936), mas numa atmosfera de irrealidade habilmente construída, incluindo, dentre os personagens, o magnífico poeta Fernando Pessoa. Todos os nomes, de 1997, por sua vez, permite passeio por uma Lisboa irretorquível .



Se é tarefa complexa hierarquizar a obra de Saramago, é fácil reconhecer o seu livro mais polêmico: O Evangelhosegundo Jesus Cristo. Ele lhe deu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, embora, paradoxalmente, o desafeto Sousa Lara tenha, na ocasião, retirado o título da listagem do Prêmio Europeu de Literatura . É preciso lembrar que a proposta de Saramago não é de reescrever o Evangelho, mas si, um romance, cujo“mote” são acontecimentos fundamentais para o cristianismo. Há cenas de rara beleza. O sentimento de negligência de José, o seu enforcamento, e, sobretudo, o tormento que repassa ao filho ( também, filho de Deus), numa herança dolorosa e odiosa, em sonhos entrecortados de dores e de culpa, é descrito, de forma magistral, em trechos variados.



A descrição da madrugada é pura poesia: “[...] a hora que o crepúsculo matutino cobre de cinzento as cores do mundo [...] O sol ainda tarda a despontar, não há, por todos os espaços celestes, o mais lavado indício dos rubros tons do amanhecer, sequer uma pincelada leve de róseo ou de cereja mal madura [...] (p. 17). E o que dizer da delicadeza da cena em que Maria cumpre o seu“dever” de mulher casada, sob o olhar discreto de um Deus complacente?



Sem pronunciar palavra, José aproximou-se e afastou devagar o lençol que a cobria. Ela desviou os olhos, soergueu [...] a parte inferior da túnica [...] Abrira as pernas [...] fosse por inusitada indolência matinal ou pressentimento de mulher casada que conhece os seus deveres [...] Deus, que está em toda a parte, estava ali, mas, sendo aquilo que é, um puro espírito, não podia ver como a pele de um tocava a pele do outro, como a carne dele penetrou a carne dela, criadas umas e outras para isso mesmo [...] Em verdade há coisas que o próprio Deus não entende, embora as tivesse criado. Tendo pois saído para o pátio, Deus não pôde ouvir o som agônico, como um estertor, que saiu da boca do varão no instante da crise, e menos ainda o levíssimo gemido que a mulher não foi capaz de reprimir (p. 18-19).



O despertar da sexualidade de Jesus ao lado de Madalena é entremeado de frases de raras belezas. Primeiro, quando lamenta não ter ele lhe conhecido no auge da sua beleza de mulher, e Jesus responde: “Conheço-te na beleza desta hora”, deixando evidente a possibilidade de cada um viver o seu próprio momento. Depois, a confissão sobre a sua virgindade, quando ele diz: “ Não conheço mulher”.



Quaisquer que sejam as nossas crenças religiosas, não há dúvidas! O Evangelho... é uma obra-prima, recheada de passagens literariamente incríveis. É o caso da descrição da fuga de Herodes. É o diálogo, em pleno mar, entre os três: um Deus vingativo e consciente do preço a ser pago pela humanidade para que o seu poder ganhe força ; um Diabo simpático e, ao mesmo tempo, apoquentado por atuar , sempre , como contraponto à presença de Deus ; um Jesus maravilhosamente imperfeito!



Por fim, acredito: O Evangelho... é muito mais romance que ofensa. Talvez a opção de Saramago por um evangelho decorra da singeleza dos diálogos entre os vários personagens, da descrição estonteante de cenas simples, que se passam num tempo longínquo, e, principalmente, do farto uso de apólogos / fábulas / parábolas, à semelhança do que se vê nos evangelhos, estes sim, os quatro livros principais do Novo Testamento, perpetuados pela nossa Madre Igreja.

UmaCoisaeOutra

Links:

Dúvida

Não sendo um filme excelente, é um filme com excelentes interpretações. Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman ao mais alto nível, mesmo excelentes, Amy Adams não fica atrás. Bom filme, as nossas salas de pipocas não lhe fazem justiça.

Título original: Doubt
De: John Patrick Shanley
Com: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams
Género: Drama
Classificação: M/12

EUA, 2008, Cores, 104 min. (IMDB)

Bronx, 1964. Numa escola católica, o padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) entra em confronto com a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), directora da instituição que dirige com mão-de-ferro. Quando a ingénua irmã James conta à irmã Aloysius que o padre Flynn presta demasiada atenção a um dos rapazes, a directora acredita ter encontrado o que precisava para desmascarar e afastar o sacerdote. A irmã Aloysius não tem nenhuma prova, mas a dúvida instala-se e vai dividir irremediavelmente a comunidade.in Publico

Crítica:
"Dúvida" não quer, nunca, ser mais do que o registo do trabalho de actor


Não se espere de "Dúvida" mais do que aquilo que é: a adaptação (eficiente mais do que inspirada), pelo próprio dramaturgo, da peça teatral que Diogo Infante encenou entre nós em 2007, com um elenco de luxo a brilhar muito alto nesta história sobre a fé e a dúvida, a bondade e a desconfiança, a intolerância e a abertura de espírito.

Num colégio católico do Bronx em 1964, a freira rígida que o rege com mão de ferro sente-se ameaçada pela lufada de ar fresco que o novo padre, progressista, traz, e uma jovem freira idealista que nota como o padre parece prestar especial atenção ao único aluno negro do colégio fornece-lhe a arma perfeita para ir atrás dele, levantando a dúvida sobre a idoneidade das suas intenções. John Patrick Shanley está objectivamente a "brincar com o fogo" na sua peça, ao introduzir questões de fé e de raça numa história inevitavelmente marcada pelos escândalos levantados pelo abuso sistemático de crianças por parte do clero americano, mas refreia inteligentemente quaisquer extrapolações abusivas ao concentrar a sua narrativa na batalha de certezas e dúvidas entre as três personagens principais, ao mesmo tempo que se retrai de inventar o que quer que seja visualmente para se limitar a registar as interpretações dos seus actores.

Claro que, com estes actores a carburar a cem a hora, dificilmente alguém ficaria mal visto - e se não há surpresa nenhuma em Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman serem sobreexcelentes, como é seu hábito, é inevitável deixarmo-nos surpreender por Amy Adams e Viola Davis, porque não as conhecemos tão bem e a sua entrega em nada fica atrás da das "vedetas". "Dúvida" não quer, nunca, ser mais do que esse registo do trabalho de actor, e ganha-se nessa modéstia, mas faltalhe o rasgo que lhe permitiria dar o salto para um grande filme. Assim como assim, já não ficamos mal servidos.

Jorge Mourinha

Thursday, 5 February 2009

Farol Design Hotel

Avenida Rei Humberto II de Itália, 7
2750-461 - Cascais
Tel. 214823490
Fax. 214841447
Em. farol@farol.com.pt
Quatro suites com decoração de designers conceituados.

Design, Mar

Classificação

Preço

€€€€

150 a 250 €

Nº Quartos

38

CaracteristicasAr condicionado, TvCabo, Mini-Bar, Wi-fi, Roupões, Chinelos, Varanda, Envolvente paisagística, Falésia junto ao mar, Piscina, Hidromassagem, Salas lazer, Esplanadas, Restaurante, Bar, Estacionamento
ExtrasMassagens(85 a 150 €)

É entre a Boca do Inferno e a Marina de Cascais que se situa o Farol Design Hotel, antiga Estalagem do Farol, um inovador empreendimento turístico de cinco estrelas à beira mar implantado, membro da cadeia Design Hotels com uma filosofia muito própria e distintiva.

O edifício é antigo, tendo sido acrescentada uma ala moderna e todo o conceito de decoração se baseia na ideia de design que o nome refere e que se reflecte nos mais ínfimos pormenores. A luminosidade e a proximidade do mar são os dois elementos mais marcantes neste espaço único.

Há quartos decorados por alguns dos mais conceituados estilistas portugueses, há outros cujos terraços ficam a poucos metros das rochas e do oceano. Todos têm algo de especial. Aliás, aqui tudo é especial. Recorrer ao sonho para satisfazer a cumplicidade entre o real e o imaginário, não será, por vezes, nada mais que o legítimo exercício de quem procura na vida a justa resposta ao Bem-Estar. Pois é justamente para servir esse ideal que nasce em Cascais o novo Farol Design Hotel – reaberto em Junho de 2002 – o materializar de uma proposta ao encontro de uma cultura de estadia vocacionada a todos aqueles que procuram o requinte e a descontracção das horas. A nível de interiores, nada foi deixado ao acaso. A sobriedade dos quartos; o equilíbrio de cores, a disposição dos objectos, a funcionalidade dos detalhes, ficou a cargo das arquitectas Ângela Basto e Paula Castro, na parte nova; Cristina Santos Silva e Ana Meneses Cardoso, no espaço clássico do edifício. Contudo, uma excepção a realçar, dez excepções aliás, ou seja o desafio aceite pelos mais conceituados criadores de moda, com a tarefa de decorarem, cada um a seu estilo, um dos quartos, onde enfim inscreverão perenemente os seus respectivos nomes: Ana Salazar, Augustos, Fátima Lopes, João Rolo, José António Tenente, Manuel Alves/ José Manuel Gonçalves, Paulo Matos, Miguel Vieira, Arkadius – o primeiro estilista internacional - e Paulina Figueiredo serão os residentes. E por agora, dizer mais deste Farol Design Hotel do que da experiência quase obrigatória de o provar, seria no mínimo deixar de apelar a uma futura visita. Em suma, não só um novo conceito de estar, mas de ficar, desfrutar e voltar.

Localização:

Uma das estadias mais agradáveis que já tive. O hotel é sensacional. Localização excelente. Serviço dedicadissimo. Restaurante de topo. Divinal.

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O mar mesmo ali ao lado. Decoração. Restaurante.

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Vir embora.
Crítica:
Farol Design Hotel
Um edifício de estilo em cima das rochas. Tenente e Augustus, foram dois dos sete costureiros que emprestaram o seu génio à decoração deste hotel. Moderno e arrojado. Em Cascais.
Tomás Parreiro 2002-07-23


Mar a bater

A luz forte do farol, ali ao lado, acende e apaga a intervalos regulares. O mar calmo, empurra as ondas contras as rochas mesmo em frente. Ouve-se e cheira-se o oceano. Não muito longe, o apito de um navio faz-se ouvir. Apesar da noite estar encoberta a temperatura permite que se esteja sentado na varanda do quarto a olhar o mar sem sentir frio.

O Farol Design Hotel (antiga Estalagem do Farol) não vende quartos, mas uma experiência de vida. É este o conceito da rede mundial em que está inserido, os design hotels (www.designhotels.com) que num inglês mais expressivo “we don’t sell rooms. We sell a life experience”.

A palavra design faz parte do nome do hotel e não é por acaso. Ali há design na arquitectura do edifício, no espaço, nos candeeiros, nos quadros, nas cadeiras, nos espelhos, na iluminação. O tipo de decoração não será de todo invulgar, o que é invulgar é ser usada num Hotel.

Ao edifício antigo, uma casa de tipo romântico, foi acrescentada uma nova ala de estilo moderno onde do lado do mar se tirou todo o proveito do uso do vidro. Nos quartos desta nova área não existem quatro paredes. São três e uma de vidro a toda a largura e altura do quarto. Corra-se os cortinados a aprecie-se a vista com o quarto inundado de sol.

No piso da entrada, para lá da recepção, distribui-se o bar, a sala do meio, e a sala Maria Luísa. À direita e ao fundo, o Restaurante Rosa Maria.


Vermelho

Estranhos nomes, Restaurante Rosa Maria e a Sala Maria Luísa, não por serem estranhos por si mesmos, mas por não combinarem com o local. Nomes antigos num ambiente moderno. Talvez a procura de um pouco de contra-senso? Um jeito de cultura “Kitsch”? A explicação é fácil. É tão simplesmente o nome do primeiro restaurante que a família do actual proprietário possuiu em tempos e, Maria Luísa é o nome da sua mãe. Bonita, a homenagem.

O vermelho, cor da paixão, força, calor e vitalidade predomina nas várias salas do piso térreo, uma opção que deixaria um touro completamente louco. São cortinados, sofás, pufs, e mais uns quantos detalhes.

Antúrios vermelhos, tão perfeitos que parecem artificiais, enfeitam as jarras colocadas sobre as pequenas mesas brancas do bar. Da antiga estalagem sobrou o soalho envernizado, os tectos em madeira e os painéis que forram as paredes até 1 metro de altura. Dai para cima é tudo branco até ao tecto. Pesados lustres de vidro dão luz ao ambiente, fortes lâmpadas aqui e ali, projectam quadros de sombras sobre as paredes.

Ao mesmo nível da recepção um pequeno jardim e a piscina de água salgada e, sobranceiro ao mar, um grande deck em madeira de teka, com mesas e cadeiras do mesmo tipo. Peça-se uma garrafa de vinho branco, servida por um empregado impecavelmente vestido de branco da cabeça aos pés e, podemos aqui perder horas refrescados pela brisa marinha.

Estilistas

Os quartos dividem-se por três andares dos quatro possíveis. Alguns por baixo do piso da entrada, têm direito a pequenos terraços a poucos metros das rochas, mais perto do mar que isto e corria-se o risco de ser molhado por uma onda mais forte.

No primeiro andar, são sete os quartos com vista mar. Os chamados quartos dos estilistas. Alguém teve a (muito) feliz ideia de convidar sete dos mais consagrados designers de moda portugueses a decorar cada um destes quartos. A saber: Ana Salazar; Augustus; Fátima Lopes; João Rolo; José António Tenente; Manuel Alves/ José Manuel Gonçalves; Paulo Matos.

Resultou em sete quartos todos eles com um estilo muito próprio. Diz quem sabe disto da moda, que o traço dos costureiros está lá. Goste-se ou não dos trapos, é difícil não gostar dos quartos. Mais de uns do que de outros. É só uma questão de gosto pessoal.

Os restantes quartos também eles são únicos e nada devem em originalidade aos dos profissionais da moda.

por Lifecooler
Outros links:

Restaurante:


Não encerra, reserva aconselhável

Fusão

Muito muito bom, Comida óptima cozinhada á vista, serviço 5* e um ambiente ímpar.

Comida

Muito boa, Confeccionada e Servida

Preço

€€€€

35 a 50 Euros

Ambiente

Design moderno, sobre o mar

Serviço

Em cima do acontecimento sem ser intrusivo

O restaurante 'The Mix' goza de um ambiente ímpar. Composto de 3 salas de restauração distintas que se interligam e se estendem ao exterior e ao mar. A cozinha liderada pelo nosso chef alemão Daniel Schlaipfer é de fusão mediterrânica e sushi.
As duas salas no interior, uma na casa original chamada The Private Mix, a outra no edificio contemporâneo, unem-se por um arco e oferecem ambientes mais intimistas e cozy. Ambas as salas têm amplas janelas ou portas de vidro que se abrem no deck e oferecem uma vista ímpar.
A área do restaurante al fresco no terraço é o lugar de eleição durante os meses de verão. Mesas a meia luz acompanhadas pelos milhares de reflexos de luz no mar e som calmo e quente das ondas completam o cenário que induz ao bem estar e nos faz flutuar no tempo e no espaço.
Venha-se divertir e relaxar ao som da miss Lyl, uma referência em ascensão de Dj'ing feminio em Portugal e Espanha, onde já tocou nos melhores hotspots da noite.
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Nosso menu:

  • Amuse bouche: Salmão marinado, molho sapateira, gaspacho
  • Creme de cogumelos selvagens com ameijoas
  • Lombo pregado com frutos do bosque
  • Costoletas de borrego com crosta de queijo de Serpa e ervas com ratatouille
  • Pastel nata com creme de café e baunilha
  • Degustação de creme-brullee: Canela, Menta, Framboesa e Anis com Baunilha
  • Casa de Zagalos 2004

Saturday, 31 January 2009

Jacinta - Songs of Freedom

Simplesmente divinal, uma voz deliciosa.

Num projecto inovador, Jacinta cria um espectáculo irreverente e absolutamente
surpreendente, apresentando uma soberba simbiose do jazz com célebres temas dos
anos 60, 70 e 80. De Ray Charles a U2, passando por James Brown, Nina Simone, Bob
Marley, Beatles, Beach Boys, Stevie Wonder, Prince, Bee Gees e Bobby McFerrin,
Jacinta – considerada a melhor jovem artista de jazz do continente europeu em 2007,
no âmbito da iniciativa "O Melhor da Europa” – promete revelar todo o seu potêncial
enquanto intérprete, evidenciando-se a sua voz umas vezes portentosa, outras vezes
sublimemente delicada e, sobretudo, a sua competência ao nível do swing.
Neste regresso a um passado recente, a selecção dos instrumentos foi criteriosa,
apresentando-se desta vez num formato minimalista com piano e saxofone.
Evidenciam-se ainda os arranjos e as interpretações de Jacinta que oferecerão a este
espectáculo uma lufada de contemporaneidade.

Jacinta (Voz), Paulo Gravato (Saxofone Barítono e Tenor), Pedro Costa (Piano), João Gustavo (Arranjos)

Crítica:
Jacinta canta do fundo da sua alma com uma
alegria absolutamente contagiante... tratando
com respeito todas as canções que interpreta.

in New York Times

Sunday, 25 January 2009

Quinta da Camposa

Rua Central da Camposa 1409 - Folgosa
4425-322 - Maia
Tel. 229683394
Encerra Segundas, Reserva aconselhável

Regional, Portuguêsa

Espaço muito bem aproveitado, Pratos bem confeccionados, Serviço à altura, Simpatia nos olhares. Um bom templo à gastronomia nortenha.

Comida

.Bem confeccionada e bem servida

Preço

€€€

25 Euros

Ambiente

Rústico, Autêntico

Serviço

Eficiente, Simpático e Atento

Restaurante situado no antigo lagar da Quinta da Camponesa, restaurado para o efeito. Serve uma cozinha regional, confeccionada a preceito em fornos de lenha.
Entradas: Enchidos; Salada de Bacalhau; Moelas; Chouriço assado; Orelha cozida; Sardinhas fritas e Queijos. Peixe: Bacalhau à Camposa; Arroz de Tamboril; Peixes frescos; Polvo assado na brasa. Carne: Cabrito bigantino assado no forno de lenha; Vitela assada mirandesa; Galo de cabidela; Rojões à moda do Minho. Doces: Ovos Moles; Aletria; Rabanadas.

Localização:

Nosso menu:

  • Tábuas enchidos, Alheira, Morcela, Torresmos
  • Posta de vitela
  • Bolo chocolate, Pudin de ovos
  • Vinho verde tinto

Crítica:
Numa casa de quinta bem arranjada no concelho da Maia, vamos encontrar este Poiso, que para além de servir refeições diariamente,organiza eventos.
O espaço principal é dividido por duas salas desniveladas, sendo que se entra pela de cima, onde deparamos logo com duas mesas só de entradas, num ambiente muito agradavel. Esta sala é mesmo só para isso, para se degustar as entradas, em pé ou sentados num beiral de pedra granitica. E como entradas temos muita coisa boa, como: salada de grão de bico, feijão frade, orelheira, presunto muito bom com optimo melão, bacalhau desfiado em azeite,cebola e alho,pimentos assados,pataniscas de bacalhau,torresmos,rissois e croquetes,pimentos padrón, chouriça, moelas em molho picante e mais algumas das quais não me recordo. Tudo isto à discrição do cliente.Descendo depois à sala, encontramos a ementa, da qual consta: Bacalhau assado na brasa bem coberto com azeite, batatas cozidas e cebola,Polvo assado na brasa, com batata cozida e grelos salteados, filetes de polvo, com batata frita e salada; nas carnes, desde rojões à moda do Minho, naco de Vitela alto, grelhado,com batata a murro e esparregado,cabrito assado em forno de lenha,com arroz de miudos , batata assada e grelos, vitela assada no forno, Arroz de Pica no chão de criação própria. Nesta incursão que fizemos acompanhados da mana Ana Dithmer, fomos para o Bacalhau e para o naco de Vitela grelhado que pedimos mal passado e veio...bem passado. Mesmo assim, a carne era deliciosa e muito tenra. Nas sobremesas optámos por um leite creme queimado e por um delicioso Abade de Priscos,feito como deve ser. Nos vinhos optámos durante as entradas por um verde branco da casa de bom tom - nao havia verde tinto... - e quando quisemos mudar para um maduro tinto e ao pedirmos a carta de vinhos...disseram-nos para escolher dos vinhos que estão abundantemente expostos por toda a sala...estranho. No fim, pagámos cada um 30 euros.

Existem mais dois anexos, entre os quais a "Sala da Má Lingua" que pode albergar cerca de 12 a 15 comensais, onde está o forno de lenha e que é a indicada para grupos com reserva prévia.

por www.poisos.net
As minhas expectativas eram muito altas uma vez que já várias pessoas me tinham transmitido a sua opinião sobre este poiso. Quanto isto acontece as coisas geralmente não correm de acordo com a nossa expectativa. Uma casa muito bem aproveitada e moderna apesar de respeitar a traça de casa de campo. As entradas muito variadas e todas muito boas. Nada a apontar e achei a ideia engraçada de serem servidas num ambiente mais informal enquanto a encomenda dos pratos principais foi feita. Na sala, bem arranjada e agradável foi-nos apresentado um bacalhau que como matéria prima podia ser de maior qualidade mas que estava bem confecionado, especialmente as migas que o cobriam que vinham no ponto, levemente torradas e estaladiças e umas batatas a murro muito boas. De uma maneira geral um prato agradável.Chamou-me a atenção, quando se quis mudar de vinho, e eu que não bebo, fomos informados que a casa não tinha o que se pretendia nem sequer foi apresentada a carta dos vinhos para outra opção.As sobremesas não trouxeram novidades relevantes à excepção do pudim de abade de priscos que segundo o especialista , o Artur, era do verdadeiro portanto muito bom. Talvez por sermos os únicos clientes dessa noite, não pude deixar de "sentir" uma certa pressa no serviço por parte dos empregados, apesar de muito simpáticos. O facto de teram fechado a cozinha antes sequer de termos pedido a conta não me deixou com a melhor das impressões. Mas como atrás referi talvez por sermos os únicos clientes do restaurante. À saída fomos interpelados pelo proprietário da casa que demonstrou uma simpatia e disponibilidade que merece uma nota positiva. No conjunto a apreciação é positiva embora esperasse mais deste poiso

por www.poisos.net
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